Estranho Destino-Livro Completo, (Quarta Parte-Final).





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                                 Trigésimo capítulo.

Um mês depois, num final de semana, já com a efetivação não oficializada do namoro entre Geany e Carla, pois ele entendeu ser melhor não apresentá-la a família, apenas comunicando-a que estava namorando e quem, Geany e família mais a Márcia, estão na comemoração do aniversário de Bruna que, apesar da frustração de ter perdido a esperança quanto a ele, sente-se muito feliz por sua irmã.
À noite dele, e no mesmo salão de festas onde as irmãs “duelaram” para conseguir atraírem para si a atenção do agora amor de Carla, a família de Geany com Márcia a acompanhando, e a de Carla, são apresentadas umas as outras.
Em meios às apresentações entre as partes de ambas, com a acompanhante Márcia, sem a presença de Alex, que estava no salão conversando com a cerimonialista, Carla e Thais finalmente se conhecem, e a reação das duas, a despeito de tentarem manter a discrição foi por muitos notados, principalmente por Bruna.
Após ela a aniversariante comenta com a sua irmã:
–Que coisa mais esquisita Carla! Por que a expressão de surpresa sua e de grande desagrado da irmã de Geany?
–A minha sei te explicar, mas a dela preciso, com muita cautela, descobrir.
–Então vai, me explica, estou muito curiosa para saber o motivo!
–E que motivo irmã! Na verdade sei apenas uma pequena e incomum parte dele.
Você conhece o Geany. Sabe que embora lindo, nada tem de vaidoso, ao contrário, se entedia com os assédios nas suas mais variadas formas, das mulheres que não conseguem esconder a fascinação por ele sentida.
Na primeira vez que fomos à praia, quando ele esteve lá em casa a convite de Alex, aconteceu algo que me chamou muito a atenção, e agora me deixou, ao conhecer esta irmã dele, a Thais, completamente intrigada.
Estava sentado ao meu lado, praticamente alheio ao mulherio que o “comia” com os olhos e você, claro, sabe, que não apenas pelo belíssimo rosto dele, mas pelo “conjunto” em si.
Ora, se as mulheres de todos os tipos pareciam para ele nada representar, por que apenas uma que acabava de sair da água o entusiasmou tanto, a ponto de ela passar por nós completamente feliz, por perceber o encanto induzido nele, seguiu-a com o olhar de apaixonado, quase torcendo o pescoço?
–Sim, por quê?! Pergunta Bruna não se contendo com tamanha curiosidade.
–Bruna! A gatona da praia que reconheço, é uma linda jovem, e tem um corpo de deixar os homens tontos, é qual um clone da Thais!
–Cruzes Carla! Jura?!
–E tem mais; logo a seguir a nossa apresentação, quando ela se afastou, observei-a detidamente naquele vestido longo e justinho ao corpo, mais aquele decote provocador, sugerindo que deseja impressionar alguém, deixou-me certa: se a Thais ficasse de biquíni ao lado da que te falei, seria impossível a qualquer pessoa que não as conhece perfeitamente, afirmar quem é quem.
–Nossa! Nunca vi ou soube de coisa semelhante. Então parece um clone mesmo!
Para me deixar mais ainda confusa, ela me olhou como uma terrível rival.
–Notei. Ela insinuou não ter gostado nada de te conhecer.
–Depois, quando estiver a sós com Geany, em um momento propício, vou conversar com ele a respeito. Não sei o que, mas me parece existir um grande mistério envolvido no que acabei de te contar, aliado ao que você e outras pessoas assistiram.
–Mas Carla, independente dessas fantásticas ocorrências ele está te curtindo muito, não está?
–Hum, Bruna e como, irmã!
Tenho quase a certeza de que ele vai ser meu por inteiro.
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Thais a mesa entre Lenita e Márcia, acompanhada de seus pais, sem Geany, visto que Carla após ser apresentada a ela não o deixa a só um único instante, percebe que o ciúme doentio sentido por seu irmão a está fazendo ver nitidamente que precisa mesmo, a qualquer preço, por em prática o que conversaram há pouco mais de um mês.
–Não quero mais viver assim! Noto que Geany também se esforça a fim de parecer natural, mas não está bem como desejava.
O amor verdadeiro que os uniu por duas vezes seguidas não se extinguirá nesta vida, mas é forçoso, para o bem de todos eles, inclusive seus pais, que ambos contenham os impulsos de seus corações o máximo possível.
–Vou tratar é de viver e meu irmão está muito certo; não temos outra saída. Para mim chega desta situação. No seu último pensamento escuta Lenita dizer muito discretamente, para que Jane e Mathias não notem:
–Márcia, está cheio de gatos aqui!
–Por falar neles, comenta a amiga, tem um se aproximando.
Foi Alex que, após cumprimentar a todos, se dirige a Thais:
–Thais, podemos conversar um pouco?
Duas vozes soam ao mesmo tempo, a de Lenita e de Márcia:
–Ela pode sim, não é Thais?
–Estão loucas para me verem na fogueira!
–Nessa, ai, até eu e a amiga estraríamos, não é Márcia? Pergunta Lenita sorrindo.
–E como! Responde também sorrindo Márcia olhando para Thais.
Thais e Alex retiram-se e vão sentar-se a sós, a mesa dele, não distante da irmã, Márcia e seus pais que, embora nada comentem, deixam transparecer leves sorrisos de satisfação.
Agora apenas os dois juntos, Alex a diz:
–Seu irmão transformou por completo a vida da minha irmã. Ela era namoradeira, adorava festas, surf e não levava nada a sério. Atualmente é do trabalho para casa e dela para o trabalho, e a noite vai para a faculdade. Quando está em casa estuda muito e não quer saber de mais nada.
–Então pelo o que me disse Geany a assumiu mesmo?
–Tudo me leva a crer e a minha família também, que sim. Estamos muito felizes por ela. Nunca a vimos tão plenamente alegre, cheia de planos para a vida.
–E ela trabalha no que?
–Na sede central das empresas do nosso pai e dois tios.
–E qual curso faz na faculdade?
–Administração de empresas.
–Pelo visto ao formar-se já tem emprego garantido?
–Todos nós, irmãos, temos. Nosso pai nos dá tudo o que pedimos, porém nunca além das necessidades individuais de cada um, dentro dos nossos padrões de vida, contudo cobra dos filhos empenho e muita dedicação. Ele deseja intensamente ver a continuação e prosperidade dos empreendimentos criados por nossos avós, apesar das dificuldades que nos foram criadas, já há algum tempo, por um ferrenho concorrente. Meus tios, por suas vezes, fazem o mesmo com quatro primos que temos.
Fomos criados, todos, conscientizados de que diversão tem sua hora, da mesma forma que o trabalho e responsabilidade. Quem não seguir à risca esta regra, sofrerá penalidades no mesmo peso das negligências cometidas.
E você Thais, fala-me um pouco da sua vida.
–Prefiro que não falemos sobre ela, ao menos por enquanto. Disse demonstrando muita amargura.
Alex segurou suas duas mãos e percebeu que ela estava chorando baixinho.
–Não sei o que está acontecendo contigo Thais, mas, por favor, deixe-me ajuda-la.
–Você não pode me ajudar, ninguém pode.
–Ah, querida! Se eu soubesse o que a deixa neste estado de tristeza...
Querida! Essa palavra ecoou fundo no seu ser. Como desejou por toda a sua vida ouvi-la, mas sentindo os carinhos e amor da pessoa que não os pode dar.
Neste momento o conjunto musical, no ambiente exclusivo as danças, inicia a execução da primeira, dentre uma longa série de músicas, que a sucederá até o princípio das vinte e três horas.
O cantor com a sua terna voz interpreta uma melodia cuja letra sugere ter sido para ela, escrita; “... Esqueça suas tristezas e ouça juntinha a mim essa sublime canção! Você não está mais só, acolhe querida o meu amor, o meu coração!...”. Thais não supunha que a partir daquele momento, essa letra se assemelhará a um carro que trafegava continuamente em um único rumo, mas encontrou em certo trecho da estrada uma bifurcação e, pouco antes dela, a advertência: trecho à esquerda impedido ao tráfego de veículos por tempo indeterminado.
–Thais, está aqui?    
–Perdoe-me Alex, estava refletindo sobre a minha vida.
–Que tal vivê-la um pouco dançando comigo?
Dirigiram-se a pista de dança e nela Alex a conduz em brandos passos, sentindo as fragrâncias de seus cabelos e rosto. Ela apoiou a cabeça no seu ombro e ele a diz muito próximo ao seu ouvido:
–Este ombro estará sempre a seu dispor querida. Perdoe-me por tratá-la assim, mas desde que a conheci, na visita que fiz ao seu irmão, não mais consegui esquecer o seu rosto tão meigo e o olhar de menina tímida.
–Talvez sempre tenha sido tímida mesmo e nunca consegui enfrentar a realidade.
–Minhas irmãs falaram-me certa vez que o Geany, seu irmão e meu querido amigo também era demasiadamente tímido, sugerindo-as como alguém que vivia em um casulo.
–Era tímido e vivia em um casulo? E agora, ele mudou a sua maneira de ser?
Alex estranhou as perguntas, visto que irmãos normalmente conhecem muito bem as maneiras de ser um do outro e a disse:
–Não notava estes detalhes nele. Para mim era simplesmente um cara “devagar”, porém muito legal e pra lá de amigo, entretanto pelo o que observo agora e ouço a Carla falar, meu amigo está muito diferente de pouco tempo atrás. Desde que ele e minha irmã começaram a namorar Geany não é mais o mesmo.
Alex percebe que Thais parou com os movimentos que com ele fazia ao ritmo da música, e voltou a apoiar o rosto em seu ombro e logo o sente úmido e morno.
–Thais, você está chorando querida? Quer sair, beber alguma coisa ou irmos para fora do salão respirar o ar puro?
–Não! Por favor, fique aqui comigo, não me deixe só!
Foi para ele muito estranha à reação dela, e a feliz surpresa do seu pedido.
–Continuemos então a dançar?
–Sim.
O carinho que sente por Thais é imenso e sem se conter a aproximou mais de si, colando seu rosto ao dela.
Agora não têm mais dúvidas, a ama e irá, da forma mais meiga e sincera possível, tentar também conquistar o seu amor.
Ele movido por grande ternura e ela, pelo desejo de afagos, entremeado ao sentimento da perda temporária consumada, o oferece seus lábios e sente o primeiro beijo apaixonado de Alex, contudo, seu Interior silenciosamente a adverte de que este e outros futuros beijos, em tempo algum, terão o doce incomparável, a magia do sentindo com Geany, exatamente quais os que Flávia sentia com Sandro.
Alex fica extremamente emocionado por sentir nos lábios de Thais, aquele beijo mesclado ao sabor das lágrimas que desciam de seus olhos, mas não imaginava o que lhe ia a Alma.
Já ela começa agora a compreender seu irmão. Ele sabia sim, pela experiência, que poderia lhe ser possível envolver-se fisicamente com alguém, sem que necessariamente houvesse o amor qual o que sente por ele.
Conscientiza-se neste momento de que está nos braços de outro homem e não nos dele, forçando a qualquer preço a realização do precisa fazer.
Este amor existirá sempre e ele se assemelha a um perfume único, entretanto ela necessita viver a ilusão de que o sente se diluindo, nas águas mansas de um cristalino lago, simbolizado na figura de Alex.
Continuaram ali bailando por quase uma hora quando ele sugeriu saírem para beberem algo, e também descansarem um pouco.
Deixaram o reservado às danças e ao ingressarem no outro Alex notou que a sua mesa estava ocupada, apesar da cor e a forma das mesas privativas serem diferentes das demais, e com os nomes de seus usuários sobre elas. Parou frente às pessoas que a utilizava, agradeceu-lhes pelas presenças e que igualmente se divertissem. Um senhor, percebendo que ele deveria ser familiar da aniversariante, e que estavam agindo de forma indelicada, levantou-se e pediu seus acompanhantes a fazerem o mesmo, mas Alex de forma cortês disse-lhe: – não, por favor, fique a vontade.
Seguiram em direção ao bar para beberem algo, passando próximos de Márcia, Lenita, Jane e Mathias, que notaram Thais um tanto diferente. O “casal” Alex e Thais foi também observado por Carla, Geany e Bruna, que comentou:
–Vejam só o Alex! A cara dele reflete imensa felicidade e seus gestos com Thais são de um gentil e enamorado cavalheiro.
–Meu irmão parece fascinado pela sua irmã Geany, disse Carla sem perceber o ciúme do seu amor que a convida:
–Vamos dançar Carla?
–Claro querido, responde.
–E você Bruna, vem conosco?
–Não Carla. Preciso ficar por aqui um pouco mais.

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                         Trigésimo primeiro capítulo.
            Bruna tem a oportunidade de sondar Thais.

Na verdade Bruna, muito curiosa com o estranho comportamento de Thais ao conhecer Carla, e a história sobre ela contada por sua irmã, resolveu prestar nela muita atenção.
O imprevisto acontecimento ajudou-a neste seu objetivo. Havia visto que ocuparam a mesa de Alex e que ele, claro, agiria como agiu. Apenas seu irmão não reparou que logo ao saírem, o pequeno grupo deixou a mesa, provavelmente preocupado em serem sutilmente chamadas às atenções, e iria mesmo, uma vez que o supervisor de cerimônias conhece perfeitamente Alex e sua família.
Bruna, sentada à sua, levantou-se rapidamente e foi até eles convidá-los para que quando terminassem se unissem a ela, o que prontamente foi aceito.
–Obrigado Bruna. Estava mesmo complicado encontrarmos mesa disponível.
–É um grande prazer ter a companhia de vocês. Respondeu dissimulando seu intento.
–Seus olhos estão avermelhados, Thais! Parece que andou chorando. Não está curtindo a comemoração do meu aniversário?
–Por que não estaria, Bruna? Perguntou com a voz suave e acrescentou: além do que me sinto muito feliz pela a oportunidade de conhecer melhor seu irmão. Quando ele esteve lá em casa, na visita que fez a Geany, conversamos muito brevemente.
–Vocês realmente parecem formar um par perfeito.
Já vi meu irmão na companhia de muitas namoradas, mas com esta cara de deslumbrado, como a apresentada a seu lado, é a primeira vez.
A conversa entre os três durou por bom tempo e nela ocorreram surpresas e descobertas. Thais via em si recursos improváveis a seu dispor. Respondia as perguntas que ocasionalmente a ela eram feitas da forma mais natural possível, bem como sentia, qual uma necessidade recém-surgida, saber, ainda que discretamente, como Bruna e Alex conduzem suas vidas, e eles as descreviam sem nada ocultar, ao menos nas partes mais corriqueiras.
Foram-lhe revelados meios de viver, embora no seu conceito um tanto extravagante, porém sem nenhum absurdo, alegres e completamente avessas as suas, e se perguntava:
–Se conseguem viver dessas formas e são assim felizes, por que também não posso? Jamais serei tão audaz quanto a eles, mas diferente do que até então tenho sido, posso ser. Tentará iludir a si mesma.
Bruna por sua vez, apesar de saber pouca coisa a respeito do motivo da reação de Carla e Thais ao se conhecerem, parece agora não ver de modo seguro o ditado que afirma ser a primeira impressão a que fica, já que Thais, aparentemente transmutada, se apresenta como uma simpática jovem torce para que ela seja mesmo sua futura cunhada e, porque também não, grande amiga!
Ficou ainda mais surpresa, tal qual a seu irmão quando ela, ao ouvir a banda executar músicas eletrizantes, convidar:
–Vamos o três, nessa?
Para o salão de danças se dirigiram e ao passarem próxima a mesa onde estava Jane, Mathias, Lenita e Márcia, Jane cometa:
–Thais parece estranha!
–Não se preocupe Jane, diz Márcia. Acontecem com ela apenas saudáveis transformações.
Sim. Até certo ponto Márcia está certa, mas não as transformações plenas que dela esperavam.
Dentro dele Thais observa atentamente, apesar das ofuscantes luzes que deslizam por todo o ambiente, como dançam Bruna e Alex para fazer qual eles, porém tamanho foi seu entusiasmo, que preferiu movimentar-se de acordo com o seu estado de espírito, ou seja, imensa alegria, ao menos era assim que desejava continuar sendo.
Márcia, que agora fazendo companhia a Mathias, Jane e Lenita, a predileta amiga, os propõe:
–Que tal igualmente, entrarmos na alegria que rola lá dentro?
–Quer dizer também, Mathias e eu?! Pergunta Jane, surpresa.
–Por que não?
Jane olha para o marido que, da mesma forma olha para ela, e Márcia os vendo indecisos, insiste:
–Vamos logo gente, estamos perdendo tempo! Também nossos traseiros estão cansados dessas cadeiras.
Mathias e Jane ao verem o que acontecia lá dentro sentiram-se embaraçados e ela gritou ao ouvido de Márcia, visto que no local em meio a tanto barulho, não havia outra maneira de perguntá-la:
–Você quer mesmo que entremos ai, no meio dessa garotada?
Ela da mesma forma, respondeu-a:
–Fala como se fossem dois idosos! Deixa disso amiga, mesmo porque, alegria não tem idade, venham.
Puxou ambos pelas mãos e logo, junto com Lenita, estavam no centro da pista. A princípio se viram como dois peixes fora d’agua, mas ao verem Márcia e Lenita, que estavam acostumadas a dançarem juntas em eventos quais a estes, ensaiaram os primeiros movimentos e, logo se se entusiasmaram, dançando completamente descontraídos.
Lenita enquanto dança, aproxima a boca junto ao ouvido de Márcia e a diz, rindo:
–Se contarmos isso a Geany e a Thais eles não vão acreditar.
Agora é Márcia quem fala ao ouvido da amiga:
–A Thais não será preciso. Olha ela ali se esbaldando!
–Márcia! Exclama e diz: estou vendo, mas me recuso a acreditar.
–E por que não? Olhe para seus pais.
–Nossa! Onde estão os preceitos religiosos e o conservadorismo deles?
–Deixaram lá fora, além do que pecado é não viver feliz, de forma sadia, enquanto podemos.
Jane e Mathias, ambos agora se conscientizando de o quanto deixaram salutares alegrias da vida passar, perderam de vista Márcia e Lenita, porém acabam esbarrando em Thais que, os reconhecendo, disse-lhes bem alto:
–Cheguem mais. E de mãos dadas, ela, seus pais, Alex e Bruna, se divertiram a valer.
Ao final de aproximadamente dez minutos o “clima” muda radicalmente. Passa de esfuziante ao muito romântico.
Jane vai aos braços de Mathias e, unida a seu marido, não se lembra de há quantos anos estiveram assim, abraçadinhos, dançado ao som de uma doce melodia.
Thais e Alex; ele já sentindo o amor definitivamente acomodado em seu coração, e ela, tentando se adequar ao atual contexto em sua vida, é envolta nos braços do que espera ser o sucessor de Geany, agradecendo a vida por agora se apresentar com perspectivas de planos para o futuro e dá-lhe a paz que tanto precisa, até o termo dela.

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                           Trigésimo segundo capítulo.

Bruna que ficou só, imediatamente encontrou seu inusitado par; um simpático homem, doze anos mais velho que ela. Deixou o salão de danças ao seu lado, sentindo-se estranha e ficou pasma, quando ele convidou-a ocuparem uma mesa a sós, aceitando feliz sem entender o que estava acontecendo consigo e, menos ainda, a abrupta transformação que ocorrerá na sua maneira de ser, e em toda a sua vida, doravante.
O homem é simplesmente um ilustre empresário de nome Marcus, também descendente de italianos, e acirrado concorrente das empresas de seu pai e tios. Bruna fica fascinada pela segurança dele, postura e seu olhar penetrante, bem como a voz grave que a diz:
–Perdoe-me Bruna, ainda não me apresentei; meu nome é Marcus.
–Creio não precisar dizer o grande prazer em conhecê-lo, mas como sabe o meu nome?
–Ele está em vários locais junto a sua foto. Aqui, neste ambiente, e em todo o clube, com o slogan em destaque; “a alegre aniversariante”.
–Sim, porém lá no outro salão você não poderia ter me reconhecido tão rapidamente e, com a mesma agilidade, me convidado para dançar, já que muitas pessoas me conhecem e estava à espera de me ver disponível, a menos que...
–Estivesse encantado por ti e ansiosamente aguardando por esta disponibilidade.
–Não consigo entender! Estive tantas vezes só, aqui, neste recinto. Por que em uma delas não se apresentou para me desejar feliz aniversário? Não poderia acontecer o que aconteceu?
–E o que aconteceu? Perguntou Marcus, desejando ardentemente ouvir dela, a confirmação de que seu forte instinto, instrumento fundamental na sua ascensão ao mundo dos negócios, e em diversos setores da vida, não o decepcionaria logo agora, em uma situação tão importante para ele.
Bruna o fitava nos olhos e, pela primeira vez, ficou perdida perante um homem, abaixando a cabeça sem saber o que dizer.
–Vou tentar explicar o porquê de não ter me apresentado e ter dito, da forma mais carinhosa possível; feliz aniversário Bruna, antes de dançar contigo. Juntinhos eu e você, no tempo em ficamos por duas músicas seguidas, sentimos o magnetismo um do outro. Muitas pessoas não creem na sua existência, entretanto ele é tão real quanto o ar que respiramos. Sempre fui um homem muito observador e tenho provas concretas da sua atuação, tanto para processos benéficos e atrativos, como o inverso. Neste segundo processo pode causar situações devastadoras e, igualmente, aversão entre seres vivos, não apenas aos homens. Agora, a disposição mental espontânea ou induzida, em muitas pessoas pode, eventualmente, transformar seu campo magnético para “melhor ou pior”.
Claro que em certos intervalos, quando as luzes mais claras incidiram sobre os rostos meu e seu, vimos um do outro, mas creia mesmo na penumbra, se os nossos magnetismos não se harmonizassem, não resistirias ficar nos meus braços, enquanto dançamos, pelo tempo em que ficou.
–Você e encantador, Marcus, não nego, e me parece absolutamente certo quanto as suas observações, mas sugere-me também ser muito misterioso! Ainda bem que sou extremamente curiosa e adoro mistérios. Perdoe-me pela pergunta: quem o convidou?
–Minha única sobrinha de nome Necy, filha da minha também única irmã, Nely, estuda com a sua, Carla, de quem é muito amiga. “Curiosamente”, duas semanas antes do seu aniversário, recebeu um convite de Carla para nele comparecer e me perguntou se desejaria acompanhá-la. Bruna, não é minha intenção convencê-la de coisa alguma, mas senti, no momento do convite, que deveria de imediato aceitar, pois algo de extraordinário aconteceria assim que visse a aniversariante.
–E esse encanto que afirmou ter sentido por mim foi exatamente, aquém ou além, do “algo de extraordinário” que aconteceria assim que me visse?
–Creio que além, pois quando a vi, um imenso desejo de observá-la pelo maior tempo possível se apossou de mim e já entrei no salão, aguardando pela oportunidade de me achegar a ti para ter a certeza, de que você é a mulher que me fará novamente, um homem feliz.
–Por que novamente feliz?
–Porque já fui muito feliz e esta felicidade me deixou quando aconteceu a maior perda que já tive na minha vida, e ela passou a ser um longo tormento que parecia não ter fim.
–Deseja-me falar sobre esta perda, para desabafar, talvez?
–Sim, falarei e, nos mínimos detalhes, mas não agora.
Graças a Deus tudo aconteceu como esperava acontecer, tanto que lhe trouxe um presente, apenas aguardava por um clima propício para entrega-lo e ele felizmente se formou.
Bruna, a jovem bela e insensível, mulher, quase foi às lágrimas ao ouvir o que Marcus a disse, e abaixou mais uma vez a cabeça, agora, pensativa: – qual terá sido esta perda que ele se referiu ao falar dela tão triste, ter sofrido muito quando aconteceu, e que continuou por muito tempo o machucando? Falou de um presente, não precisaria, ele já é o meu valiosíssimo presente! Meu Deus, por que estou assim?! Não me reconheço!
–O que houve Bruna? Ficou estranha de repente...
Logo ambos ouviram a voz:
–Oi, tio, me parece muito bem acompanhado!
–Necy! Chegou ao instante certo. Sente-se conosco.
Bruna, a sobrinha que te falei.
Cumprimentaram-se gentilmente e Marcus disse a Necy:
–Esta é a aniversariante Bruna, irmã da Carla.
–Sei. A foto dela está em todo quanto. Carla também me falou muito da irmã e, sinceramente, imaginava a Bruna muito diferente da que estou vendo.
–Como imaginava e como me está vendo, Necy?
–Em certos aspectos de forma ainda indefinida. Hoje é o seu aniversário, a festa está animadíssima e você me apresenta um rostinho triste, será que estou enganada?
–Não, não está. Além da Bruna que você imaginava, sente-se como que atropelada por um enorme e pesado caminhão!
–Cruzes! Que caminhão malvado! Ainda bem que você sobreviveu.
–Diria renascendo!
Necy ora olha para Bruna, ora para seu tio e percebendo ele muito comovido, o falou:
–Tudo indica tio, que se a sua sofrida solidão não terminou, isso não tarda a acontecer. Pega logo o estojo que pediu para eu guardar e dê seu conteúdo a Bruna, visto que não tenho dúvidas, ser ela a escolhida para recebê-lo.
–Sim, é mesmo para ela. – O aceite Bruna, com todo o meu carinho!
Ao abrir o estojo Bruna olhou para Marcus e não conseguiu conter as lágrimas, tamanha a sua emoção, dizendo-o:
–Nunca, em toda a minha vida, vi um colar tão lindo e singular.
–Ele, de certa forma, é personalizado, Bruna. Foi confeccionado exclusivamente para a mulher que me fizesse voltar a viver com a alegria de antes, e existe há três anos.
–Então poderia dá-lo a outra pessoa?
–Sim, mas tudo me sugere que ele escolheu te pertencer!
Apenas mandei deixar o pingente “em branco”, para gravar nele o nome do meu novo amor, você!
Deixe-me colocá-lo em seu pescoço.
Marcus retirou o que ela estava usando e o novo passou a adorná-lo.
Necy ficou pasma ao ver no pescoço de Bruna o colar de ouro branco Paladinado, com pedras de diamantes, em forma de coração e um pingente na sua parte inferior, também no formato de coração, com o mesmo ouro e nele, a inscrição em letras ornamentais; Bruna. Tirou de sua bolsa um pequeno espelho e a sugeriu:
–Veja como você ficou, Bruna; uma verdadeira princesa!
–Sim, é como me sinto usando-o!
É difícil de acreditar que ganhei este divino colar, de um encantador homem que acabei de conhecer.
Olhou com muito carinho para Marcus e o agradeceu com terno olhar.
Necy pergunta por Carla e comentou sentindo-se curiosa:
–Estranho! Eu e Carla gostamos tanto da companhia uma da outra, no entanto só a vi uma vez e, mesmo assim de longe, desde que chegamos, eu e o tio.
–Enquanto certa pessoa estiver com ela não tem olhos para mais ninguém. Esquece-se por completo da vida.
–Ah, já sei, o Geany!
–Ela te falou dele? Perguntou Bruna.
–Se falou dele? Não fala mais em outra coisa.
–Aposto que sobre mim ela te fez um relato completo, mas antes de estar plenamente envolvida com ele.
–Sim, é verdade.
–Geany é o mundo encantado da minha pobre irmã! Está perdidamente apaixonada!
–Tem razão, porém pressinto que mais alguém não demora a se sentir tão pobre quanto ela.
Bruna e Marcus se entreolharam e ele a pediu quase como a uma súplica:
–Vamos nos conhecer melhor?
–É a primeira vez na minha vida que aceitarei um convite desta natureza Marcus.
–Sempre existe uma primeira vez, querida.
–Querida! Como é bom ouvir esta palavra sabendo que ela é dita com tanto carinho e sinceridade, pensou Bruna feliz.
Até ontem apenas encontrei moleques na minha vida e agora finalmente surgiu um homem de verdade. Não posso reclamar, já que sempre agi também como uma moça moleque, mas como Marcus pode ter visto em mim, qualidades que pensei não possuir? – Será que consegui mudar de fato? Indagava-se envergonhada e compreendia que precisava ser uma mulher a altura do homem que a ama.
Necy percebia a necessidade de eles ficarem a sós e como sabia também de que não poderia ter a companhia de Carla, despediu-se do tio e de Bruna, pois não se sentia a vontade na festa da irmã de sua querida amiga.  Ao sair Necy, os recém-enamorados partiram para dançarem a música romântica que tocava, passando por Giulio e Brigitta, pais de Bruna. Marcus e ela distraídos não os viram, porém Giulio os viu. Muito surpreso e preocupado se perguntava: – O que este homem está fazendo aqui, e de mãos dadas com minha filha?
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A alegria e o romantismo continuam imperando no salão de danças agora sem Jane e Mathias, que voltaram para a mesa.
Muitas pessoas podem entender como algo estranho duas mulheres dançando como se fossem um casal, mas ali havia algumas nesta situação e, entre elas Márcia e Lenita que, igualmente abraçadas uma a outra, se estivessem em um lugar silencioso ouviriam os pulsares de seus corações. É um extremoso amor “nascido” entre ambas desde a primeira vez em que se viram, há mais de seis anos, quando Márcia também ainda era pouco mais que uma menina. A natureza dele para as duas e como se manterá doravante não tem a menor relevância para elas, embora praticamente saibam, a partir da “última volta ao passado”, sua origem.


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                          Trigésimo terceiro capítulo.

Ao saírem do salão, já cansados de tanto dançar, Thais solicita a Alex que ele, ao ver Carla, indicar onde ela se encontra.
–Está em sua mesa com Geany.
Chegando nela Thais pede para falar com Carla. Ela estranhou o pedido da sua possível futura cunhada, mas deveria ouvi-la e a perguntou:
–É em particular ou pode ser aqui mesmo?
–Aqui mesmo, apenas te peço que se levante.
As pessoas muitas das vezes podem ter reações imprevisíveis, devido as mais diversas circunstâncias, porém, embora receosa, Carla levantou-se e qual foi a sua surpresa ao ver Thais de braços abertos oferecendo-a um carinhoso abraço e a dizendo durante ele:
–Você não imagina o quanto te sou grata minha querida cunhada.
Carla ficou pasma com o que ouviu, igualmente, Alex que nada entendeu, porém Geany sentiu-se preocupado.
–Pode me explicar; grata por que, Thais?
–Você e seu irmão estão tornado os fardos meus e de Geany, muito mais leve e extremamente agradáveis.
–Você nada me explicou, ao contrário, me deixou mais confusa ainda.
–Perdoa-me Carla, mas é impossível te explicar com poucas palavras, algo demasiadamente extenso e complexo. Não se preocupe que na ocasião oportuna Geany te explicará tudo. Você compreender, e/ou aceitar o que te será exposto, depende de muitos fatores, entretanto, ao menos terá uma grande amiga, eu.
Agora é Carla quem abraça “sua cunhada” e jubilosa de felicidade a diz:
–Independente do que seja Thais, tenha certeza do meu imenso desejo de ver você e Alex unidos para sempre. Saiba também que amo loucamente seu irmão, e tudo farei para que ele seja o homem mais feliz deste mundo.
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–Vamos deixar nossos irmãos a sós, pede Alex, já que neste momento eu quem preciso te dizer uma coisa muito importante.
A poucos passos da mesa onde estavam ele para, olha profundamente nos olhos daquela que descobriu ser o amor da sua vida, e a consulta:
–Será precipitação minha solicitar a seus pais autorização deles para que você seja oficialmente minha namorada?
–Tem certeza de que deseja realmente ser meu namorado?
–Infelizmente no meu caso em particular, namoro e noivado são requisitos fundamentais e prévios antes de um matrimônio, pois se dependesse de mim a pediria em casamento, e não simplesmente namorada.
–Não considero namoros entre pessoas que sonham ter futuros comuns por toda uma vida, ser algo simples.
–Disse amor; “infelizmente no meu caso em particular”, visto que sinto um enorme receio de perder você para algum inesperado pretendente.
–Não esperava por esta sua insegurança Alex, pois vemos há todos instantes, namoros, noivados e mesmo casamentos se desfazendo por causas diversas. O que mantém uma união segura é o verdadeiro e incondicional amor entre duas pessoas que se amam de fato.
Ao pronunciar o último parágrafo ela sentiu um ímpeto interno, qual a uma advertência: – “assemelha-te a um pregador religioso hipócrita: o que fala aos fiéis ‘serve’ para estes, contudo ele mesmo não segue o que ‘ensina’. Saiba que não é tão difícil assim manter uma união estável, desde que haja respeito e lealdade mútua, na ausência deste incondicional amor”.
–Tem razão Thais, sou mesmo um tolo, respondeu Alex, crendo que este verdadeiro e incondicional amor existe ou existirá de fato entre ambos.
Ela sente profunda admiração por ele e anseia fazê-lo feliz durante toda a sua vida, já que para si, nas circunstâncias desta mesma vida, a felicidade da forma que sempre sonhou lhe é impossível, mas poderá viver em paz ao lado do homem que a ama.
Agora ela o fala, emocionada e com os olhos úmidos, na esperança de que ele consiga ler nas entrelinhas, logo ou futuramente, suas afirmações. Conseguindo ou não, deseja se casar com ele e dá-lo tudo o que uma fiel esposa pode dar a seu marido, e deixará o destino se encarregar do amanhã.
–Tenho minhas razões para creditar que um amor real não se desfaz facilmente, nem mesmo quando a morte nos separa.
–Por que me diz isso querida?
–É exatamente acerca do que estava falando a sua irmã. Logo todos saberão do que se trata.
Então, vai me pedir em namoro ou não?
–Claro, vamos logo até onde se encontram seus pais.
Na mesa reservada a Mathias, Jane e companhias, Lenita e Márcia permanecem ausentes, uma vez que as inseparáveis amigas continuam juntas dançando, sugerindo terem se esquecido do mundo externo a elas.
–Mãe, pai, diz Thais, o Alex deseja falar com vocês.
–Na verdade é um pedido aos dois, esclarece ele.
–Pois não Alex. Sentem conosco, convida-o Mathias.
–Você nos parece ansioso rapaz, observa Jane.
–E como, senhora Jane. Peço aos dois, permissão para namorar a Thais.
–Belo gesto Alex, o elogia Jane emocionada e acrescenta: atualmente este pedido se encaminha para ser algo raro. Também não é nada incomum nos dias de hoje as filhas namorarem e, sem noivarem serem pedidas em casamentos. Igualmente não raro essa solicitação inexiste e sim avisos de decisões tomadas sem consultas aos pais daqueles que pretendem consumar, a meu ver, uma das ações mais importante na vida de duas pessoas.
Continuam os quatro conversando até que chegam Márcia e Lenita. Alex pede licença aos presentes a mesa e vai agora, de mãos dadas com Thais, a outra, onde se encontram seus pais, Giulio e Brigitta.
–Pai, mãe, esta princesa é a Thais, irmã de Geany e os foi apresentada de forma muito breve.
Precisam, e muito, a partir deste instante, se familiarizar com ela, pois é minha namorada e futura nora de vocês.
–Meu filho quanta segurança nesta sua afirmação! Desejo que esteja plenamente certo disso, comenta Giulio. Essa encantadora jovem é de fato extremamente bela e deve ser mesmo muito especial. Conhecemos diversas namoradas suas, porém nenhuma delas nos pareceu merecer tal título e, menos ainda, de nossa futura nora. Perdoe-me filha, mas nada deve ser a ti, oculto.
Parece-nos também que você, linda Thais, é fruto de árvores produtoras de bons deles, haja vista ser o segundo a nós apresentado e, acreditamos, fecundarão ainda mais o nosso querido pomar.
–Suas palavras me enterneceram senhor Giulio! Muito grata.
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Retornado à mesa Marcus e Bruna, ela visivelmente sem jeito, o pergunta:
–Perdoe-me, Marcus, este cordão que me deste certamente vale uma fortuna. Fala-me mais sobre você, da sua vida.
–Compreendo seu receio. Sou economista e empresário. Todos os meus bens e de minha irmã foram conquistados, a princípio pelos nossos pais, que os perdemos em um trágico desastre aéreo. Ela ficou muito mais abalada que eu pela nossa perda irreparável, deixando todos os negócios da família sob minha administração. Com muito trabalho e dedicação, ajudados penso, pela grande intuição nata em mim, às empresas prosperam bastante.
Esta estranha capacidade de pressentir as coisas, dentro e fora dos negócios, sempre me alerta a não tomar decisões que poderiam nos levar à ruína, da mesma forma, a outras altamente vantajosas aos nossos interesses.
Esse cordão de fato equivale a uma pequena fortuna, mas a maior que possa existir neste mundo, agora que te conheci, nenhum valor teria para mim sem você ao meu lado.
–Parece-me que hoje é um dia repleto de surpresas e mistérios.
–Por que, houve outros?
–Sim. E do jeito que a coisa anda, não duvido nada que surjam mais antes do final dele.
–Espero que os acontecidos tenham sidos bons e os que porventura apareçam, também o seja.
–Acredito que sim, porém “paira muitas dúvidas no ar”!
–Dúvidas, surpresas e mistérios, Bruna, são apenas pequenas partes dos processos da vida e existirão sempre.
–Você deve estar certo, mas, por favor, fale-me da sua sofrida solidão, mencionada por ti e a sua sobrinha.
–Embora sinta tristeza ao lembrar-me disso falarei sim, entretanto, antes, que tal me apresentar aos seus pais?
–Tem certeza de que já quer conhecê-los? Não é muito cedo? Está de fato convicto que é isso mesmo o que deseja? Vão te bombardear com um monte de perguntas!
–Sim, estou, porém você quem decide. Quer adiar esta apresentação?
–Não. Façamos logo o que devemos fazer.
Chegando à mesa onde se encontram seus pais, tios e mais dois amigos da família, todos os vendo de mãos dadas, e Bruna com o semblante estranhamente feliz, ficaram imensamente surpresos.
Mais surpreso ainda se sentiu Marcus, em saber quem eram o pai e tios do seu amor.
–Pai, mãe, e demais presentes, apresento-lhes o meu namorado.
A princípio Giulio e seus dois irmãos foram movidos por breve, mal estar. Giulio falou a sua filha:
–Onde vocês estavam sentados?
–A minha mesa pai, por que, houve alguma coisa?
–Vamos os três para ela e lá conversaremos.
Pediram licença aos demais e se retiraram.
Acomodados Marcus perguntou a Giulio, impressionado de como a vida lhe trás tantas ocorrências inesperadas, ruins e boas: – você é o pai da Bruna?
–Sim, sou. Muito curioso não é mesmo?
Olhando para o colar que sua filha usava e, obviamente por Marcus dado, a ele disse:
–Você sempre consegue tudo o que deseja, não?
–Onde está querendo chegar Giulio? Estou na sua presença da forma mais amistosa possível, por que tanta amargura?
–Podem explicar-me o que está havendo? Perguntou Bruna, assustada.
–Este homem é o nosso implacável concorrente, filha. Os dividendos das empresas, minha e dos meus irmãos, despencaram depois que ele passou a nos perseguir.
–Giulio, você está me ofendendo na presença da sua filha. Não mereço ouvir o que está afirmando. Você é também um grande empresário e sabe perfeitamente que no mundo dos negócios, muitas circunstâncias contribuem para a prosperidade ou não deles.
Creio que a sua mágoa maior e saber que eu sozinho superei você e seus irmãos juntos.
Herdamos, eu e minha irmã, um grupo de empresas dos nossos pais que não tinha, na época, um vigésimo da progressão e notoriedade que possui hoje.  Logo após casei-me e ele se manteve no mesmo patamar que quando deles recebemos. Meu casamento durou apenas dois anos, pois perdi a esposa que tanto amei, por conta de um bêbado irresponsável que, dirigindo em alta velocidade, avançou o sinal e atropelou ela e mais três pessoas. Das quatro faleceram instantaneamente minha mulher e uma criança, e as outras duas ficaram incapacitadas fisicamente pelo restante de suas vidas.
–Você não sabe, mas durante um ano de intenso sofrimento por pouco não fui à falência. Mesmo ainda sofrendo, contudo pensando muito na minha esposa, nos meus pais e, sobretudo na minha irmã, Nely, consegui reagir e me reerguer. Não via, após a intensa e estranha energia que me vitalizava, nada mais a minha frente que não fosse o trabalho. Vivia obcecado nele.
Somente cinco anos depois conquistei o restabelecimento da minha vida social, passeando, indo a teatros, festas, vivendo como todas as pessoas normais, da minha classe social, vivem.
As grandes diferenças entre eu e os integrantes das suas empresas, acredito, é que possuo extraordinária intuição, e ela sempre me orienta nos exatos momentos das tomadas de cruciais decisões, e outros fundamentais detalhes: mantenho equipes de funcionários especializados que estão sempre vigilantes as necessidades diversas e fundamentais dos nossos funcionários, todos eles, sem exceção. Também temos relações muito próximas e de extrema cooperação, com aqueles que nos servem como fornecedores e, da mesma forma, com os que adquirem nossos produtos para igualmente tocarem seus negócios.
Você deve saber que todos esses e outros detalhes fazem parte de um complexo processo, e nenhum deles pode de forma alguma ser negligenciado.
–Muito comovente e interessante toda essa sua narrativa, entretanto o que de fato me interessa saber é o que você pretende com a minha filha?
–É muito precoce falarmos em casamento, uma vez que eu e a Bruna quase nada sabemos um do outro, no sentido dos gostos pessoais, maneiras de ser e de como encaramos a vida. Peço-te permissão para namorá-la e futuramente, se tudo sair conforme o esperado, noivarmos e, por que não, nos unirmos pelos laços matrimoniais.
–Você está de acordo com o pedido dele minha filha?
–Estou pai.
–Como pode acontecer uma coisa desta?! Vocês mal acabaram de se conhecer!
–É coisa da vida Giulio. Ninguém pode prever o que o destino nos reserva. Simplesmente aconteceu.
Mas posso te garantir com toda certeza: – se o nosso casamento vier a se realizar, pode estar ciente de que não terá jamais este seu concorrente.
–Espera ai mocinho! A minha filha não é, e nunca será objeto de negócios, mesmo que eu tenha que ir a falência.
–Deixe de ser estúpido, homem! A Bruna, para mim, está muito acima dos melhores negócios que possam existir neste mundo. Ela não me representa objeto algum, mas a mulher com quem pretendo dividir a minha vida, enquanto ela existir.
–Percebendo a seriedade e lisura nas palavras de Marcus, Giulio redireciona o rumo do assunto, deixando de lado a sua agressividade e o pergunta:
–E como, se tudo sair como espera, deixará de ser nosso concorrente?
–Isto saberá em breve, pois com base na faculdade que te disse possuir, eu e sua filha logo seremos marido e mulher, esteja certo disso meu futuro sogro.

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                          Trigésimo quarto capítulo.

Agora neste momento em sua mesa, Carla enfoca um assunto que deixa Geany visivelmente desconfortável:
–Querido aconteceram aqui coisas estranhas envolvendo eu, você e a Thais.
Senti-me espantosamente surpresa assim que vocês chegaram quando nas apresentações, os olhares meus e da sua irmã se encontraram, ao notar nos olhos dela algo como um absurdo ciúme.
Ao observá-la detidamente foi como se estivesse pela segunda vez, frente à moça da praia que te despertou incomum atenção, agora elegantemente vestida.
Estas ocorrências me levaram a outras lembranças: quando esteve lá em casa, convidado pelo meu irmão, além da relatada sobre a linda jovem na praia, onde estivemos inicialmente, também na primeira vez em que viemos a este mesmo clube e, quando estávamos dançando coladinhos, você me beijava ardentemente, sussurrando palavras que se me apresentou indefinidas por não poder as tê-las ouvido atentamente, tanto em função do barulho no local, quanto por elas terem sido pronunciadas em voz muito baixa. Apesar disso entendi-as como algo parecido a Tas, Tali, terminando com a palavra, amor.
Todas estas minúcias, aliadas ao que me disse durante o nosso passeio no Jardim Botânico, acerca de uma pessoa que amas, mas que não a pode amar e, depois de questioná-lo se essa pessoa também te ama me afirmou: mais que eu possa imaginar! Já parou para pensar como ficou, e continua confusa a minha cabeça Geany? O que você balbuciou enquanto dançávamos, é parecida com o nome da sua irmã, Thais, agora percebo isso.
Mais tarde você a presenciou me abraçando e dizendo: – “você não imagina o quanto te sou grata minha querida cunhada”. Depois falando coisas, a meu ver, sem definição alguma: – “eu e meu irmão estamos tornando os fardos de vocês muito mais leves e agradáveis”, e acrescentou a impossibilidade de me explicar ali os sentidos das suas palavras, argumentando que depois, no momento oportuno, você tudo me elucidaria. Se eu fosse tentar ligar coisa com coisa, chegaria à conclusão onde o termo absurdo poderia, sem exagero algum, ser equivalente a coisas de loucos.
Afinal Geany, quais mistérios existem por trás de tudo isso?

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                           Trigésimo quinto capítulo.
           Ele cedeu diante das argumentações de Carla.
            
Você tem razão querida. Existiram de fato o que foi para mim e toda a minha família, durante longos anos nas nossas vidas, inexplicáveis enigmas. Poderá ou não continuar a serem mistérios para você e outras pessoas, pois muitos serão informados sobre o que se sucedeu, dependendo unicamente da aceitação de certos acontecimentos serem verdadeiros ou não.
Pode se encontrar nesta segunda-feira à tarde comigo?
–Para você me explicar tudo, não é isso?
–Sim. Não distante da minha casa existe uma praça ideal para que possamos esclarecer o que tanto a perturba. Às quinze horas, está bom para você?
–Está querido, passo na tua casa e de lá seguiremos para esta tal praça. ========================================
As comemorações do aniversário de Bruna continuam e quase todas as pessoas dela conhecidas, principalmente seus irmãos, parentes e amigos mais próximos, não conseguem entender seu estranho comportamento surgido tão repentinamente. Nunca a viram como se encontra agora; andando pelo salão e recebendo os cumprimentos pelo seu aniversário, sempre de mãos dadas com um homem para eles, desconhecido, estimulando as curiosidades de todos. Os mais surpresos foram os dois que a conhecem na intimidade, já que saíram os três muitas vezes unidos e sabe como ninguém, o quanto ela é travessa e namoradeira; seus irmãos Alex e Carla. Ambos, no momento em que viram a irmã com o namorado, estavam juntos a Geany e Thais.  Alex se aproximou, perguntando-a:
–Não vai nos apresentar seu namorado Bruna?
–Oi gente, que bom ver os dois felizes casais de enamorados! Quero também compartilhar com vocês a minha felicidade! Este é o Marcus, meu maior presente de aniversário!
–Se é para você mais valioso que o cordão que vemos no seu pescoço, esta perdida Bruna. Comentou Carla.
–Sim, inteiramente perdida, irmã e nunca mais desejo me reencontrar.
Ambos cumprimentam Marcus e Carla brinca com ele:
–Muito prazer São Marcus, seu milagre foi esplêndido!
–Que milagre, posso saber?
Carla, evidentemente, não iria comentar como é ou foi a sua irmã. Não estava segura de que ela realmente havia mudado sua maneira de ser, e falou dissimulando:
–É que a Bruna nunca se apaixonou por ninguém, sempre nos dizendo que jamais homem algum iria conseguir tal prodígio. Parece então que ela caiu feio do cavalo!
–E desses puros sangues, irmã, dos mais altos que existem, endossou ela.
–E vocês pretendem mesmo se casar? Perguntou Alex.
–Se depender de mim será o mais breve possível.
–E você Bruna, o que nos diz?
–O mesmo que Marcus.
–Nossa! Paixões fulminantes e simultâneas! Falaram surpresos e sorrindo os irmãos dela.
–No máximo dentro de oito meses pretendo pedi-la em noivado aos seus pais. – Concorda Bruna? Consultou-a Marcus.
–Plenamente, querido.
Ao deixar o casal a sós, os quatro já distantes dele, Carla puxa Alex pela mão, pedindo licença a Geany e Thais por alguns instantes, perguntando a seu irmão em particular:
–Sei, não! Você acha mesmo que “essa coisa” vai longe, Alex?
–Por que não, pensa que era muito diferente dela? Mesmo assim não conseguiu “fisgar” o Geany?
–Mas eu mudei por amor, de verdade.
–E por que todo esse processo não pode igualmente acontecer com ela?
–Sim, tem razão. Sou mesmo uma ingênua.
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Em torno das vinte e três horas se encerram as comemorações do aniversário de Bruna.
Após as felicitações gerais todos se despedem de todos, e a festa é dada por concluída.

=============ESTRANHO DESTINO=============

                            Trigésimo sexto capítulo.

No dia e hora acertados Carla passa na casa de Geany e ambos dirigem-se ao local combinado.
–Você não imagina querido, a ansiedade que me encontro para saber de toda essa história.
–Imagino sim Carla, mas, por favor, tenha paciência, pois ela é muito longa.
–Terei amor, esteja certo disso, demore o tempo que for necessário.
Geany pausadamente e muito emocionado vai narrando para Carla os acontecimentos a partir da sua infância, e ela o ouvindo com extrema atenção. Os desenvolvimentos das exposições dos fatos acontecidos iam conduzindo Carla a compreensão de inúmeros detalhes, todavia na mesma proporção crescia dentro dela, o atordoante questionamento se poderia mesmo haver explicação coerente, do porque estas ocorrências terem incidido sobre três irmãos consanguíneos.
Ele percebendo o estado de perplexidade em que ela se encontrava, até aquele ponto da sua explanação, a pergunta:
–Carla, você acredita que os acontecimentos nas vidas das pessoas, sem exceção, são aleatórios, ou existem neles algumas razões de ser?
–Não posso te afirmar de forma conclusiva Geany. Em certos momentos penso que sim e, em outros, que não.
–É compreensivo a sua dúvida sobre a questão, porém este fato incomum que envolve, eu, e minhas irmãs, e que agora tens conhecimento, está relacionado a outros que podem, para determinadas pessoas, serem verdadeiros apenas por crenças individuais, já para muitas outras é necessário passarem por experiências, e que elas verdadeiramente os convença, sem deixar o menor vestígio de desconfianças.
–Sim, mas aonde pretende chegar com estas abordagens, à parte do que sobrevieram a você, Thais e Lenita?
–Exatamente na sua compreensão do porque isto aconteceu.
Se você acreditar de forma incondicional, que todas as ocorrências em nossas vidas são fortuitas, bem como na impossibilidade de haverem vidas sucessivas, ou seja, partimos deste mundo e a ele voltamos, tantas e quantas vezes forem necessárias, não vejo razão alguma em perdermos tempo, na tentativa de justificar os bizarros elos que uníamos eu e minhas irmãs?
–Não os une mais?
–Para que te afirmar que sim ou que não, vai mudar alguma coisa?
–Você me parece angustiado querido, calma.
Nunca me preocupei com religiões, do por que disso ou daquilo, que não esteja enquadrado nas lógicas do que me foi ensinado, mas nada me impede de abrir a minha mente a novas possibilidades, de ao menos vislumbrar realidades por mim nunca imaginadas.
–Sim, visto que se não conseguir constatar estas realidades, eu e minha irmãs, dentro da lógica do seu conceito acerca do que seja vida, poderemos ser classificados como três desajustados mentais. Isso baseado nele não te seria evidente?
–Esta situação te atormenta amor. Quando me perguntou se entendo que os acontecimentos nas vidas das pessoas têm alguma razão de ser, respondi que em certas ocasiões me parece que sim e, em outras, que não. Ora, se a minha posição neste contexto fosse inabalável, te afirmaria que todas as ocorrências em tudo, e não apenas nas vidas das pessoas, seria em função do acaso, algo semelhante ao caos e, ponto final. Se a dúvida existe é prova de que no mínimo não tenho tanta certeza assim, de que as lógicas em que aprendi a me apoiar são alicerçadas em bases sólidas. Elas, até certo ponto da minha vida me eram suficientes, porém deixaram de ser, pois prefiro mil vezes explorar campos por elas desacreditados, que duvidar de você.
Pelo o que entendi é fundamental me convencer de que tudo ocorre por algum motivo definido, bem como igualmente nas sucessões da vida, e não em apenas uma existência, não é isso?
–Sim querida, mas de forma que fique convicta das veracidades destes processos.
–Tudo bem amor. Pelo meu desinteresse em uma enormidade de casos que tive conhecimento através de fontes diversas, e tantos outros que se apresentaram na minha vida, não estou asseverando que sempre encarei tudo como coisas absolutamente normais, que nada entendi como ocorrências estranhas. Apenas, a meu ver, havia outras mais importantes com o que me preocupar, e não me ater as que não me interessavam, entretanto se você por algum meio acredita que existem, como me argumentaram, e não apenas uma vez, causas onde todos os eventos têm suas origens e, ainda, em vidas múltiplas, por que também, através dos mesmos meios não poderei acreditar?
Por favor, querido entenda, eu te amo. Você é o que de mais importante existe na minha vida. Apresente-me os elementos que te convenceram. Não me é relevante em quais formas ou lugares onde obtivestes estas provas.
–Carla, elas não me sobrevieram todas de uma só vez. Foram processos, acontecimentos sucedendo uns aos outros que, não deixaram apenas a mim, mas também a outras pessoas, fortes evidências dos elos entre eles.
 Como foram os relacionamentos entre ele e suas irmãs, Carla já sabe, porém agora Geany começa nas introduções dos aparecimentos sobre o que ele entende e, realmente são, as correlações entre os fatos. Principia com a visita de Alex a ele em sua casa, onde inicialmente conheceu Jane e Thais. A seguir fala a respeito dos sonhos que passou a ter, conexos aos que Thais igualmente sonhava, a partir de determinada época. Depois, do aniversário de Márcia, e nele, durante uma conversa que teve com a amiga ela, através de atributos mediúnicos, descobriu os envolvimentos inusitados entre ele, Thais e Lenita, sem, contudo, dispor de elementos que a levassem as origens destas ligações.
Geany então deixa Carla ciente de todas as demais ocorrências posteriores ao dia em que conheceu Márcia, bem como afirma ter sido ela o instrumento de ele e as suas irmãs, agora, não terem dúvidas os atormentando do por que não se sentiam quais irmãos, filhos de um mesmo pai e mãe. Do mesmo modo por intermédio da Márcia, sua mãe igualmente ficou certa do que eles estão, e seu pai, tudo indica que se ainda não se convenceu, está a um passo de isso acontecer.
Carla perplexa, o diz:
–Querido essa sua história, a meu ver, é literalmente fantástica.
–Que tal você conhecer melhor a Márcia, já que no aniversário de Bruna apenas a observou muito brevemente? Propôs-lhe Geany.
–Quando você quiser amor.
Ele liga para a amiga que se encontra em casa e ela o convida a visita-la, inclusive naquele momento, se lhe for possível.
–Estou com a Carla e gostaria que ela me acompanhasse, pode ser?
–Claro que sim Geany! Pressentia que estão juntos.

=============ESTRANHO DESTINO=============

                            Trigésimo sétimo capítulo.
           “Márcia” situa Carla em novos pontos de vista.

Ao chegarem são carinhosamente recebidos por Márcia.
–Lembra-se dela? Pergunta Geany.
–Claro que lembro! Ela é quem não deve se lembrar de mim, pois parecia nada mais ver a sua frente que não fosse você.
–É verdade, tem toda razão. Concorda Carla.
–Vamos entrar. Vou apresentar meus pais a sua namorada e, após jantarmos teremos os três, assuntos muitíssimos importantes a tratar. Não foi essa a sua principal intenção ao me ligar, meu amigo Geany?
–Sim, Márcia. Perdoe-nos por tomarmos o seu tempo.
–De forma alguma! Eu o convidei, esqueceu-se? Sabia que necessitava de algo muito relevante. Carla precisa e deve se convencer de que toda a história a ela contada é verídica.
–Como sabe ser este o motivo do “algo muito relevante que Geany necessitava”, Márcia?
–Isso não tem a menor importância Carla. Venham comigo. Logo iremos conversar pelo tempo que se fizer necessário.
De fato foi uma conversa longa e Carla teve a reação ainda mais admirável que Geany quando conheceu a encantadora Márcia.
Ouvia-a assombrada, visto que ela apresentava os argumentos do porque ser imperativo as pluralidades das existências, bem como todos os acontecimentos terem suas razões de ser, devido a incontestável interdependência entre tudo o que existe, mas conduzindo seus contextos dentro de lógicas completamente excêntricas as até então por ela conhecida e aceitas, porém esplanadas de forma impossíveis de se objetar.
Os exemplos em defesa dos assuntos que expunha, embora alguns deles não fossem possíveis de se comprovar de forma direta, deixaram Carla boquiaberta. Estava fascinada por Márcia.
Ela é jovem, no entanto falava com o olhar de uma pessoa muito idosa e dotada de extraordinária autoridade.  Sugeria ter o poder de fazer os “ouvidos” do Espírito e não os do corpo, ouvir, e trazer dele, sensações nunca antes experimentadas por Carla como indivíduo, acostumada as realidades dentro dos seus conceitos de vida e, tido por ela até o presente, como fatos consumados.
A narrativa de “Márcia” com o propósito de situar Carla em um nível compatível aos entendimentos de “suas” exposições, durou por quase duas horas, e ela realmente compreendeu a complexidade da vida, que extrapola e muito a forma como a via, semelhante à de muitos seres humanos.
–Conheci pouquíssimas pessoas nesta minha vida que as considerava, de certa forma, exceção às demais, entretanto você Márcia, é simplesmente singular.
–Te peço Carla que não me veja assim, mas como uma amiga a seu dispor sempre que se fizer necessário.
Se você entender que deve, vá um dia conosco ao centro que frequentamos.
–Claro que quero minha amiga. Pode até marcar o dia.
–Geany fará isso por mim, está bem?
Despediram-se da amiga e distante da sua residência Carla comenta:
–Que criatura mais estranha a Márcia, querido! Certo que na festa da Bruna notei seu jeito de ser por brevíssimo tempo, mas não me pareceu ser esta Márcia que vi hoje. Na verdade toda a família o que tem de amável, tem de estranha. Quando me apresentou seus pais custei a acreditar que eram de fato pais dela. Parecem tão jovens.
Também observei que ela falava comigo de uma forma que me sentia sendo literalmente vasculhada por dentro, e tive ainda a sensação de que foi outra pessoa e, não ela, que me apresentou todos aqueles profusos e impressionantes argumentos. 
–Percebi igualmente este detalhe nas muitas vezes em que conversamos. Sempre me abstive de perguntas, porém creio ser realmente outra pessoa quem fala por ela, apesar de Marcia ser muitíssima culta e inteligente, dando aos menos observadores, à impressão de que é verdadeiramente ela quem fala, em casos de extrema complexidade quais a estes.
Geany convidou Carla para junto a ele e Márcia comparecerem ao centro, deixando já marcado o dia e a hora.
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Agora na sua casa, Bruna e seus pais a nota muito introspectiva, e Giulio a pergunta:
–Aconteceu alguma coisa filha, você está estranha?
–Sim pai, aconteceu, e até mesmo eu estou me sentindo estranha, mas não fique preocupado, porque passei por experiências que tão somente podem mudar a minha vida por completo para melhor, apesar de ser essencial algum tempo para assimilar singularidades jamais por mim imaginadas.
–O que nos importa, diz Giulio, é que você está bem, não é verdade?
–Muito bem pai! Estou melhor a cada dia que se passa na minha vida, desde que conheci Geany.
–Agora sou capaz de te compreender irmã. Se Geany a der uma rosa, ela representará a mais bela rosa que existe no mundo.
–Sim, Bruna. Só de saber que o terei sempre ao meu lado, é como tivesse recebido o paraíso de presente.
–A coisa então é mais séria que imaginávamos, comenta agora Brigitta, sua mãe.
–E está se aproximando mais coisas, também muito sérias, mãe.
–Filha, não é o que estou pensando, é?
–Não mãe, não é. Bem que poderia ser, mas as coisas apenas acontecem quando devem acontecer.
Carla ficou surpresa com o que acabou de dizer, uma vez que já se sente anexando outras considerações na sua maneira de ver a vida e diz a sua mãe:
–O seu, ou a sua neta, somente chegarão quando eu e Geany nos casarmos.
–Fico muito feliz por ti, Carla! Comenta Bruna, também feliz, e acrescenta: – você deve ter suas razões para se sentir muito segura de que este casamento realmente acontecerá.
–Nunca estive na minha vida, tão segura de que algo se realizará quanto estou agora. Também tenho certeza absoluta que Geany jamais gostará de conhecer a Itália, sobretudo Florença, “seu mundo encantado”, como há algum tempo nos fez supor.
–Mas por que filha? Pergunta Giulio. Ele nos pareceu tão entusiasmado, um autêntico Romano.
–Isso, explica Carla, antes de lembrar-se o que viveu por lá.
–Como pode ele se lembrar de um lugar onde nunca esteve? Questiona intrigada Brigitta.
–É de fato muito estranha esta sua afirmação Carla, todavia, apesar de nada entender ela faz algum sentido, pondera Giulio. Já o convidamos, conforme prometemos, a ir lá conosco, mas ele apresentou pretextos que agora sugerem serem razões para não nos acompanhar.
–Ih, irmã, os mistérios não acabaram, não? Interroga Bruna.
–Quais mistérios, meninas? Inquirem simultaneamente Giulio e Brigitta.
–A vida é um oceano de mistérios, gente. Na medida em que nos aprimoramos como seres humanos, vamos, por consequência os descobrindo e, nestas descobertas, nos tornando cada vez mais ditosos. Não devemos, entretanto, confundir as alegrias efêmeras, com ser verdadeiramente venturoso, pois a pessoa que conhece muitas faces destes mistérios se sente feliz, e suporta os eventuais trancos da vida com serenidade, sem cair no desespero, logo recuperando a paz.
Bruna entende que sua irmã deve estar correta, contudo no seu caso em particular, não sabe exatamente se começou mesmo a melhorar como ser humano, com a providencial advertência que recebeu de Carla. Pergunta-se se ela tocou fundo seu âmago de moça irresponsável, talvez abrindo assim, espaços para obter a Graça de os mistérios virem a seu encontro de mãos dadas com a capacidade de desvendá-los. Os que têm a sua frente sugerem serem muito diferentes dos de sua irmã.
Poderá no decorrer das suas descobertas esmerar mais profundamente seu Ser Interior e, por efeito, ter todas as perspectivas de ser inteiramente feliz.

=============ESTRANHO DESTINO=============

                            Trigésimo oitavo capítulo.

Passados oito meses de relacionamento amoroso, período demasiadamente longo para o casal de apaixonados Marcus e Bruna, que desde o dia em que se conheceu de forma nada habitual, não tinham ambos, a menor dúvida do que verdadeiramente desejavam. Apesar dos demorados meses ele teve seus lados bons: conheceram-se um ao outro em todos os detalhes convencionais possíveis, foi também muito importante a Marcus, no sentido de ele poder conquistar a confiança dos pais de sua futura esposa, demais familiares e dos irmãos de Giulio.
Bruna por sua vez, a despeito do incompreendido desejo se unir a Marcus em um espaço de tempo muito menor, teve neste que se passou o suficiente para constatar que ele continua “misterioso”, porém não tão, a ponto de assim permanecer por todas as suas vidas, deixando-a ainda mais maravilhada por ele.
Os “mistérios” apresentados por certas pessoas foram nelas inseridos, pelas circunstâncias individuais nas quais cada uma se encontra nelas submergidas, acrescidos de outros existentes em seus âmagos. São raros ou escassos em muitas pessoas, e abundantes em outras poucas, dependendo “do tempo em que existem, e das boas vontades em se aperfeiçoarem como entes espirituais em evolução”.
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Com tudo previamente marcado estão agora comemorando seus noivado e o casamento, pelo desejo de ambos, ocorrerá em brevíssimo tempo.
A família de Bruna recebia as constantes visitas de Marcus, como também o visitava com certa frequência, e as supostas antipatias, ao menos pelo lado de Giulio foram de maneira paulatina se desfazendo. Se ainda não são grandes amigos, isso inevitavelmente não tarda a advir.
Dois acontecimentos trarão ainda mais harmonias as suas relações. Marcus solicitará a Giulio e esposa dentro de instantes, em acordo com Bruna, o consentimento deles para contrair matrimônio com ela. A seguir fará uma oferta irrecusável a Giulio e seus irmãos. Levanta e se dirige aos pais de sua já agora noiva:
–Giulio e senhora Brigitta; neste momento os peço a mão de sua filha em casamento que por nós, eu e ela, será dentro de um mês.
Todos estavam cientes da urgência deles em se unirem como marido e mulher, porém um mês depois do noivado, foi grande surpresa para os presentes.
–Embora concorde não entendendo toda esta pressa Marcus. Você certamente é um homem muito assediado por mulheres da alta sociedade, entretanto deseja a “galope” se casar com a minha filha.
–Não é bem assim Giulio. O assédio por ti comentado nunca será sinônimo de algo que vem entrelaçado ao verdadeiro amor, além de este não ser um imenso desejo apenas meu. Ninguém conhece melhor sua filha que você e sua esposa. Olhe atentamente nos olhos dela e a pergunte se estou equivocado.
Bastaram olhar. Não foi necessário a perguntar nada porque seu olhar era a corroboração das afirmativas de Marcus. Ama-o de fato e deseja se unir a ele o quanto antes.
–Não tente meu já considerado sogro, encontrar explicações para o que está acontecendo com eu e a Bruna, pois ficará dentro de um labirinto sem saída.
Estou tão certo das nossas felicidades por toda a vida, quanto das incertezas que pairam sobre nossas cabeças, homens de negócios, como também venceremos todas que eventualmente aparecerão. Por falar neles, quero fazer uma proposta a você e seus irmãos. Não há a menor necessidade de aguardar pelo casamento meu e da Bruna para que a faça e, se entrarmos em um acordo, ela será em muito breve efetivada. Assegurei-lhe Giulio que se tudo ocorresse conforme esperava não mais teria este seu concorrente. Você me perguntou como, e agora terá a resposta que é simplíssima. As empresas de vocês possuem três sócios majoritários e possuindo quatro, em plenas igualdades de condições, não haveria mais concorrência entre nós.
–Certo, respondeu Giulio, mas você entrará com o que?
–Com as empresas que pertencem a mim e a minha irmã.
–Todo o grupo delas?
Sim. Haverá uma união completa entre as nossas e as de vocês.
–Mas assim ambos sairão em considerável prejuízo! Consultou sua irmã a respeito?
–Sim. Estamos os dois de pleno acordo.
Somos imensamente ricos, Giulio. As empresas são apenas a maior parte dos nossos patrimônios, porém possuímos muitos outros, da mesma forma que você e seus irmãos devem possuir. Para que permanecermos por toda a vida acumulando fortunas e mais fortunas? Elas não ficarão para sempre em nossas mãos.
Desejamos essencialmente viver feliz, sabermos que estamos contribuindo de alguma forma para ajudar as pessoas, criando empregos e mantendo, dentro do possível, os que conosco colaboram para seguirmos adiante, fazendo nossas empresas prosperarem sempre. O mais importante é que quando partimos, pois não somos eternos, tudo o que possuímos ficará nas mãos daqueles que amamos e confiamos. O prosseguimento ou o termo delas no futuro, que esperamos ser longínquo somente Deus sabe.
Nunca conhecemos a pobreza, porém não somos tolos ou fingimos que não percebemos as inseguranças que ela causa as pessoas, bem como muitas dores e aflições.
Se pudermos amenizar, por menor que sejam estas causas dela originárias, mesmo numa pequena parcela da sociedade da qual fazemos parte, por que assim não procedemos?
Todos ficaram incrédulos com o espírito generoso dele, pois lhes sugeriam, com a sua maneira de ser, um homem soberbo, lembrando, de forma contundente a estes, que se julga um homem por suas ações e não pelas aparências.
A seguir, acrescentou aos irmãos:
 –As decisões, sobretudo as mais complexas, deverão ser tomadas por consenso entre nós quatro.
Agora cabe a vocês estudarem a minha oferta e, se aprovada, a colocaremos imediatamente em prática.
A despeito de tudo sugerir grande benevolência, é uma situação muito delicada, e se faz imperioso verificar detidamente se as afirmações dele, quanto as suas empresas, são exatas. É imprescindível conferir se elas de fato têm estruturas robustas, em franco progresso, se não existem dívidas de extremo risco, enfim, uma série de providências para um acordo final. Marcus, sabendo que eles desejariam isso e que seus anseios são absolutamente corretos, se antecipou, autorizando aos irmãos a fazerem uma devassa nos seus negócios, a fim de que não pairassem sombras de duvidas quanto a sua palavra e seu caráter.
Independente da resposta a darem a Marcus, o casamento ficou agendado para exatamente um mês após aquela data.
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A rotina na família de Jane e Mathias vai passando por transformações, todavia, apesar de os gêmeos revestirem-se da aparência de que “superaram os problemas”, seus pais sempre atentos, percebem que houve mudanças neles sim, mas não as que ambos tanto esperavam.
A parte de Lenita, que conseguiu definitivamente a paz e o afeto, desfazendo os “vínculos” que já eram frágeis com Geany e, de certa forma também com Thais, os gêmeos, embora continuem enlaçados pelo “amor espiritual”, não se sentem mais qual a alguém que sofreu por tempo demasiado longo, uma doença sem perspectivas de cura e que sucumbiriam por ela. Assistem agora o milagre da vida os revitalizando, dando-lhes “uma terapia” que os farão continuar suas travessias por este mundo, nesta circunstância, com relativa paz.
Não têm no presente mais dúvidas de que outras vidas os aguardam após a atual, e que continuarão seus passos nesta, com resignação e esperança no amanhã.
Ambos como irmãos biológicos, não podem dar continuidades às duas anteriores existências, da forma como conviveram nelas, ao menos isso é o que os foi relatados, mas sentem em seus corações, que este amor deve ser muito anterior as narradas.
Conseguiram também perceber, ainda que não na sua plenitude, o porquê de estes infortúnios terem se abatido sobre eles nas duas anteriores vidas e na presente. Sofreram muito e continuam agora sofrendo de forma mais branda, entretanto conscientes por ser em função das Leis que regem a Vida, sendo elas justas e infalíveis só lhes restando assim, a resignação perante aos destinos a eles impostos.
Vieram ao palco desta vida como dois irmãos gêmeos não idênticos, e tudo farão para darem um pouco de si a outros dois irmãos, do muito que não podem dar a eles mesmos. Têm, contudo, o lenitivo de sentirem pelos os que dentro de alguns anos serão seus pares, muita estima e carinho. Quem sabe não foram em alguma existência bem mais precedente, algozes de Carla e Alex? Sendo o que for aguardarão com serenidade, terminar algum débito que certamente precisam quitar.
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Os meses se passaram e Geany segue com grande amor e empenho o curso de medicina, provavelmente estimulado pelo médico que exerceu com singularidade, pelos padrões da época, esta nobre profissão, o Sandro, que continua latente dentro de si. Ser médico e extremamente capaz na especialidade que deseja praticar, é um dos seus principais projetos de vida.
Já deixou isto muito claro a todos, e será respeitada a sua decisão de nunca envolver-se em negócios.
Carla igualmente permanece, tendo o amor da sua vida como exemplo, consagrando aos estudos dedicação máxima.
Sempre que lhes é possível, enquanto se formam, ficam juntos dias e noites como se já fossem casados, visto que este detalhe para eles e seus pais é simplesmente questão de tempo.
Thais, que em um curso de economia, orientada por Giulio e seus irmãos, abdicou definitivamente do seu sonho de ser enfermeira, visto que esta ocupação agora para as novas realidades que a aguarda, não tem mais sentido algum na sua futura vida.
Márcia e Lenita seguem suas vidas muito unidas e pretendem viver juntas, deixando algumas pessoas com a equivocada impressão de serem lésbicas. Aos seus familiares nunca, todavia para certos amigos, íntimos ou não, foi necessário que eles se convencessem de que nada mais acontece com ambas, que simplesmente um grande e puro amor entre dois seres, sem a menor conotação sexual.
Amor literalmente atípico, já que se sentem ora quais duas grandes amigas, ora como irmãs e principalmente, de forma mais afetiva, mãe e filha, pois seus corações as sugerem trocarem de posição nesta última circunstância, infinitas vezes. Mães, filhas, irmãs e amigas. Estes quatros sentimentos coabitam simultaneamente em seus interiores e as fazem imensamente felizes. Elas têm a convicção de isto ser influência de suas duas últimas vidas, do mesmo modo que Geany e Thais, em relação aos laços que os une, entretanto creem todos na grande probabilidade, de estes amores antecederem no tempo, a elas.
O mais estranho no destino dessas duas criaturas, é que se sentem mulheres quais todas as demais, em todos os sentidos, mas se abstêm de relacionamentos com homens e, mesmo sem realizar seus desejos femininos, a carência deles em nada interfere nas suas normalidades físicas e emocionais.
O intenso amor e respeito que as une são muito mais fortes que a vontade de viverem de modo normal como as demais mulheres, e programaram morarem sob o mesmo teto por todas as suas vidas.
Lenita a pedido de Márcia se formará em psicologia, já que exercendo este ofício poderão ficar juntas, mesmo no local de trabalho, onde ambas executaram cada uma, suas funções.

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                            Trigésimo nono capítulo.

Exatamente um mês após o noivado de Bruna e Marcus está se realizando neste momento o casamento deles na mansão do noivo, que até há pouco tempo lhe servia praticamente como dormitório.
Por mais uma vez, para a surpresa geral, no acontecimento não se vê as ostentações que normalmente ocorre em festividades de importantes eventos que têm, por menor que sejam, as participações de grupos formados por pessoas milionárias.
Esta união, a pedido de Marcus, se concretizará unicamente no casamento civil.
É chegado o tão esperado momento. Bruna e Marcus que, trajando-se ambos sobriamente, não conseguem ocultar suas felicidades e emoções, estão perante a um Juiz que efetivará suas uniões. Após ela os recém-casados caminham em meio a um corredor formado por muitos convidados que neles lançam milhares de pétalas de flores, saudando-os emocionados.
As festividades perduram por longas horas. Simpáticas e espontâneas reações de Marcus e Bruna, que se unem a multidão de participantes do inesquecível acontecimento, em danças coletivas, fazem com que até os “mais nobres” deixem de lado as formalidades, e caiam na alegrosíssima folia que se desencadeou de forma generalizada.
 Ao sentir-se exausto de tantos e quase frenéticos movimentos, embalados que foram pelas contagiantes cantorias, Giulio sentou-se a mesa onde estão seus irmãos e Brigitta. Observando atentamente a tamanha alegria e singeleza de seu genro, comenta com eles:
–Somente Bruna viu neste homem tudo o que nós não conseguimos ver: a nobreza social vinculada ao caráter belíssimo, mesclado ainda a impressionante simplicidade de uma pessoa que quase chegamos ao cúmulo de odiar.
Ao terminar de falar percebe Marcus se aproximando e sentando junto a eles, como se há muito fizesse parte daquela família.
–Onde está Bruna? Perguntou Brigitta.
–Dançando com os irmãos e amigos próximos deles.
Giulio apertou a mão de Marcus e o disse visivelmente emocionado:
–Perdoa-me meu genro! Você nunca mereceu o que sentíamos por ti antes de conhecê-lo, como agora o conhecemos.
–Esquece isso Giulio! Por favor, não vamos mais viver de passados. A vida continua. Deixemo-la fluir, nos unindo da forma mais harmoniosa possível. Por falar em união, o que resolveram quanto a minha proposta?
–Negócio fechado. Você sabe que verificamos tudo conforme a sua autorização e constatamos que, as suas empresas, além de muito prósperas, equivalem a mais de quatro vezes a nossas, porém se for assim que você deseja, assim será.
Não tenho como te convencer de que não é nosso intento tirarmos proveito da situação, todavia não sou hipócrita em não em te afirmar que ela é, para mim e irmãos, uma benção caída do céu.
Marcus, com a grandeza do seu coração, simplesmente pensou em seu íntimo: – permita-me Deus continuar sempre assim; estar à disposição para ser provado, e nunca exigir que ninguém me prove coisa alguma. A seguir disse a Giulio:
–Vamos então acionar nossos advogados para formalizar isso o mais rápido que for possível. Logo que tudo se consumar vou pedir a vocês que toquem o barco por três meses, pois pretendo nesta temporada, vivê-la intensamente com a minha amada esposa na Europa, sendo que a maior parte dela, na querida Itália, principalmente em Veneza.
Quaisquer dificuldades consultem o que agora é o diretor das empresas Marcus e Leny, visto que ele conhece quase quanto eu, toda a dinâmica delas.
–Até parece que você nasceu e viveu lá, Marcus! Disse com imensas saudades de Florença, Giulio.
–Circunstancialmente nasci no Brasil, um país literalmente encantado, em relação à majestade de suas belezas naturais, de inesgotáveis fontes de riquezas no solo, mar e ar, porém precariamente aproveitadas, ou rapinadas vergonhosamente por grande maioria daqueles que teria como função fazer do Brasil, a maior Nação deste planeta, mas meu coração sempre foi italiano.

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                              Quadragésimo capítulo.

Quatro anos depois está marcado para um sábado, o enlace matrimonial entre Geany e Carla, ao mesmo tempo em que se casarão Thais e Alex. Eles serão efetivados apenas perante a justiça civil, e o religioso, simbólico, no dia seguinte, em uma ilha de pequena a média dimensão, de “propriedade” da família Giulio e irmãos, numa área especialmente preparada para este fim, cercada por muito verde das matas e jardins floridos, tendo achegado ao local o imponente mar com suas belas praias. Este paraíso é também explorado comercialmente por meio de muitas pousadas e atividades diversas, visto que os impostos pagos ao governo são vultosos.
Dos quatros noivos a ansiedade atinge o ápice para dois; os irmãos Alex e Carla. Chegou para eles o tão aguardado momento da união de corpos e “corações”, mas para Thais e Geany, uma aliança momentânea e não plena.
Os gêmeos, que vieram a este mundo em um espaço de tempo muito próximo um do outro, na presente existência, como também viveram nela quase sempre juntos, física e emocionalmente, percorrerão doravante diferentes estradas até os termos destas suas vidas. Apesar de ainda muito jovens estão espiritualmente preparados, com vistas aos papéis que deverão desempenhar, caminhando por elas não da forma que desejavam, mas da forma que precisam, e não serão desagradáveis os passos por estes roteiros, além destas uniões serem quais a breves viagens em separados, e as despedidas um até logo, jamais um adeus.
Terá neste evento como testemunha principal, a natureza que sugere, no momento mágico, se revestir de encantos especiais aos corações de Carla e Alex, porém a mesma bela natureza eleva os entes interiores de Thais e Geany na Fé e Esperança.
A cerimônia “religiosa” conduzida por Júlio e Valter emociona a todos os convidados que trajam, a pedido e orientações dos organizadores do evento, roupas brancas. Thais e Carla estão deslumbrantes em seus vestidos simples, e suas cabeças adornadas com tiaras enfeitadas por lindas e pequenas flores brancas.

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                       Quadragésimo primeiro capítulo.

As vibrações de amor, lágrimas e comoventes sentimentos de gratidão ao Senhor de Tudo pela sua Suprema Majestade, Sabedoria e Justiça, se estende por toda a ilha. Os ocupantes das pousadas mais próximas se uniram aos convidados em imprevistas interações de fraternidades, como se todos formassem uma única família.
Ao final da cerimonia, em um ímpeto inesperado e inconsciente, Geany puxa Carla pela mão e corre em direção ao mar. Thais, influenciada pelo mesmo processo age de forma idêntica com Alex, e os quatro são seguidos pelos demais, sem exceção.
Quase seiscentas pessoas, uma pequena multidão de seres singularmente harmonizados uns com os outros pelo magnetismo do amor, de mãos dadas dançando e cantando, banhados pelas brandas águas do mar, sentem-se como em um batismo coletivo que enlaça corações de muitas pessoas que estavam ali, conhecidos ou não.
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 A primeira noite de amor entre Thais e Alex, e a primeira de casados entre Geany e Carla e, após ela...
Exatamente às nove horas da manhã. Thais acorda em sua casa e Geany na dele.
–Meu Deus! Exclamam simultaneamente e confusos, embora venturosos.
Lembraram-se, de forma muito nítida e extremamente marcante, do que vivenciaram em algo semelhante a um sonho, sobre o encontro que tiveram nesta noite em suas últimas passagens:
Sandro e Flávia de mãos dadas, caminhando descalços e felizes numa vasta planície coberta por pequeninhas e vivas flores, com uma diversidade fantástica de sublimes e variadas colorações.  O suave vento, ao mesmo tempo em que brincava com os cabelos de Flávia, sacudia mansamente as minúsculas pétalas matizando suas cores, e fazendo-as ainda mais deslumbrantes no paraíso que se encontravam, quando pararam e ele a disse:
–Foram simbolicamente lavados nas águas do abençoado mar daquele mundo, para o qual fomos conduzidos, os fragmentos das esquecidas faltas que cometemos. Nossos entes materiais podem agora, naquela existência a “eles pertencer”, da mesma forma que terão nossos respeitos e lealdades, contudo, os corações de Lucca e Domícia, Sandro e Flávia, bem como os de outros personagens que representaremos nas indetermináveis vidas, jamais!
–Te amo Sandro!
–Também te amo muito, Flávia e te amarei eternamente!
                                             Fim.

“O verdadeiro amor pode se sublimar com o passar das eras, porém Ele tem um único destino, a Eternidade”.

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