Textos entremeados de Amor e Poesias.






========AMOR E POESIAS =AMOR E POESIAS========
           
                            Amor e poesias.

Textos poéticos, extraídos de nossos livros e adaptados a esta página: TEXTOS ENTREMEADOS DE AMOR E POESIAS.
Transmitiremos a essência de cada um e os personagens, quando houverem, serão omitidos ou seus nomes diferentes do apresentado originalmente em cada obra.
                                
                                          Jaime D’Aquino.

                    

Os três primeiros pertencem ao livro. O Mundo em que vivemos.


As pessoas que se seduzem com os encantos refletidos nas infinidades de elementos naturais do cosmos, se nada na vida os ocupasse certamente a passaria os contemplado. Tais seres trazem em seus interiores sensibilidades imensamente mais elevadas ao conceito do que entendemos como “o belo”, já que este termo para elas simplesmente carece de sentidos muitíssimos mais abrangentes, pois o que veem com olhos de suas Almas, transcende e muito, seus significados.
Alguém consegue imaginar uma dessas pessoas que, se um pintor, tentasse transpor para uma tela algo que “seu coração” vislumbrou, sem as cores que representasse fielmente o que viu? Se poeta como se sentiria sem encontrar nas palavras, nada que se adeque ao que deslumbrou seu âmago, recitado no voo de um pássaro, na majestade do desabrochar de uma flor? Se genial músico, não encontrasse nos instrumentos e instrumentistas, meios de unidos, reproduzirem a sinfonia que ele assistiu executada nos divinos brilhos das estrelas, sob a batuta do Divino Maestro?
Sem dúvidas, essas deficiências materiais podem trazer a gênios, frustrações difíceis de descrever.
Agora tentem imaginar um mundo onde todos seus habitantes possuem essas extraordinárias sensibilidades e tão esplêndido, quanto o nosso planeta, a Terra, visto que ela, quais todos os elementos cósmicos, são igualmente lindos. Apenas encerram em si a percepção das magnificências universais contidas em tudo o que tem existência, os seres mais elevados que vêm nelas seus próprios reflexos. Simplesmente aqui, neste nosso fantástico mundo, as suas exuberâncias são percebidas por poucos, em relação à imensa maioria na qual, entre ela, existem aqueles, que veem “coisas bonitinhas”, jamais suntuosas, pois seus conceitos e capacidades interiores de apreender o belo em nada se compatibilizam verdadeiramente com ele. 



             O primeiro e singular sonho de Celestino.

Na noite daquele dia ele foi dormir feliz e sentindo-se em paz. Teve a sensação de ter acordado imediatamente logo após adormecer, pois o que via e sentia era demasiadamente real para ser um sonho.
–Não, não pode ser um sonho! Pensava. Embora diferente de tudo o que tenho vivido até agora, nunca me senti tão lúcido, tão desperto e carregado de estranha e intensa energia.
Caminhava por um lugar de incomparável beleza, sentindo a aromática e refrescante brisa que tocava mansamente seu rosto e todo o seu corpo. Continuando em lentos e mansos passos, não desejando parar, pois dirigindo seus olhos a todos os espaços que o envolvia, a imensidão de passagens multicoloridas, entretanto de infinitas nuances, davam-lhe agora, a impressão de que estava de fato acordado e despertando a pouco, de um sombrio pesadelo.
–Quem dera meu Deus que pudesse viver aqui, eternamente!
Celestino intui que se já não tivesse vivido tudo o que agora se revela diante de si, não possuiria, nas atuais condições de habitante de um mundo lúgubre, meios de compreender as Majestades nelas contidas. Para os “humanos”, que jamais seus sentidos físicos ou interiores experienciaram tamanhas singularidades, o que ele percebe, não teria, para tais, sentido algum, absolutamente nada representaria.
Ah, se ele entendesse o que existe por trás do que neste momento vive, em relação ao que voltará a viver, assim que despertar, nunca mais cairia no mesmo erro! Será muito auxiliado para evitar que isso se repita.
Depois de caminhar muito, corre agora como uma criança, com o coração radiante de felicidade, por um jardim encantado e brinca com as flores, com outros milhares de crianças que vão surgindo nos caminhos que ele passa. Percebe no céu, o Sol, mas um Sol diferente. A delicada, porém intensa claridade que dele emana é como ondas de luzes nas formas de nuvens fulgurantes que ao espargir seus raios a todos os horizontes, faz penetrar em tudo o que seus olhos alcançam Vida, Amor, e encantos indescritíveis.
Tem o sentimento de que é um Anjo e, percebendo que pode voar, volita por sobre as imponentes árvores que tem seus galhos e folhas balançando graciosamente no ritmo do melodioso vento, sobre as montanhas até o céu, e lá de cima, consegue visualizar a extensão daquele Paraiso que possui uma imensa população de Anjos quais a ele. Ao descer sente a necessidade de conversar com todos, como se fossem seus irmãos, velhos conhecidos.
–Venha conosco, diz um deles.
Leva-o a companhia de um pequeno grupo deles que está, neste momento, formando um círculo e tenho a seu centro, alguém dedilhando uma harpa dourada e entoando hinos em louvor ao Senhor de todo aquele mágico e imenso mundo.
Ao final dos cânticos Celestino tenta saber com o Anjo que o convidou a unir-se aos daquele grupo, quem é este Todo-Poderoso Senhor e ouve dele:
–Não sabemos; ninguém sabe. Ele nos dá toda a alegria e a Paz contida em todos os Universos, porém a única coisa que não nos é facultado saber, é quem seja Ele. Há os que afirma ser Ele a reunião de tudo o que existe, mas não sabemos de fato se é verdadeiramente isso. Existe entre nós uma Lei que penaliza aqueles que vivam insistentemente tentando descobrir quem Ele é, ou o que Ele seja.
–E qual é a pena que o infrator deverá cumprir? Pergunta:
–O banimento temporário daqui para mundos sombrios.
Mesmo supondo de fato que estava sonhando, Celestino, ao ouvir o que disse seu irmão, sente uma opressão esmagadora no seu âmago. Estava naquele instante, naquele mundo onde apenas reina a Paz, o bem-estar inebriante, um único Ser, sofrendo, pois pressentia, embora tenuemente, que tal condição o aguarda assim que acordar.
–Você está entre nós, de passagem irmão, mas é muito bem-vindo e poderá ficar conosco por algumas semanas, que tal?
–É um convite irrecusável, apesar de o meu desejo ser viver com vocês por todo sempre.
O Anjo que com ele conversava, sabia claramente que Celestino é um dos banidos e que estes muito breves acolhimentos, fazem parte do processo de “ressocialização” a todos, na condição dele, concedido, com o principal objetivo, de conscientizá-los, mesmo que intuitivamente, durante o retorno, do terrível “pecado” que cometeram e não desejarem jamais reincidirem no mesmo erro. Este mesmo Anjo o disse, embora saiba que ele se lembrará de suas palavras, mas pensará que viveu simplesmente um sonho:
–Por enquanto este seu desejo é impossível de ser realizado, porém depende unicamente de ti voltar e permanecer entre nós, “eternamente”. Vamos esquecer este detalhe e procure usufruir o máximo possível das estonteantes maravilhas que o nosso mundo lhe oferece.
Suavizado com a proposta o acompanha imensamente feliz, já que em simplesmente uma semana, desfrutará de insignificantes dádivas, entre as infinitas que se renovam a cada instante.
Como todo sofrimento parece não ter fim, na sua atual realidade de anjo descaído, de forma inversa, as alegrias passam aceleradamente e chegou, para a inefável tristeza de Celestino, seu tempo de provisória permanência naquele Paraíso.
Desperta com as lágrimas rolando ardentes sobre seu rosto e refletindo:
–Meu Deus, o Céu existe mesmo ou foi de fato um sonho extraordinariamente maravilhoso? Permita-me Senhor que ao deixar este mundo, vá para um qual aquele e lá permaneça por todo o sempre.

                 

                    O segundo singular sonho de Celestino.      

Está perdido por aqui moço? Pergunta um senhor bem idoso.
–Estou apenas passeando senhor e nem sabia que este lugar é habitado.
–É habitado sim, mas verás apenas aqueles que desejarem serem por ti, vistos.
–Então se ninguém desejar que o veja, aqui será qual uma área deserta?
–Sim, deserta, porém linda!
–Muito linda! Bastante diferente do lugar que então vivo.
–Mas um dia voltará para o seu verdadeiro lugar, tão maravilhoso e pleno de paz como este daqui.
–O senhor sugere conhecer a mim e minhas origens?
–Conheço, no entanto onde reside, no momento, pois todos os eventos perante a Eternidade são apenas “momentos”, é também muito bonito. Assemelha-se a um belo jardim regado com águas de lamas. Ainda bem que as belezas puras não se contaminam com as imundícies que por ventura estejam em suas voltas.
A Terra e suas belezas naturais são como a Flor de Lótus; lindas, têm suas raízes nas águas sujas, mas não se corrompem com elas. Apesar do ambiente em que se alimentam, transmitem cores, alegrias e paz àqueles que as conseguem ver e sentir.
Ela não serve apenas de morada, clama aos homens para abrirem os olhos e se inspirarem nos cantos das aves, no nascer e por do Sol, a perceber como cada pequena fração dos elementos naturais que existem nas suas crostas dependem incessantemente uns dos outros, da mesma forma como também eles, e que parem, enquanto ha tempo, de destruírem tudo em suas voltas, pois estarão se assim continuarem, destruindo-se a si mesmos.
–Creio que na verdade, meu amigo, diz Celestino, se a Terra clamasse falando, estaria tão rouca que já não sairia mais som algum. Tem jeito não! Aquele povo com o qual convivo, excluindo uma pequena minoria, tudo indica, caminha para a aniquilação da vida ainda abundante, encantadora e generosa.
–Vamos agora passear por um mundo de verdade, de trabalho, alegrias e paz, diz o idoso senhor que o acompanha, já considerado seu querido amigo.
–Meu Deus que mundo e que gente maravilhosa! Exclama extasiado Celestino. Como foi possível, enquanto conversava com meu amigo, não ter visto nada do que agora vejo? Pergunta-se.
Uma multidão de homens e mulheres trabalhando e cantando na mais pura alegria! Usam apenas ferramentas manuais e extremamente leves enquanto suas crianças brincam não como se fossem vizinhos, mais irmãos.
–Você irá sentir saudades daqui sempre que se lembrar deste nosso mundo, amigo. Não precisamos de presidentes, governadores, congressos, judiciários... Cada pessoa tem consciência das suas responsabilidades com todos e consigo mesmo.
Não necessitamos de médicos, pois a principal razão das pessoas adoecerem no seu habitat é o egoísmo e os graves problemas por ele criados. Aqui todos não simplesmente se respeitam se amam como irmãos. Nossas habitações possuem portas e janelas simplesmente para proteções contra a chuva, vento, frio... Mesmos os animais, os domésticos, quais os existentes lá nas suas paragens, comportam-se docemente, e os similares aos equinos, bovinos... Nunca entram nas casas de pessoas e ficam nos pastos ou locais a eles destinados.
A vida que levamos, sem as preocupações de todas as sortes que os atormentam, como ganâncias, religiões, propriedades, tributos, ciúmes, ódio, adultérios... Se fosse, enumerar as imensidões deles passaria o restante do dia e ainda falaria muitas coisas a relatar, são as fontes das mais diversas enfermidades que os acometem, pois acredite, já que é a mais pura verdade: a mente insana cria enfermidades e, pode te parecer um grande absurdo, mas mesmos microrganismos maléficos e mutações deles podem ser criações de pensamentos em total desarmonia com o Universo.

                            
   
Os quatros episódios a seguir, conexos ao livro: O Despertar do Primeiro Homem.
               Seu amor, por longo período, esquecido!

Nestor foi conduzido pelo seu guia até uma grande porta e, quando ela se abriu o mandou entrar, despedindo-se.
Entrando, o espaço a sua frente lhe indicava o interior de um suntuoso palácio.
Ficou extasiado ao ver monumentos de formas desconhecidas brilharem qual o ouro, quando a luz incide sobre eles.
Galantes, altas e robustas colunas que fariam invejas aos gênios arquitetos da Grécia antiga, sustentam um colossal teto em formato de cúpula.
São revestidas, representando símbolos, por pequeníssimas pedras idênticas ao diamante e outras preciosas, de cores diversas.
Doce voz feminina o fez voltar a sua atenção para uma ampla porta que dá acesso a outro recinto.
–Boa tarde, ilustre Nestor!
Jamais havia visto algo parecido em toda a sua vida. A jovem mulher, que deve ser a Rainha daquele povo, está diante de si.
–Tal qual ela nunca houve na Terra, mulher de extraordinária e exótica beleza, pensava quase que paralisado pela singular visão.
Sua pele é uma gradação suave do ruivo para o dourado. Seus longos cabelos, que descem a sua cintura, se assemelham a finíssimos fios de ouro divinamente ondulados.
Todo o seu Ser estremeceu violentamente ao notar que ela usa na fronte, uma faixa dourada idêntica a que prende os seus cabelos, desde menino.
O longo vestido branco acetinado, justo ao corpo até próximo aos joelhos, de onde se alarga tocando o piso revela as curvas que, unidas aos olhos azuis claros, os lábios de traços impecáveis, em conjunto com o gracioso rosto de anjo mulher, a torna deusa da mais pura beleza feminina.
Foi impossível para Nestor manter-se discreto quando no cumprimento, suas mãos se uniram.
Ela é a suprema representante de uma raça pura, originária desta mesma Terra, desde há oito milhões de anos. Nada escapa a sua extrema sensibilidade, que evoluiu no mesmo grau dos organismos físicos de homens e mulheres pertencentes a uma civilização que até ao presente, é alvo de muitas especulações.
–Venha Nestor, sente-se ao meu lado.
Você, até o momento, nunca havia tido a menor reação do belo, sensual ou afetivo por mulher alguma.
–Sugere-me conhecer meus sentimentos?
–Não apenas eles, nos melhores sentidos dos termos que vocês empregam para expressá-los, mas você como um todo.
–O tempo de existência do seu povo confere-lhe tantos poderes assim?
–Mais do que possas imaginar, porém, ter conhecimento de tudo sobre você, sem uma única exceção, é por outro motivo.
–Posso saber o seu nome e qual é este motivo?
–O motivo irá sabendo passo a passo, pois ele representa uma longa estrada a percorrer, já o meu nome é Nestoliz.
Nestoliz?! Perguntou Nestor pasmado.
–Sim. Os nossos nomes possuírem as mesmas cinco primeiras letras deixou-o muito curioso.
Perplexo, seria o termo exato, Nestoliz!

                                 
          Iniciam as mudanças interiores em Nestor.

Muita coisa agora mudou na vida de Nestor. Vive mais atormentado que antes na sua “procura sem fim”, mas reencontrou seu caminho e seguirá por ele com destemor, pois, apesar da amargura tem no seu âmago, a confiança de que a tão sonhada paz depende unicamente dele.
Vai à praia e caminha solitário pelas mornas areias enquanto contempla o mar, o céu azul e as graciosas nuvens brancas que sugerem acompanha-lo.
Desce aonde chegam às ondas, e sente seus pés sendo por elas banhados quão um novo batismo, do novo homem que nele desponta.
Abre os braços em direção ao horizonte, além das verdes águas do calmo oceano, como num supremo agradecimento ao Infinito nele simbolizado.
Continua sua caminhada a beira-mar deixando as águas apagar suas pegadas. Sabe que as marcas que farão seus pés em solo firme, doravante, serão o complemento dos passos negligenciados pela sua insensatez.
Para e senta-se nas areias. Seus olhos vagueiam lentamente por toda a sua volta. Ouve a voz interior sussurrando lá, bem fundo do seu Ser:
–Veja Nestor como é belo tudo o que te abraça, como é bela a Vida, amar e ser amado, a “criação” da qual fazes parte. Se deixe pela Vida envolver sem questionar de onde Ela vem e para aonde Ela vai, pois a Vida é Deus!
As lágrimas ardentes descem abrasando seu rosto, porém, lavando seu coração, sua Alma. A contínua e suave brisa acaricia todo o seu corpo que, junto ao sempre cântico das ondas, o acalenta e o revigora para continuar a sua jornada.
Sua amada rede é substituída, neste momento, pelas areias. Nelas se deita e fita longamente o céu em profunda reflexão.
Procura esvaziar a sua mente e mantê-la o mais livre possível. É ainda, na atual circunstância, algo difícil de conseguir, mas ele se esforça e consegue por considerável tempo, quando as primeiras estrelas começam a despontar e, escurecendo a seguir, acompanham seus fulgores, as imagens do rosto de Nestoliz tirando-o do seu estado contemplativo. Mesmo na imaginação ver o seu eterno amor ameniza suas dores, porém, o trás igualmente, a lembrança do quanto à fez sofrer pelos seus desvarios.
Solicita mentalmente seu perdão e ele é recebido por Ela que, já saudosamente o envia fluídos de serenidade, e também por energias mentais o clama a ser forte, a lutar bravamente para conseguir o mérito de voltar a ser o seu Nestor, a ocupar novamente, e para sempre, o Trono que o pertence.

Após algumas horas e sentindo o frio se intensificar volta para a sua cabana, pega agasalhos e, deitado na sua rede, finalmente adormece.                                  
              


Nas lembranças do longínquo passado, que estão afloram de seu interior, encontra sua Rainha.

Vivemos, após as angústias primeiras, períodos áureos de civilizações jamais imaginadas pelos homens que “criamos” quando, posteriormente a este fato memorável, descaímos de forma vertiginosa, em relação à quantidade de “Estados”, e números populacionais.
Foram tamanhas e vívidas as suas recordações que se sentiu sonolento, entretanto, uma suave voz manteve a sua mente desperta, e exclama venturoso:
Nestoliz amor, que surpresa feliz!
–Boa noite querido! Tenha agora um descanso destas lembranças e venha comigo, passear por ai.
–Por ai? Ah querida! Que desejo imenso de voltar a viver plenamente os “por ai”, onde juntinho a ti nossos passos, unidos, nossas mãos enlaçadas, me faziam o homem mais feliz que passou pela face deste mundo.
–Deixemos de lado este homem mais feliz porque vai viver o oposto do venturoso, quando se lembrar da ação que te fez “descer aos abismos”.
Nestor abaixou a cabeça, triste e envergonhado. Não reviveu ainda este episódio, mas sabe que ele em tempo algum saíra do interior de um Ser que cometeu o maior dos pecados e, conscientemente.
–Tem razão Nestoliz. A efetivação de qualquer ato causa consequências irreversíveis; nunca poderemos voltar atrás. Uma vez que eles ocorram, sejam em quais circunstâncias forem seus efeitos serão inevitáveis.
Vamos vagar pelos recantos de paz do nosso sossegado Oásis, e deixar as coisas acontecerem nos seus devidos tempos.
–A noite é linda amor, diz Nestoliz olhando os mágicos pontinhos brilhantes no céu. Os mistérios de todas as naturezas nos circundam e apelam incessantemente aos corações dos homens para contemplá-los.
–Você me sugere dar ênfase, e correlacionar estes lindos mistérios com a noite, querida, por quê?
–Ah, Nestor! Como é difícil transmitir muitas das coisas que sentimos ou pensamos, a alguém que não fala o mesmo idioma que nós. Se não tivesse o controle das minhas emoções qual a ti, viveria, enquanto você não voltar ao ponto em que parou, bem como não resgatar todo o seu “pesado débito”, com a minha Alma dilacerada pela aflição.
Meu rei, meu pobre menino! Consolo-me na certeza de que a lição foi amarga, mas o tratamento pelo qual passa é justo e eficaz, igualmente não o deixará doravante, se afastar de mim.
Tudo o que existe meu amado têm infinitas utilidades. Além de formar um todo, cada parte em separado nos revelam muitos segredos, nos mostram uma infinidade de caminhos, basta tão-somente estarmos atentos.
A noite simboliza um dos maiores e fundamentais entre todos os mistérios. “O início de tudo, o anteceder da Luz”. Neste momento e, enquanto estivermos juntos nela passeando sob este Céu Exuberante, ela representa o encanto do amor que sentimos um pelo outro, nos fascina com as dádivas dos excelsos vislumbres de mundos que pairam sobre nós. Nos estados d’Alma em que vivemos agora ela é poesia, ternura, amor... Contudo, ela pode também representar papéis sombrios, como a Noite Negra, experimentada pelo teu Espírito, no sofrido anseio em voltar a ser o meu Rei em toda a sua plenitude.
Simboliza igualmente, a ignorância, os sofrimentos gerais... Enfim, são inumeráveis as suas expressões, no entanto, ela é apenas a noite!
Assim qual ela não há uma só partícula ou evento, em quaisquer recantos dos Universos, que não esteja revestido de singularidades, de Magias da “criação”!
Atente a elas querido com os olhos símplices, com a humildade no coração e perceberá que é possível sim, embora ainda sem todo o seu brilho, envolver-se nas Majestosas Faces de Deus!
–Que Ele me perdoe querida, mas neste momento você é o meu tudo, os meus sentidos, os pulsares do meu coração, o único amor nesta minha vida!
–Nem uma única palavra das por ti agora proferidas está exclusa, no sentido das coisas ponderadas pela a sua Nestoliz, amor.
Caminham sem rumo Nestor e Nestoliz descalços e de mãos dadas. Não importa a direção, aonde seus passos os levam. Juntos e enlaçados suas Almas se rejubilam qual o voo do livre pássaro, a mais sublime das canções...
Voltaram quando os primeiros raios do Sol anunciam a chegada de um novo dia.
–Até breve amor, despede-se Nestoliz.                           

        
          

                         O fim de seus sofrimentos.

Pouco antes dos seus trinta e oito anos decidiu vagar pelo mundo com o intuito de aprender, experiênciar coisas novas e, sobretudo, buscar respostas para questões que no seu entender, seriam doravante a razão da sua solitária existência.
Percorreu por diversos países, alguns bizarros, e envolveu-se em inúmeras aventuras na sua busca incontida pelo saber, de forma mais abarcante possível.
Das regiões geladas as muito quentes, desertos, montanhas, florestas... Explorou-as exaustivamente por quase quatro anos seguidos, que lhe pareceram mais de dez, somando muitos conhecimentos ao seu considerável acervo culturais, contudo, o que verdadeiramente cobiçava saber estava, aos seus olhos, se evidenciando inalcançável.
Conversando com uma pessoa em certo país do continente Asiático fora sugerido visitar um Templo que professa uma religião conhecida em todo o mundo, e que ele se situa em um determinado e muito conhecido lugar. Sim, muito conhecido, mas para os nativos de lá, já para Nestor os entraves do dialeto daquela região, a cultura deles e, uma série de outros detalhes, dificultava o seu intento.
Muito cansado de tanto andar por várias horas e propenso a desistir encontrou, “por acaso”, um senhor idoso e a ele pediu informação sobre o local procurado.
Este senhor sugerindo conhecê-lo, e falando fluentemente no seu idioma, lhe disse:
–“Conheço, mas será perda de tempo ir até lá. O que procura desesperadamente encontra-se dentro de ti mesmo!”.
Convidou-lhe a segui-lo e a entrar na sua humilde casa.
Dentro dela a pessoa se apresentou, quando a noite chegava:
–Meu nome é Koujy...
Ao termo de todas as lembranças Nestor sente um peso assombroso na sua cabeça, qual se ela estivesse sendo tragada por um intenso redemoinho e corre alucinado em direção à praia. Lá chegando desfalece caindo pesadamente nas areias.
Durante as longas horas de inconsciência foram apagados temporariamente das suas lembranças, os muitos e tristes eventos que viveu; sejam os sonhados, os experienciado nos dias a dias, como .também os assistidos na tela do singular computador
Embora permaneça por algum tempo esquecido de fatos com importâncias inestimáveis, ficará retida na sua memória espiritual, a adquirida compreensão de que o “Todo” não é aparentemente um combinado de incalculáveis segmentos desagregados, antes, porém, ele é todos estes segmentos e os mesmos formam um único, um “Tudo Concreto e Indivisível, o Absoluto”. Tem conhecimento agora também de que Nestoliz e ele estão a um passo da “comunhão com o Todo”, assim como se encontram “Nele” “há muitas e distantes eras”, Isaky e Koujy e ela sabia disso ao afirmar que fora a alguém revelada as últimas palavras contidas no Livro Sagrado de seu povo.  Este alguém é Ela, Nestoliz, a Rainha o seu eterno amor, que na sua humildade, disse estar no mesmo “nível evolutivo” dos irmãos que ainda estão unidos a eles aqui, neste mundo.
Foi terrível o esquecimento “por lição”, mas lembrou-se de que “simbolicamente” o “esquecimento, ‘por processos da Vida’, incide em todas as criaturas no ato de suas criações”. Deus não está distante de tudo, Deus é o Amor e o Amor é a Suprema experiência do Tudo.
Restaram-lhe agora à recordação de alguns eventos, os que lhe proporcionaram momentos de extrema felicidade, e o sentimento de que o “Saber perdido, acrescido de tantos outros, percorre agora, de forma plena, no seu Interior”, entretanto, a princípio irá se sentir intensamente atordoado, e tudo se lhe afigurará como simplesmente um sonho.  As perturbadoras ocorrências reiniciarão na íntegra, mas de forma branda, pois tem agora a estrutura para suportá-las com dignidade, se bem que as vividas duramente decretaram o cumprimento da sua pena. Nestor está definitivamente livre.
Se vê despertando nas finas, brancas e límpidas areias de uma bela praia, com o Sol nascente, o Sol da Vida, aquecendo seu corpo e percebe algo atado ao seu pescoço. Ao colocar a mão nele sente que é um cordão.
–Que lugar é esse, e o que estou fazendo aqui?
Apossa-se dele indescritível confusão interior. Lembra de que teve um sonho, onde seu início ocorreu quando na procura de determinado lugar conheceu um personagem como o nome de Koujy.
–Meu Deus, que sonho divino! Exclama. Ele representou tudo o que mais desejei nesta vida. Por que despertei? Preferia mil vezes a morte.
Após pronunciar a palavra morte sente a Vida como nunca imaginou antes, ao ver Nestoliz, com o pranto descendo abundantemente de seus olhos e de braços abertos, dizendo-lhe:
–Venha meu amado Rei, venha descansar seu sofrido Espírito ao meu lado, no nosso Sagrado Lar.

                                        Fim.


               

   Os três seguintes textos, do livro, Estranho Destino.                                                   
         A inusitada conversa entre os dois irmãos.

Mais tarde, na hora de se recolherem, Geany no corredor do andar de cima dirigindo-se ao seu quarto, encontra Thais que saia do dela, que é comum com Lenita, e próximo a ela percebe seu olhar triste. Pararam frente um ao outro e ouviu melancólico ela o dizer com os olhos lacrimejantes:
–Senti muito a sua falta.
–Também senti a sua, irmã.
–Irmão, irmã... Sussurrou Thais olhando nos olhos de Geany e atirou-se nos braços dele, controlando o pranto que lhe afligia a Alma.
Permaneceram por breves instantes abraçados, tendo ela a cabeça apoiada em seu peito e Geany acariciando levemente seus cabelos a prometeu:
–Não ficarei novamente tanto tempo longe de casa, jamais!
–Se for por minha causa pode ficar, mas me leve sempre contigo. Não me importa quando e nem aonde vá.
–A levarei sim, mesmo porque, além da imensa saudade, não é nada bom e nem prudente ficar longe de você.
–Por que está me dizendo que também não é prudente?
–Vamos deixar de lado este detalhe, tá?
–Sim, vamos, embora penso que sei a razão dele: assédio das moças.
–Não queria que isso acontecesse, todavia não tenho como evitar.
–Compreendo, mas tem momentos que me sinto arrasada, pensando na possibilidade de algum dia você se deixar levar por estes assédios e se encantar por outra mulher.
–Jamais. Tive experiências de que isto me será impossível.
–Imagino quais foram e não tenho o menor desejo de saber acerca delas, tá?
Por favor, me deixe ficar um pouco no seu quarto conversando contigo até meu sono chegar.
–Sim, entre.
Sentados na cama de Geany Thais lhe diz:
–Quantas saudades do nosso tempo de crianças. Passávamos longas e prazerosas tardes juntos brincando e não sentia o que sinto, ao menos não tinha consciência “deste sentir”, desde os sonhos a que venho tendo, dias após completar onze anos de idade.
–Nesses teus sonhos sente sem saber como, que tudo nele vivido é sempre ao lado de uma pessoa que, embora ela tenha outro nome seja eu, e ainda, te sugere ser tão real como estamos aqui?
–Sim, por quê?
–Então me parece, vêm tendo sonhos semelhantes aos meus e, tudo indica, eles iniciaram-se praticamente ao mesmo tempo.
–Meu Deus! Geany conhece exatamente os devaneios que me sucedem neles?!
–Não posso te afirmar ainda que sejam devaneios. Se durante os esclarecimentos de um para o outro sobre eles, tudo coincidir perfeitamente, apesar de ser algo por nós desconhecido, podem ser reais, sim. Agora se não houver concordâncias, o mais provável é que sejam fantasias inconscientes nossas, a despeito de ser muito estranho terem iniciado quase que simultaneamente.
Observe como acontece comigo: nas maiorias das vezes em que vou dormir, sinto-me ansioso para encontrar a minha bela e amada mulher de pele morena, olhos azuis esverdeados, cabelos negros muitos lisos e compridos até a cintura. Nos meus sonhos estamos o maior tempo deles vestidos de branco, e acontecem todas as intimidades, entremeadas a muitos carinhos, que normalmente ocorrem entre um casal. Disse “estamos o maior tempo deles vestidos de branco”, porque quando acordo não consigo entender a causa, contudo não tenho a menor sombra de dúvida de que ela é você.
–Deus, tenha piedade de nós! –Você descreveu como me vejo no sonho. Da mesma forma, nele, estou sempre junto a um homem que me parece médico, casado comigo e o amo intensamente. Ele me chama com imenso carinho de Flávia. Tal qual a ti, quando desperto, algo lá dentro de mim me diz que você é ele.
–Então, como isso pode ser sonho? Pergunta Geany.
Thais olha para ele e o diz assustada:
–Mas, isto é loucura! Como pode haver tão intenso amor e intimidades destas naturezas entre irmãos, filhos de um mesmo pai e mãe? Já pensou na gravidade do que ocorre conosco?!
–Sim, já pensei e muito mais do que possas supor, entretanto qual a razão destas coisas acontecerem enquanto dormimos, e por que, igualmente, tenho agora a certeza absoluta de nunca nos termos vistos como irmão e irmã? Sempre nos amamos Thais, desde crianças! É impossível ocultarmos isso de nós mesmos e o pior, corremos o risco de não conseguirmos esconder este fato das pessoas mais achegadas à família, também. Penso que nossa mãe sabe e deve viver aflita por isso.
Alguma explicação deve haver para o que sucede conosco.
–Que explicação Geany? Pergunta Thais atordoada.
–Não sei, mas alguma certamente existe, do contrário, que sentido faria em tudo isto?
E tornando todos estes emaranhados de mistérios mais complicados, pressinto que a nossa irmã Lenita, de alguma forma, está também envolvida neles conosco, observa Geany.
–Acredito também nesta possibilidade. Ela parece não conseguir ocultar o grande ciúme que sente por ti. Percebeu os insistentes questionamentos dela quanto as eventuais participações de moças neste seu passeio, que acabaram me deixando aflita?
–Noto as reações de Lenita desde menina, Thais. Elas não são recentes como supões.
–Não, Geany! Exclama Thais. – Aonde chegaremos vivendo assim, neste tormento? Se não fossemos irmãos tudo estaria resolvido.
–Deixemos que a vida se encarregue de nos mostrar um caminho, um final feliz para todos nós.
Ficaram por alguns instantes sentados de frente um para o outro com suas mãos dadas, em silêncio, e olhando-se ternamente nos olhos, quando Geany a disse emocionado, emocionando-a também:
–Querida vá dormir antes que alguém nos veja assim.

–Você tem razão. Boa noite!


         


Na sexta-feira à noite, Geany como sempre faz antecipadamente ao passar dias ou temporadas fora, qual a semana que esteve na casa de seu amigo Alex, avisa seus pais que no dia seguinte vai sair e voltar apenas à noite.
–Você está certo meu filho, comenta Jane, precisa passear, de lazer. Tem levado a vida muito a sério, além do necessário.
Na manhã do sábado toma seu café bem cedo e vai ao encontro de Carla.
Lenita e Thais estranham a ausência do irmão, mas, apesar de curiosas e preocupadas, se abstêm de perguntas a sua mãe.
Próximo das nove horas ambos se encontram. Após o longo e saudoso abraço, ao menos para ela, o pergunta:
–Aonde vamos?
–Que tal a um grande jardim público? Sugere Geany.
–Contigo vou até para Marte se me convidar.
–Não, Marte, não, é muito longe! Além do que tenho testado vários foguetes propulsores para a minha nave ir a longas distâncias e todos, não descobrir ainda a razão, explodem logo após, ou durante os lançamentos. Sequer um apenas chegou logo ali, na Lua. Não quero me suicidar junto a ti, rir, brincando.
–Assim, não! Imaginei que fosse seguro, também rir brincando. Vamos então ao Jardim Botânico, concorda?
–Excelente ideia.
Nele, com muito verde retratado nas palmeiras centenárias, plantas das mais variadas espécies e, muitas delas originárias de diversos países, transmitem alegria e paz aos apreciadores da natureza.
Enquanto caminha abraçado a Carla, Geany pensa:
–Esse lugar é uma pequena amostra de como nosso mundo é maravilhoso. Pena que o homem na sua ganância, falta de planejamento, ignorância, entre os fatores, já destruiu e continua destruindo as belezas naturais, trazendo com seus atos nefastos consequências desastrosas.
–Curioso, Geany, estive aqui algumas vezes e não havia percebido como esse lugar é tão lindo!
–É compreensível as suas precedentes reações. Podemos estar, nos mais encantadores ambientes, até mesmo no próprio Paraíso, porém sem paz e amor no coração, nossos sentidos interiores não percebem sequer a Majestade contida em uma flor.
Carla ouvia Geany falar e não conseguia entender como ele é diferente dos rapazes que conhece e conheceu. Falou em paz e amor no coração, mas lhe parece triste.
–Paz e tristeza são dois sentimentos antagônicos, pensava. Será possível a um ser humano sentir ambos, simultaneamente?
Era-lhe no presente impossível conceber tal coisa, mas neste mesmo presente o que para ela mais importa, é a companhia de Geany e descobria com ele, valores até então impensados.
Veio ao seu encontro, desejosa de carinho e amor, é verdade, contudo tinha, e muitos exacerbados, outros intentos.
Andava com ele de mãos dadas pelo extenso acervo vivo e deslumbrante, muito bem cuidado e de organização louvável.
Agora sentados em um dos numerosos bancos ali existentes conversavam sobre a vida, tema que para Carla era demasiadamente maçante. Colocaram ambas as pernas dispostas de maneira tal, que ficaram sentados de frente um para o outro.
Deixava-o conduzir os assuntos e o ouvia olhando em seus olhos ternos e misteriosos. Suas palavras, em dado momento, sugeriam-lhe que ele se esforçava para parecer natural, mas estava sofrendo, e ela gostaria muito de saber do por que e, desta forma, ajudá-lo da melhor maneira possível.
–Querido, permita-me perguntar-lhe algo?
–Tudo o que desejar Carla.
–Tem certeza de que está bem?
–Te foi fácil notar que não estou não é?
–Mas, então por que aceitou sair comigo?
–Porque apesar de triste, você não imagina o bem que me trás neste momento da minha vida, a sua companhia.
–Sei que te apresentei a imagem da moça moleca, inconsequente, mas por você posso mudar, faço qualquer coisa para te ver bem. Por favor, se abra comigo. Isto poderá te trazer um pouco de sossego.
–Carla como eu gostaria! Infelizmente não posso.
Seria o homem mais feliz deste mundo se você pudesse estar de forma plena no lugar da mulher que amo, mas não posso amar.
–Como posso entender tal coisa? Por que não a pode amar?
Segurou o rosto de Carla com as duas mãos e viu quanta ternura havia nos olhos dela, respondendo-lhe com lágrimas nos seus:
–Querida, toda esta situação é muita complexa. Além de não poder te contar nada, se te explicasse você poderia supor que sou louco.
–Geany você me chamou de querida! Exclama feliz. Abrace-me forte. Vou fazer o impossível para que ao menos se sinta em paz ao meu lado.
Afirma-me não desejar de forma alguma que eu saiba quem é este seu amor, mas te suplico que me elucide; e ela te ama?
–Muito, mais do que possas imaginar.
Carla em desespero por ele se recusar terminantemente em dizê-la quem é a mulher que vive em seu coração, e notando ainda a estranheza do fato, chora angustiada e o diz aturdida:
–Não confia em mim, claro! Por favor, me leve embora daqui. Você não deve ser uma pessoa normal.
Ela levanta-se bruscamente e continua:
–Não duvido de mais nada. Talvez esse seu amor seja a sua mãe, uma de suas irmãs...
Ao ouvir isso, Geany que igualmente havia se levantado, sente um momentâneo desfalecimento e desaba pesadamente sobre o banco. Logo ao tornar à lucidez em sua mente segura a cabeça com ambas as mãos, acometido de intensa agonia.
Carla vendo a reação horrorizada dele volta rapidamente a sentar e o acolhe em seus braços.
–Não fica assim querido! Não entendo o que te assola por dentro, mas precisas de proteção. Esquece tudo o que te perguntei. Deixa-me proteger-lhe, eu posso, sou forte, acredite em mim.
Vamos andar um pouco em silêncio pelo jardim, propôs ela.
Levantaram-se, Carla circundou seu braço esquerdo na cintura de Geany e caminharam lentamente. Poucos minutos depois ela o diz:
–Estou com fome. Vamos fazer um lanche?
–Sim, vamos, respondeu ele.
Sentados, ela sorvendo seu suco com um canudinho, nota que ele parece não ter conseguido ainda se refazer do choque que levou motivado por razões que tanto gostaria de saber, e o fez um pedido aparentemente leviano:
–Vamos passar este restante do dia em algum lugar onde possamos ficar apenas nós dois?
–Por que deseja isso? Pergunta-a
–Porque não estás bem. Deixa-me cuidar de você, ao menos por hoje.
Geany nota no profundo e meigo olhar de Carla que ela inegavelmente o ama, e que suas ações agora, são algo diferente das apresentadas por ela nos dias em que passou ao seu lado, na visita que fez a sua família.                               
            

           

O amor entre os irmãos que continua através dos tempos.

As vibrações de amor, lágrimas e comoventes sentimentos de gratidão ao Senhor de Tudo pela sua Suprema Majestade, Sabedoria e Justiça, se estende por toda a ilha. Os ocupantes das pousadas mais próximas se uniram aos convidados em imprevistas interações de fraternidades, como se todos formassem uma única família.
Ao final da cerimonia, em um ímpeto inesperado e inconsciente, Geany puxa Carla pela mão e corre em direção ao mar. Thais, influenciada pelo mesmo processo age de forma idêntica com Alex, e os quatro são seguidos pelos demais, sem exceção.
Quase seiscentas pessoas, uma pequena multidão de seres singularmente harmonizados uns com os outros pelo magnetismo do amor, de mãos dadas dançando e cantando, banhados pelas brandas águas do mar, sentem-se como em um batismo coletivo que enlaça corações de muitas pessoas que estavam ali, conhecidos ou não.
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A primeira noite de amor entre Thais e Alex, e a primeira de casados entre Geany e Carla e, após ela...
Exatamente às nove horas da manhã. Thais acorda em sua casa e Geany na dele.
–Meu Deus! Exclamam simultaneamente e confusos, embora venturosos.
Lembraram-se, de forma muito nítida e extremamente marcante, do que vivenciaram em algo semelhante a um sonho, sobre o encontro que tiveram nesta noite em suas últimas passagens:
Sandro e Flávia de mãos dadas, caminhando descalços e felizes numa vasta planície coberta por pequeninhas e vivas flores, com uma diversidade fantástica de sublimes e variadas colorações.  O suave vento, ao mesmo tempo em que brincava com os cabelos de Flávia, sacudia mansamente as minúsculas pétalas matizando suas cores, e fazendo-as ainda mais deslumbrantes no paraíso que se encontravam, quando pararam e ele a disse:
–Foram simbolicamente lavados nas águas do abençoado mar daquele mundo, para o qual fomos conduzidos, os fragmentos das esquecidas faltas que cometemos. Nossos entes materiais podem agora, naquela existência a “eles pertencer”, da mesma forma que terão nossos respeitos e lealdades, contudo, os corações de Lucca e Domícia, Sandro e Flávia, bem como os de outros personagens que representaremos nas indetermináveis vidas, jamais!
–Te amo Sandro!
–Também te amo muito, Flávia e te amarei eternamente!

Nota: Na obra, Estranho Destino, Thais e Geany são irmãos consanguíneos.


          


Os sete próximos episódios foram extraídos do Livro: A Magia dos Reencontros.

Está quase na hora. Vamos lhe fazer uma surpresa. Quando o porteiro ligar você vai para o meu quarto e no momento certo eu vou te buscar. Está bem?
Não demorou muito e o porteiro a avisou que ele estava subindo.
–Vá agora para o quarto e me aguarde.
–Sara, o meu coração está disparando!
–Calma. Ele já vai se aquietar. Vá.
Sara deixou a porta entreaberta e Marcos entrou desconfiado, pois ela estava de pé, o aguardando com um olhar enigmático.
–Oi maninha, tudo bem? Que cara é essa?
Ela lhe deu um abraço forte e disse sorridente:
–Tenho uma surpresa maravilhosa para você. Sente-se um instante.
Foi até a cozinha, preparou um copo de água com açúcar e trouxe-o para seu irmão.
Aproximou-se de Marcos e ofereceu-lhe:
–Primeiro beba isto.
–Água com açúcar. Se a surpresa é boa por que preciso me acalmar?
–Já vai saber.
Foi ao seu quarto e trouxe consigo Aurora. Quando Marcos a viu levantou-se rápido e sentiu como se todo o fascínio do Universo fluísse através de seu Ser.
–Não acredito no que estou vendo!
Aurora correu para seus braços.
–Aurora minha vida, voltou para mim!
–Marcos, querido, que saudade meu amor!
O reencontro há muito aguardado levou Sara às lágrimas. Eram tais quais dois Anjos enlaçados um ao outro. Emanavam deles a essência do amor e ternura infinitos. O verdadeiro amor existe e Sara não teve dúvidas, pois Ele estava personificado diante de si. Desejou também passar por este sublime momento, mas ele era único, pertencia somente a esses dois seres que tinham como destino o mesmo caminho.
 Continuou observando após o longo abraço, os dois se olhando e acariciando o rosto um do outro, em silêncio, como se estivessem diante da natureza mais íntima da própria Vida. Aquela cena ficará marcada para sempre no seu coração.
Saíram do êxtase em que se encontravam. Marcos a puxou suavemente pelo braço e sentaram-se no sofá. Aurora deitou-se em seu colo. Ele afagou os cabelos da sua amada durante bom tempo.
Sara percebeu que era necessário intervir.
–Meus amores. Preciso falar uma coisinha com vocês.
Ficaram atentos e curiosos.
–Estou imensamente feliz pelos dois, mas Aurora, sua mãe e seu pai devem estar preocupados com você.
–Minha mãe sabe onde e, com quem me encontro, porém está certa. Devo voltar logo para casa.
Pareceu-me Sara que o tempo não existia.
–Entendo Aurora, mas por aqui ele existe. Ora voando, ora se arrastando, todavia, é uma realidade da qual não podemos fugir.
–Este foi um dia excelso na minha vida e ao lado de Marcos, os demais também serão.

                               


Maria, mãe de Marcos o aguarda, com os demais visitantes para o almoço.

Ela visualizava o inevitável e gradual desligamento dos filhos aumentando a cada dia.
Nada podia fazer, pensava, ainda mais agora que tem conhecimento das nobres responsabilidades missionárias deles a desempenhar.
Embora a grande saudade que haverá de se intensificar, sentia o coração sossegado e feliz, pois Deus dentro da sua família tem dois servos fieis que a deixa realizada como mãe.
Estava novamente na companhia dos filhos e visitantes que, sentados à mesa, almoçavam na mais completa harmonia.
Olhava com muita discrição a todos, refletindo:

–Como esta vida é estranha! Vivi por longos anos tal qual um frágil barco em meio a uma tempestade terrível que parecia não ter fim. De repente veio à calmaria. O forte vento transformou-se numa brisa suave a me acariciar o rosto. O mar revolto converteu-se em águas tranquilas quais as de um grande e sereno lago. O negro céu tingiu-se de gracioso azul trazendo de volta o glorioso Sol de Luz e Paz!


                 


      Sara, irmã de Marcos, revive o trágico falecimento de Dael.

Sara, agoniada, evidenciando grande descontrole emocional, disse a Marcos:
Meu irmão lembra de que no relato sobre a minha experiência, fui alertada pela senhora Nice que ainda veria e, de forma trágica, Dael, o meu inesquecível amor?
–Sim, lembro-me.
–Isto aconteceu hoje. Foi terrível, Marcos! Entendi o porquê da minha insuportável angustia diante da cena, dela colhendo rosas brancas no jardim.
Assim que sai da faculdade resolvi dar uma volta para procurar um presente para Hina, pela sua aprovação no vestibular. Estava caminhando e num dado momento, me vi parada em frente a uma loja de flores. Uma linda cesta com rosas brancas atraiu a minha atenção. Quando olhava fixamente para ela, tudo em minha volta desaparecia.
Encontrava-me no jardim daquela pequena casa, trajando o mesmo vestuário que a mãe de Dael, na verdade, era a própria. Ao meu lado, ela me ajudava a podar os galhos de uma viçosa roseira e disse-me uma coisa que me cortou o coração...
Sara fez uma pausa chorando convulsivamente, amparada por Marcos.
–Se a lembrança está te fazendo mal, esqueça-a.
–Não, de maneira alguma!
E aos prantos, continuou:
–Ela me disse Marcos:
–Mãe, quando eu morrer, e está próximo disso acontecer, quero que a senhora me enfeite com muitas dessas rosas do nosso jardim.
–Abracei-a forte sentindo uma dor aguda no coração e a repreendi; nunca mais repita isto para mamãe, quer me matar de tristeza? E ela me disse:
–Mãezinha, não brigue comigo! Você precisa saber que só vim ficar ao teu lado por pouco tempo. A minha vinda teve por missão fazê-la conhecer o Amor, a dissipar a incredulidade que carrega contigo mãe. Deus existe! Aprenda a amá-Lo, a vê-Lo nestas lindas rosas brancas e em tudo o que te cerca. Sinta a Sua Sagrada presença na brisa que acaricia o teu rosto, e depois, quando me for, enxugando, através dos tempos, as suas lágrimas de dor. Confie Nele, sempre...
Está se aproximando o momento de eu ir embora.
–No dia seguinte quando fui acordá-la pela manhã, ela ardia em febre e me falava com dificuldade:
–Não fique triste, mamãe. Um dia quando você estiver preparada voltarei para ficar mais tempo juntinha de ti.
–Gritei aflita por socorro e muitas vizinhas apareceram para me acudir.
O nosso vilarejo era muito pobre. Não havia um só médico, e o tratamento das pessoas enfermas consistiam em remédios caseiros e preces.
Ao cabo de poucas horas ela faleceu. Eu chorava desesperadamente, amparada por aquelas humildes mulheres que tentavam trazer-me um pouco de conforto.
Na minha última lembrança, Dael jazia no seu pequeno e modesto ataúde, ornada por muitas rosas brancas do nosso jardim e seu rostinho sereno parecia dormir.
Voltei a mim ao sentir duas mãos fortes me segurando. Era um funcionário da loja que me perguntou:
–A senhora está se sentindo mal?
Deu-me um lenço, pois estava chorando muito. Pegou-me pelo braço e me convidou a sentar numa cadeira dentro da floricultura. Custei a me refazer quando me lembrei:
–Ela voltou e está pertinho de mim! Obrigada meu Deus!
Levantei-me resoluta cheia de energia e disse ao vendedor:
–Quero o buquê mais lindo que o senhor tiver aqui.
–Qual deles, senhora? Perguntou-me.
–De rosas brancas, e somente as rosas, nada mais.
 Ao sair, ele quis saber:
–A senhora tem certeza de que está bem?
–Estou ótima! Obrigada por tudo senhor.
–Foi, ao me contar sobre a lembrança deste acontecimento que te deixou neste estado, não é irmã, já que há pouco estava muito emocionada, mas não assim, tão arrasada?
–Sim, Marcos. Reviver Dael, nos seus momentos finais, dilacera meu coração! Tinha amenizado um pouquinho, mas ao te narrar vivi mais uma vez tudo o que ocorreu. Que Deus me ajude a não mais sofrer tanto com estas lembranças.

–Deus é misericordioso! Auxiliara-te sim, mesmo porque sabes agora que Dael está contigo na forma da Hina.


             


Sara tenta estimular as lembranças no Eu Interior de Hina.

Na noite deste mesmo dia antes de dormir, Sara refletia profundamente sobre a visão diante da loja de flores. Sua reflexão foi tão intensa quanto o desejo de se recordar de mais detalhes. Tudo em vão, entretanto ao notar que não conseguia relaxou e preparava-se para a sua prece, como faz todas as noites antes de dormir, quando desfilaram diante de si, cenas igualmente vívidas que tanto ansiava se lembrar. Feliz agradeceu a Deus e após fervorosa oração, adormeceu.
No dia seguinte, próximo das dez horas, pede a Marcos para convidar Hina a vir visitá-la.
Marcos saiu e Sara lembrou a sua mãe que estava aguardando por Hina e quando ela chegasse fosse direto para seu quarto.
–Esses dois estão muitíssimos misteriosos, pensava Maria.
Logo chega Hina e ansiosa pergunta por Sara.
–Está no quarto a sua espera, disse-lhe Maria.
–Obrigada dona Maria. Com licença.
Hina bate na porta do quarto de Sara e entra.
–Bom dia, Sara! Quer conversar comigo?
–Sim, querida. Sente-se aqui, perto de mim. Posso te contar uma história?
–Se não for do bicho papão pode, brincou.
–Fique de frente para mim e me dê as suas duas mãos.
Agora ouvirá a história de olhos fechados, está bem?
–Sim, pode começar.
–Era uma vez em um lugar muito distante onde havia uma pequenina cidade. Morava lá, entre outros habitantes, uma família de somente duas pessoas. Uma menininha loirinha de olhos muitos azuis e sua mãe. Essa menina era órfã de pai, pois ele se foi pouco tempo depois dela nascer, vitimado por uma doença incurável.
As duas se amavam muito. A casinha que as abrigava pertencia a um criador de ovelhas para o qual a sua mãe trabalhava. Sua filhinha sempre a acompanhava no trato das ovelhas, como uma verdadeira pastorinha.
Quando estavam, em casa, a diversão preferida de ambas era cuidar de um lindo jardim de rosas brancas.
Sara contava a história com lágrimas nos olhos e a voz embargada, na desesperada tentativa de despertar por completo aquela menininha que vive dentro de Hina, e continuava:
–A menininha, apesar da sua pouca idade era muito inteligente e falava coisas lindas para sua mãe, enquanto podavam ou colhiam as rosas.
Certa vez, num descuido, ela furou o dedinho médio da mão direita em um espinho e chorou de dor, assustando sua mãe que sem saber o que aconteceu perguntou-lhe, preocupada:
–Dael, Dael, o que houve meu anjo? Mamãe está aqui para te proteger.
Hina trêmula abraçou Sara, e também se sentia agoniada por dentro.
–Sara querida, entendo o que espera de mim contando-me esta linda história. Ela realmente fala ao meu coração e anseio comungar com você a mesma certeza. Dê-me um tempo. Este inusitado amor por ti certamente nos conduzirá ao mesmo lugar, no passado. Para mim o que mais importa é o intraduzível desejo de estar sempre perto de você, de que continue sendo minha grande amiga, mesmo porque, não existe amiga maior do que a nossa própria mãe.

          


Maria, a amorosa mãe, feliz pelas excelentes perspectivas de vidas dos seus filhos.

Maria nas suas tarefas diárias vislumbra novos horizontes. Seu filho Pedro está há mais de um ano trabalhando como motorista particular. Seu patrão, uma Alma generosa que resolveu auxiliá-lo, satisfeito com sua dedicação e pontualidade, paga-lhe um salário muito compensador e incentivou-o a estudar.
Ele se desdobra cheio de fé e confiança, na certeza de que o homem faz o seu destino. Não olha mais para trás com tristeza. Os constantes encontros com a sua amorosa mãe dão-lhe alento e coragem para prosseguir, desbravando seu próprio caminho, tornando-o mais reto possível.
Sonha pleno de esperança em algum dia se casar, ter filhos, e ser motivo de orgulho e admiração para sua mãe e irmãos.
Pensa no tempo perdido somente como experiência adquirida. Recorda seus voluntários tropeços nas pedras dos caminhos da vida. Foi feliz, pois desejou com veemência, e teve a mão estendida para ajudá-lo a removê-las.
A única tristeza de Pedro é por João. Não tem mais o vício da bebida e passa a maior parte do tempo em casa. Precisa de ajuda, mas não consegue ajudar-se a si mesmo, pela falta do dinamismo interior que move forças externas em torno de todos os homens. Dá sinais de querer reagir, entretanto, fraqueja diante do menor obstáculo.
Pedro não desiste. Pelo menos o pior passou. Se não fosse a falta de ânimo do irmão em entrever novos horizontes tudo seria mais fácil. O problema maior de João é a sua carência de perspectiva, de sonhar. Ah se ele ao menos sonhasse! Pensava Pedro.
Os sonhos partem da Alma, nos enchem de vigor, de alegria! Traz-nos à vontade de querermos chegar a algum lugar e, quando a ele chegamos, a Divina inquietação do Espírito nos impulsiona a outro, aos céus, ao infinito!
Pobre do homem que não sonha! Ele não vive.
Sonharei por mim e pelo meu desventurado irmão! Quem sabe assim não conseguirei acordá-lo para que abra os olhos, e veja o lado bom que a vida lhe oferece?


     


               O encontro espiritual de Hina e Nice.

Hina terminou o curso de medicina e se prepara para iniciar a residência médica. Aproxima-se também o seu casamento com Lucas.
Após as saídas do apartamento, de Sara, Marcos e Aurora, passou a viver nele somente com Antônio que veio morar com ela para fazer-lhe companhia.
Certa noite, muito cansada deitou-se para dormir. Enquanto o sono não chegava pensava na vida, no seu casamento em breve, quando sentiu imensa saudade da sua querida mãe. Lembrou-se de que estando ao seu lado, naquele inesquecível “sonho”, ela disse-lhe ao se despedir que em outra ocasião, naquele mesmo lugar, teria um encontro muito especial, certamente com “alguém” que a revelaria tudo acerca dos envolvimentos entre ela e Sara, como também, de algo que a deixaria extremamente feliz.
–Encontro com alguém? Por que com outra pessoa e não ela? Será que não a verei mais? Fazia-se uma série de indagações quando o sono chegava dominador.
Bastante sonolenta e sem conseguir respostas as suas perguntas, adormeceu.
Estava como previra sua mãe, ali, onde a viu pela última vez. O lugar é singularmente belo, mas sem a presença dela o esplendor de antes não se fazia presente.
Decidiu caminhar a sua procura, entretanto como não a encontrava sentou-se sob uma florida e perfumada árvore. A sua frente, nas tranquilas águas de um lago, formavam-se suaves ondas com o passeio de dois cisnes; um grande e outro com pouco tempo de nascido.
Sua atenção voltou neste instante para uma senhora que dela se aproximava.
Parando diante de Hina, cumprimentou-a sorrindo:
–Como vai Hina?
–Estou triste, pois procuro pela minha mãe sem encontrá-la. A senhora conhece-me de algum lugar?
–Conheço querida, assim como a Sara, o meu amado Antonio e muitas das pessoas conhecidas suas.
–A senhora se referiu ao meu pai como seu amado?
–Sim Hina. Antonio foi e continuará sendo o meu amado! Sou a Nice, que viveu ao lado dele por muitos anos, no seu mundo.
–Nice, a esposa do meu pai? Então é ela a pessoa especial que eu iria conhecer? Perguntou-se Hina sentido agora a tristeza abrandar-se.
–A senhora sabe onde minha mãe se encontra?
–Sei.
–Por favor, leve-me até ela.
–Não posso querida. Ela não está mais aqui, nesta dimensão espiritual.
–Onde ela está então?
–Há exatamente dezesseis dias no ventre do seu corpo, que repousa neste momento na sua cama. Não é mais ou menos esse o tempo que a sua regular menstruação não se faz presente?
–Eu grávida, e da minha própria mãe?!
–Entre espíritos não existem mães e filhas, somente irmãos, Hina.
–Senhora Nice, apesar de não ter ainda me casado, sinto-me imensamente feliz!
A minha mãe embora como filha, novamente ao meu lado, é uma dádiva de Deus!
–Sim Hina, e agora vocês terão unidas por longos anos, uma vida ditosa.
Tenho ainda outra coisa muitíssima importante a lhe revelar. Na verdade será estimulada na sua memória espiritual, a lembrança da sua existência como uma menininha chamada Dael, que foi filha de Marien, hoje a sua amada amiga Sara.
Hina, levada por Nice à presença de um grupo de iluminados espíritos, sentiu cada vez mais o seu Interior sublimado a ponto tal que, se não estivesse devidamente assistida, seria impossível a sua volta ao mundo terreno.
Sendo deitada dentro de uma câmara, teve as suas lembranças retrocedendo no tempo. Elas foram detidas exatamente na personalidade Dael. Naqueles breves momentos que representaram anos, Dael voltou a existir. Esta existência, excitada de forma muito marcante na memória espiritual de Hina, permanecerá viva pelo tempo que se fizer necessário.
–Pronto Hina. As previsões mencionadas por sua mãe foram concluídas.
–E que previsões, senhora Nice! A minha vida que vinha sendo venturosa agora então, ganhará coloridos ainda mais especiais.
–Certamente Hina. Volte para o seu mundo e se desejar, pode dizer ao Antonio que esteve comigo.
–Direi. Ele ficará muito feliz em saber disso!
Hina despertou. Acariciou com carinho extremo o seu ventre, e veio-lhe também a mente recordações nítidas do passado distante. Elas são tão intensas e fulgurantes, que se sente como vivendo em dois mundos ao mesmo tempo. Está radiante e precisa conversar urgente com Sara.
Alberto e Sara tomavam café quando o telefone toca.
–Hina, o que houve?! Sua voz está estranha, parece nas nuvens!
–Sara, pode vir aqui em casa agora?
–Tenho uma série de compromissos, mas nenhum deles me impedirá de te atender querida. Estou indo para ai.
Hina é avisada que Sara está subindo e fica à porta, ansiosa, aguardando-a.
Ao chegar Sara é recebida por Hina com grande ternura.
–Nunca te vi assim, Hina, o que aconteceu?!
–Venha, Sara, sente-se comigo. Estou grávida de uma menina!
–Que bom, meu anjo! Por que só agora está me contando isso?
–Porque soube esta noite.
–Esta noite? Como assim, Hina?!
–Sara estive com a senhora Nice!
–Ah, agora as coisas estão se tornando compreensíveis!
–Ela é uma pessoa maravilhosa! Fez-me tomar conhecimentos...
Hina atira-se nos braços de Sara, em prantos.
–Mamãe Marien, senti tantas saudades da senhora!
Sara estremece violentamente, tamanha foi a sua emoção.
–Dael, meu amor! Hina querida, você se lembrou!
–Não foi lembrança; eu vivi física e espiritualmente o seu grande e inesquecível amor, a sua meiga Dael. Agora compreendo a extensão do seu amor e do terrível desespero diante do meu corpinho inerte.
Voltei para a senhora como lhe prometi mãe! Abrace-me forte!
Naqueles momentos não eram mais a Hina e a Sara que se abraçavam.
Hina vivia Dael, deitada ao colo da sua saudosa mãe, Marien.
O tempo para as duas passava despercebido e Antonio, pressentindo o que acontecia chegava à sala. Parou antes de ser notado e contemplava embevecido, aqueles dois Seres tão unidos um ao outro, que pareciam Um Só. O amor verdadeiro é eterno e estou diante dele, pensava.
Sara acariciando os cabelos de Hina percebeu a presença de Antonio.
–Perdão, Sara. Senti-me extasiado diante do que presenciei! Estou de saída...
–Não vá senhor Antonio. Sente-se aqui conosco.
–Oh, pai! É tanta felicidade que não sei se mereço, falou Hina voltando ao presente.
–Merece filha! Você é um anjo que veio habitar entre nós.
–Estive com a senhora Nice. Ela conduziu-me ao passado, a menininha que fui. Nós aguardávamos tanto por isso!
–Antes desta descoberta fiquei sabendo, através da sua amada esposa, que estou grávida. Aquela criatura que tanto amei e me trouxe a este mundo voltará a ele, e eu serei a via deste retorno. A embalarei nos meus braços com todo o carinho, como Sara estava fazendo comigo. O Milagre da Vida pai

      



Longos anos se passaram, mas o sagrado encargo de Marcos e Aurora continua.
Eles estão próximos de completarem cinquenta e cinco anos de idade, todavia, os vigores físicos, os desejos natos de servirem, de doarem amor, suas vidas a uma causa sublime, são ainda mais elevados que a missão por eles assumida.
O incansável médico Marcos e a sua esposa, a dedicada psicóloga Aurora, chegam sempre cedo ao hospital e só voltam para casa, à noite, exaustos, mas realizados.
Viverão ainda neste mundo por vários anos, entretanto, certos de que o venceu.
Foi difícil e extenuante cada degrau subido nesta irregular escada, contudo, o último está sendo ultrapassado. É o termo de suas passagens por este mundo como alunos.
Estão agora em casa, seu ninho de amor, de repouso e de Paz!
O dia amanhece. Aurora reingressa na consciência material com todas as suas energias restabelecidas pelo sono tranquilo e reparador. Agradece a Suprema Luz pelo despertar sereno. Olha ao seu lado e vê Marcos, seu eterno amor, que também já está acordado, e diz-lhe com o coração transbordante de alegria:
–Tive um sonho divino, Marcos!
Era um enorme pássaro de penas muito alvas e reluzentes que voava muito alto. A meu lado outro grande pássaro idêntico a mim, acompanhava-me. Sobrevoamos uma majestosa esfera azul, felizes, quando ele me disse:
–Altiva e singular águia, por mais de um milênio crescemos unidos e formamos os ninhos que nos abrigavam, a princípio, nas encostas das colinas, como aves que se elevam a pequenas altitudes e, expomo-nos assim, pela inexperiência, as grandes ameaças que nos rodeavam próximas à superfície.
Na passagem de longo período evoluímos, fortificamos nossas asas, e tornamo-nos águias cada vez mais robustas e velozes.
Percebemos ainda com o decorrer dos séculos e dos nossos crescimentos, a necessidade imperiosa de construirmos esses ninhos sempre mais altos, nas colossais montanhas existentes lá embaixo, naquela bela esfera azul. Deste modo, fomos nos distanciando dos terríveis perigos que permanecem próximos as suas bases.
Escalamo-las pacientemente até alcançarmos o cume da maior delas. Nele, além de livres de quaisquer riscos, conseguimos visualizar todos os horizontes que essa grandiosa esfera tinha a nos oferecer.
Desejosos e habilitados a conhecer outros ainda mais encantadores, simplesmente aguardamos o Sublime momento de alçamos voo e despedirmo-nos dela, rumo às estrelas, ao infinito!

                                             Fim.

            


=====AMOR E POESIAS =AMOR E POESIAS=======






           

                                 




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