A Magia dos Reencontros - O livro.

                                                          

                                  

     A Magia dos Reencontros, o livro da nossa exposição, embora compactada em partes, não perde o vínculo com a obra na sua forma original.
        Jaime D’Aquino. Todos os direitos autorais reservados.  

                                  
                    
                           A Magia dos Reencontros.                               
                                               Apresentação.
          
São inúmeros e muitas das vezes parecem insondáveis os mistérios que nos circundam. O estranho e meigo olhar de uma pessoa que nunca vimos, mas nos cativa de forma impressionante, um recém-nascido que chega ao seio de uma família, seja como filho, um neto e, sem nenhuma razão aparente, traz sentimentos de intensa alegria, ao mesmo tempo em que afasta definitivamente outros de angustiantes saudades por alguém que a deixou, abrindo, quando na “partida” deste alguém, um vazio irreparável nas vidas dos que dela fazem parte.
Não raro, igualmente, sucedem idênticos processos, porém em situações inversas. A grande repulsa por semelhantes nossos, também desprovida de causa evidente, confunde legiões de homens e mulheres sem, entretanto, levá-los a refletir que podemos todos, estarmos diretamente envolvidos nas mais variadas ocorrências que surgem nos dias a dias de cada um de nós.
A Magia dos Reencontros aborda, por meio de seus personagens, este intrigante tema que ocasiona, dependendo das circunstâncias, consequências venturosas como também trágicas, pois a vida é uma sequência muito longa de idas e voltas, representadas nas sucessões dela.
Colhemos o que plantamos. Isto simboliza os frutos que inevitavelmente advém das ações individuais ou coletivas praticadas por todos os seres humanos.
Felizes dos que pelas vias das vidas sucessivas se renovam nas práticas do bem através dos séculos, exemplificados em um fascinante romance na nossa história por dois protagonistas que se encontram em diversas existências, amando-se e semeando o Amor, percorrendo sempre juntos os mesmos caminhos e, de mãos dadas, unidos pelos laços do coração, seguindo rumo ao infinito.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA

                                  PRIMEIRA PARTE.
                                      Início.

O menino Marcos vivia o desespero da desarmonia existente dentro do seu próprio lar. Seus pais e irmãos eram tais qual um pequeno grupo de pessoas dividido entre dois segmentos diferentes. De um lado sua mãe, sua bela irmã Sara, a mais velha, e ele. Do outro, seu pai e mais três irmãos. Os familiares do lado oposto, sem exceção, comportavam-se de forma irresponsável, conduzido suas vidas como se ela fosse um passatempo, algo para não ser levado a sério.
Apenas a sua querida mãe e Sara esforçavam-se para compreendê-lo. Sara demonstrava sempre a sua grande afetividade pelo irmão. Era ela a conforto para a sua vida sem cor, sem perspectivas.
A amada irmã trabalhava exaustivamente para ajudar em casa, já que os recursos financeiros recebidos por seu pai através da sua diminuta pensão eram insuficientes até mesmo para se alimentarem. Pagava seus estudos em uma modesta escola, onde ingressou logo após completar os sete anos de idade. Sara vivia unicamente para a família, renegando a si mesma, a sua própria vida.
Apesar de ser uma criança, Marcos não se via como tal; sentia-se “velho por dentro”. Este mundo, o ambiente onde vivia, não o deixava a vontade, não lhe trazia o tão ansiado bem-estar. Para todos era um estranho. Apenas sentia paz quando estava só, na companhia de uma doce e inexplicável saudade que o acompanhava sempre.
Os difíceis anos se sucediam e faltava apenas um, para ele terminar o ensino fundamental. Sua apatia dificultava seus estudos, a despeito da privilegiada e nata inteligência. Dedicava-se apenas para não repetir o ano e sempre conseguia.
Aos treze anos de idade, já na sétima série, foi transferido para um colégio que também ministrava o ensino médio, em um bairro próximo da sua casa.
O tempo passava e Marcos, da mesma forma que na anterior, não conseguia a necessária adaptação ao novo colégio e aos colegas. Tentava se relacionar mesmo que discretamente com eles, mas era uma pretensão nada fácil, uma vez que vivia em um mundo que sentia não ser o seu.
Continuava sendo considerado, embora com menos rigor que na primeira escola, um estranho e vivendo as margens de seus convívios. 

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS
                  
                          SEGUNDA PARTE.
           A aproximação entre Marcos e Aurora.

Com grande mesclado alívio à compaixão notava a algum tempo, que havia uma colega sofrendo dilema idêntico ao seu.
–Quem sabe não seremos amigos e tornar a nossa rotina escolar menos desagradável? Interrogava-se sem imaginar o que o futuro lhes reservava.
Ela, uma acanhada adolescente, estudava na sua sala, tinha a mesma idade e, coincidentemente, nasceu no mesmo dia que ele. Depressiva e de semblante meigo, cabelos alaranjados e ondulados, pele clara e sardenta, a renegada menina fora desde que ingressou no colégio, apelidada por todos de “a ruiva”. Era de fato ruiva, todavia raras vezes dirigiam-se a ela sem desdenho pelo próprio nome, não por seu tipo físico, mas porque a sua indisfarçável timidez fizera-a alvo de zombaria por grande parte dos colegas.
Seus olhos castanhos médios revelavam tristeza. A beleza do seu rosto passava por muitos despercebidos pela sua incontida insegurança.
Marcos e a ruiva, Aurora é o seu nome, sentiram-se felizes por serem levados pelas circunstancias a se aproximarem um do outro.

REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS REENCO

                           TERCEIRA PARTE.
                              Aurora Desperta.

         O sonho de Aurora com o ser espiritual que representa o Marcos, logo na noite do dia em que o conheceu fora um evento inusitado e trouxe a ambos, embora de forma algo ainda indefinido, no presente, detalhes acerca de suas vidas pretéritas, da atual e futura, que serão compreendidas integralmente com o passar do tempo e nos momentos propícios.
Ela despertou emocionada, acreditando que fosse apenas um sonho maravilhoso. Se, estava dormindo, não poderia ser nada mais que um sonho como outro qualquer. Apesar disto intrigava-a, de que maneira um sonho reuniria condições de parecer-lhe tão impressionantemente real, tal qual se o tivesse vivido de fato. Não possuindo parâmetros que talvez a colocasse em outro ponto de vista, restou-lhe unicamente a conclusão de que ele foi fruto da sua privilegiada imaginação, de seu grande romantismo de adolescente. Logo, porém, entenderá o que realmente aconteceu, e as consequências que advirão do evento.
Hora de levantar e se preparar para ir ao colégio.
Lá chegando Marcos a esperava inquieto.
Quando ela o viu percebeu sua preocupação, e teve a certeza de que tinha algo muito importante para lhe dizer. Estava na hora de iniciarem as aulas e ele a avisou que logo no início do recreio precisaria lhe falar.
Entraram na sala de aula e ela angustiada, não continha o ímpeto repentino e incontrolável de contar ao seu amigo sobre o sonho que tivera, e de saber dele o que lhe preocupava. Eles não conseguiam prestar atenção às primeiras aulas, tamanha à ansiedade que sentiam pelo encontro, e se entreolhavam o tempo todo. Era interminável a espera e, finalmente o sinal tocou anunciando o recreio, para o alívio deles.
Deixaram a sala apressadamente. Quando estiveram de frente um para o outro Marcos ia começar a falar quando ela o pediu suplicante:
–Por favor, me escute primeiro.
Aurora foi narrando todo o desenrolar do sonho nos mínimos detalhes que lhes foram permitidos lembrar, e quanto mais falava mais atônito ele ficava. Por fim acabou de contar tudo aos atropelos, já que o tempo era curto. Ele tentava se acalmar, vislumbrando a seriedade do ocorrido e lhe disse:
–Poucos dias após te conhecer desconfiava da grande afinidade e admiração que me causava, não por sermos os “estranhos” da turma, mas porque tudo em você me era familiar, apesar de não conseguir entender esse sentimento. Agora desde esta noite começaram a se formar os encaixes de um grande quebra-cabeça na minha mente.
–Por que me diz isto Marcos? Perguntou perplexa.
–Porque nos encontramos no que pareceu ser um sonho, e ele me trouxe a perspectiva de compreender detalhes acerca da inexplicável saudade que me acompanhava sempre, e sobre a extrema dificuldade de me ajustar a esta vida.
Aurora empalideceu e disse quase num sussurro:
–Então não foi um sonho!

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA 
                               
                               QUARTA PARTE.
        Ao chegar a casa Marcos tomou um banho e, em pouco mais de uma hora após o almoço, começou a leitura do livro que Aurora lhe emprestou.
Leu algumas páginas e logo no início se encantou com a história.
Estava lendo deitado. Deixou o livro aberto onde fez uma pausa e o colocou sobre seu peito. O romantismo transmitido já nos primeiros capítulos parecia-lhe sinalizar uma abordagem profunda sobre o tema, e de forma a prender a atenção do leitor afeiçoado a este tipo de literatura.
Pensou em Aurora, no sonho que os levou ao conhecimento da capacidade do amor intenso acompanhá-los por períodos seculares.
Movido e tocado pela lembrança da singular cerimônia de reconhecimento, viajou por dentro de si mesmo e, tudo em sua volta perdia realidade.
Voltou ao século IX, numa época de muitas guerras e invasões. Seu pai era proprietário de pequena extensão de terras. Todos os donos de áreas agrícolas semelhantes ao seu pai se viram obrigados, devidos à extrema insegurança em que viviam a entregar suas terras a grandes latifundiários em troca de proteção.
Estes poderosos senhores possuíam exércitos muitos bem armados que os defendiam sempre em caso de ataques dos invasores.
A vida, e a relativa calma para tirarem da terra os seus sustentos, visto que a maior parte do que produziam deveria ser entregues a estes senhores, não tinha preço.
Ele, o pai, mãe e irmãos, assim como os vizinhos em igual situação, eram camponeses e passavam quase a semana inteira nos tratos das terras.
Seus únicos lazeres eram as visitas que as famílias faziam umas as outras nos períodos de descanso. Em uma dessas visitas aconteceu à segunda aproximação “amorosa”, entre “Marcos e Aurora”.
Conheciam-se desde meninos e passeavam muitas vezes sós pelas terras em áreas impróprias ao cultivo, na verdade “em descanso para retornarem a fertilidade”. Sentavam-se quando cansados, sob árvores floridas e ele retirava o lenço que ela sempre usava para proteger-lhe os cabelos, e os enfeitavam com as flores dessas árvores. Seus pais notavam pensativos, como os dois não voltavam suas atenções para quase nada mais além deles.
Nos dias de trabalhos árduos aguardavam ansiosos os dos descansos para ficarem juntos, pois sentiam a sofrida necessidade de estarem ao lado um do outro.
O amor inocente entre duas crianças. Era exatamente isso que os levava a se buscarem, a viverem em um mundo só deles.
Cresciam em tamanhos, idades e, sobretudo, em amor e ao completarem, ele dezesseis anos e ela quinze, casaram-se.
Chegou tão precocemente o dia mais infeliz na vida daquele rapaz. O grande amor da sua vida, que antes de completar a idade que ele tinha ao casarem-se, morreu ao dar-lhe o primeiro filho.
Seu desespero foi inimaginável. Tentou dar cabo à própria existência e segui-la no pós-morte. Somente não concluiu esta ação, porque foi contido de forma quase que brutal, visto que a sua intensa agonia reuniu-lhe força descomunal.
Após horas as duas mães, apesar também do martírio que sentiam pela perda do Ser amado, conseguiram acalmá-lo e o fazer entender que a principal razão da sua vida se foi, mas ela deixou-lhe um lindo menino que iria precisar muito dele, do seu amparo e do seu amor.
Viveu por todo o restante daquela sua vida em função do filho querido. Foram até ele já idoso, dirigir-se ao encontro da sua mãe, pai e filho, dois inseparáveis companheiros.
Marcos não apenas lembrou este marcante episódio, como igualmente o viveu de forma trágica.
Suas vidas sofridas de menino, tanto naquela quanto nesta existência, trouxe-lhe o imenso desejo do saber, de preparar-se para o cumprimento da missão ao lado de Aurora, seu sempre e único amor que, segundo a promessa a eles feita, os elevará cima deste mundo de infortúnios, hipocrisias, prepotências...

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS

                              QUINTA PARTE.
      Tem início o processo de separação entre Marcos e Aurora.
          
Em uma sexta-feira, para a surpresa de Marcos, Aurora revelou-lhe que sua mãe, Noêmia, gostaria muito de conhecê-lo.
–E por que ela deseja me conhecer? Quis saber.
Aurora explicou-lhe a razão que o deixou feliz e, ao mesmo tempo, preocupado.
–Que tal você ir lá a casa amanhã? Convidou-o entusiasmada.
Marcos estremeceu! Conhecer a família de Aurora e não apenas a sua mãe, poderia ser um evento muito importante para ambos, entretanto a sua intuição o alertava sobre o que estava para advir; o dia seguinte seria fatídico para os dois.
–Acredito que os seus estarão presentes e, ficará óbvia para eles, excluindo sua mãe, a estreita ligação que existe entre nós. É impossível estarmos juntos sem que nada percebam. Não conseguiremos nos entreolhar de maneira dissimulada.
–Já perceberam antecipadamente.
–Como, se não os conheço e nem eles a mim?
–Não se conhecem pessoalmente. Você sabe que numa família todos notam quaisquer coisas estranhas nos comportamentos uns dos outros, estimulando a imaginação dos curiosos, característica discreta nos meus irmãos, e acentuada no meu pai.
–E o que houve de estranho no seu comportamento que eles notaram, e excitou-lhes a curiosidade? 
–Não te contei ainda, Marcos, mas adoro escrever breves histórias românticas e comentam que tenho talento nato para criá-las. Só que a última, encerrada na semana passada...
–Não precisa continuar Aurora. Nesta, nem ao menos foi necessário usar o seu talento, pois a sua História foi real, tão real que sequer mudou os nomes dos personagens e, ainda bem que esqueceu ou omitiu pequenos detalhes.
Você já despertou para a vida! Por que tanta infantilidade?!
–Está me assustando! Não sabia que também lê pensamentos alheios.
–Sabe perfeitamente que não se trata de ler coisa alguma. Você ao meu lado ouviu claramente o que foi-nos dito, só não compreende o processo pelo qual tomo conhecimento de determinados fatos. Não tem nada a ver com ler pensamentos de ninguém. Graças a Suprema Luz, só chega a mim o que me é permitido saber, e no devido momento. Se alguém aleatória ou conscientemente lesse os pensamentos dos seus semelhantes poderia mudar o curso de alguns acontecimentos. Não tenho e, Ser algum, no estágio “embrionário” no qual nos encontramos tem, o poder de alterar o rumo de coisa alguma, a menos que seja na condição de um instrumento da Lei Cósmica.
Sua mãe já sabia de tudo, pois você mesma a contou, porém neste seu “descuido”, seus irmãos, inclusive seu pai, a despeito da maior parte dela ser para eles uma narrativa fantasiosa, também sabem da nossa história.
–Meu pai também sabe?!
–Sabe.
–Meu Deus! E para complicar ainda mais me pego, sempre quando estou conversando com meus irmãos ou minha mãe, falando sobre você e enfatizando as suas qualidades. Será que alguma vez meu pai também ouviu?
–Pode ter certeza disto.
Estamos nos aproximando apenas dos quatorze anos de idade. Apesar de esse relacionamento ser simpático a sua mãe, como pensas que está à cabeça do seu pai?  Como estará ele reagindo a tudo isto?
–Sinceramente não sei, mas creio não termos nada a temer.
–Também não se lembra da nossa separação em breve?
–Acredita no fato dele o conhecer desencadeará esta previsão?
–Ela já está se desencadeando e me entristeço muito só em pensar nisso, mas não podemos mudar esta realidade.

REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS REENC

                                SEXTA PARTE.
          Marcos fala a Noêmia sobre Sara, sua irmã.

Admiração! É exatamente isso que sinto toda vez que presto atenção em Sara.
–Marcos! Você anda admirando outras mulheres? Quem é Sara?
–A Sara é minha irmã, senhora Noêmia.
–Nossa! Se você que é irmão se impressiona com a beleza dela, imagine os outros homens.
–Este é um atributo de Sara que muitas vezes lhe trás sérios problemas. 
Nas viagens de idas e voltas ao trabalho, já que quase não faz outra coisa na vida, sofre com os assédios dos homens.
Veste-se da maneira mais simples e discreta possível. Não se maquia e apenas passa a escova nos seus muitos lisos cabelos e nem assim a deixam em paz. Ela é alta e tem por natureza um porte atlético invejável, o que às vezes intimida certos indivíduos inconvenientes.
Sara é extremamente meiga, mas quando se sente ofendida é igualmente agressiva e, segundo eu supunha, não ajuizava nas consequências quanto aos seus atos.
No início deste ano ela levou-me a uma loja para comprar o meu uniforme do colégio. Durante o trajeto um sujeito, desses mais vulgares que a senhora possa imaginar, parou na nossa frente e dirigiu-lhe um elogio praticamente obsceno. Sara olhou-o de cima em baixo detidamente e, em seguida, deu-lhe um soco violentíssimo no rosto. Ele foi impulsionado para o lado com a força do golpe e, desequilibrando-se, caiu no chão. Levantou-se espumado de raiva. Ao invés de correr Sara virou-se frente a ele resoluta, e rapidamente abriu o fecho da sua bolsa. Ficando com a mão direita em seu interior ordenou ao homem que se retirasse para não se machucar ainda mais.
Notei a surpresa e a indecisão dele, que me pareceu sentir medo diante da reação dela, e a confiança extrema em si.
Nesta altura já havia um pequeno aglomerado de pessoas assistindo e ouvimos alguém sugerir linchá-lo.
Ela puxou-me pela mão discretamente e do local nos retiramos.
Distantes do lugar da ocorrência a repreendi, dizendo-a que não deveria andar armada. Sara parou e com muita seriedade disse-me:
–Meu irmão, para tudo nesta vida existe um limite. A nossa dignidade sempre que possível deve ser preservada e, mesmo assim com muita cautela, pois a vida é preciosa demais para a colocarmos em risco, sem a devida frieza que as mais diversas situações requerem.
Antes de qualquer reação aprenda a apreciar, e rapidamente, os prós e os contras de cada uma. Na menor evidência dela ser desfavorável ou na ausência da devida calma, nada faça.
Sou contra a violência em todas as suas formas, entretanto abomino a total passividade de um número imenso de pessoas, em várias condições de suas vidas, seja por ignorância, negligência ou covardia.
Após essas observações abriu a bolsa e mostrou-me o seu conteúdo. Nada além do que comumente as mulheres levam nas suas.
–Deu-me vontade de conhecê-la também, Marcos.
–Em breve a conhecerá.
–Marcos! Estamos conversando há mais de duas horas! Muito obrigada por ter me dado à oportunidade de te conhecer melhor e, tenha certeza, levo comigo a grata felicidade de tê-lo como meu futuro genro e de poder ouvir palavras de um Espírito elevado, faladas por um jovem encantador.
–Bondade sua senhora Noêmia, eu quem agradeço a Deus pela minha Aurora ter a mãe que tem.
–Vamos Marcos. Conversaremos muito outras vezes, combinado?
–Quantas a senhora desejar. Para mim será sempre um grande prazer.

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                               SÉTIMA PARTE.
                  Marcos e Sara conhecem Antônio.

Bom dia senhor! Cumprimentou-o Sara.
Queremos informações acerca da casa que está para alugar.
Simpaticamente os convidou a entrar. Sara e Marcos percebe que o dono da casa os trata com surpreendente afeto, e espontaneamente se apresentou:
 –Meu nome é Antônio. Estiveram aqui outros interessados na casa, mas não me agradei de nenhum deles. A todos menti, dizendo que já havia sido alugada.
Diante de vocês não estou mais me sentindo um mentiroso, pois sei que serão os próximos ocupantes dela.
–Mas como se o senhor não nos conhece, não sabe se temos condições de pagar por um aluguel compatível com a sua casa? Quis saber Sara.
–Minha filha, disse Antônio com a voz carregada de amargura: existem coisas nesta vida para as quais não encontramos explicações, por mais que as busquemos.
Os dois irmãos sentem que aquele homem de aparência simples e afetuosa traz dentro de si, interrogações certamente aflitivas e, para ele, incompreensíveis, demonstrando nas suas palavras e na expressão do seu rosto, muita tristeza.
Antônio, sugerindo grande carinho por eles, como se por alguma razão desconhecida os aguardasse, começou a lhes narrar a sua vida, numa necessidade sufocante de exteriorizar o que lhe ia a Alma.
–Há quatro anos perdi a minha esposa, a companheira amada que viveu ao meu lado por trinta e nove anos. Com ela se foi quase toda a minha vontade de viver.
Meu último alento era o nosso filho único, Humberto, que também partiu em um terrível acidente de automóvel, dois anos após sua mãe, e o acompanhou nesta tragédia a minha nora, e o meu netinho querido.
Aos prantos continua a sua dolorosa narrativa:
–Não conseguia entender como encontrava forças para continuar vivendo. A despeito de não mais desejar, uma estranha e desconhecida energia manteve-me aqui, neste mundo, me obrigando a ver claramente que ainda não chegou o momento de deixá-lo.
Muito abatido, porém resignado, movido por esta estranha força, procurei levar a vida da melhor maneira possível sentindo sempre, vindo não sei de onde, muita coragem que não deixa me acovardar diante de tão grande sofrimento.
Aconteceu recentemente outro fato que começou a despertar em mim, algo que jamais supunha existir no meu coração, a fraternidade.
Certo dia, meses atrás, já chegando à noite, chovia copiosamente quando, embora os barulhos intensos da chuva, ventos e dos trovões, ouvi alguém no portão chamando e fui atender. Era uma adolescente com as características dos povos japoneses. Tinha as roupas encharcadas além de muito sujas. Sua aparência indicava que ela padecia intensamente. Implorou-me ajuda, oferecendo-se para trabalhar como doméstica, desejando como compensação apenas o alimento, e um lugar onde pudesse descansar e dormir, após cumprir as tarefas diárias.
Senti imensa compaixão por ela. Pedi que entrasse e lhe dei uma toalha para secar-se. Aqui, nesta sala, sentei-me e convidei a sentar-se também. Antes que a perguntasse qualquer coisa pediu-me água. Fui à cozinha buscar e lhe dei. Bebeu rapidamente. Ofereci mais e ela aceitou sorvendo tudo. Respirou fundo e se recostou no sofá, exausta. Deixei que descansasse e, assim que se refez, contou-me toda a sua aflição em um angustioso desabafo.
Seus pais eram brasileiros, filhos de japoneses que vieram para o Brasil, mais precisamente São Paulo, há muito tempo. Eles por suas vezes, após casarem-se, entenderam de vir tentar a sorte aqui, no Rio de Janeiro.
Sempre enfrentaram muitos problemas no nosso estado. Sua mãe ficou viúva quando ela tinha doze anos. É filha única, pois ao nascer, por complicações no parto, a mãe querida perdera a fertilidade.
Passaram as duas por grandes dificuldades e tudo dava errado em suas vidas e, piorou ainda mais quando quatro anos à frente, sua mãe passara a viver maritalmente com um homem que conhecera, pouco tempo depois da morte do marido.
Ele tinha uma loja de produtos pirateados sendo também, descendente de asiáticos e, embora suspeitasse da nacionalidade de seus procedentes, nunca soube ao certo qual era.
Durante os primeiros meses tudo parecia estar bem, até ela perceber que ele a assediava. Tentava ocultar isto de sua mãe e resistia sempre às investidas do padrasto. Certo dia, ela já desconfiada, fingiu sair. Logo ao voltar o flagrou rasgando sua roupa, tentando possuí-la a qualquer preço. A mãe querida atracou-se com ele e recebeu um golpe tão violento que morreu instantaneamente ao bater com a cabeça na parede. Ele possesso a olhava como um animal acuado, ameaçando matá-la se fosse denunciado às autoridades.
–Não quero a polícia atrás de mim, senão farei contigo pior do que fiz a ela, disse-lhe apontando para o corpo inerte de sua pobre mãe, e fugiu.
Com os seus gritos de desespero os vizinhos a socorreram e chamaram a polícia, que nada mais pode fazer. Eles mesmos por piedade fizeram os funerais, após as ações legais que o caso requeria.
Saiu então apavorada de casa com as ameaças do padrasto.
Ficou perambulando pelas ruas e vivendo da misericórdia alheia, até que em meio à abundante chuva, trovões e muito vento, sem encontrar, abrigo parou no meu portão e me suplicou ajuda.
Após ouvir atentamente a sua infeliz história senti ao mesmo tempo muita piedade por ela e também preocupação. É menor de idade e ainda ameaçada por um louco. Deixei que o meu coração decidisse por mim e, por mistérios da vida, a tragédia dela me deu mais ânimo para continuar a minha trajetória por este mundo.
Não só lhe dei o emprego temporário como também está bem adiantado o processo de adoção legal. Contratei uma servidora doméstica para que ela tivesse o seu tempo livre, bem como a casa arrumada. Antes de a Hina aparecer, este é o seu nome, isso aqui era uma verdadeira bagunça, pois eu na minha severa depressão não dava a menor importância à limpeza e organização da casa. Apenas uma dessas senhoras que fazem os serviços de diaristas, apesar da sua boa vontade, em unicamente uma vez por semana, não dava conta de tanto trabalho. Após estas providências a coloquei no colégio e agora, graças a Deus, está refazendo a sua vida.
Compreendi, através da sua desventura, que eu estava sendo um tanto egoísta, achando na minha intensa dor que ninguém mais sabia o que era sofrer como eu sofria e aprendi, sobretudo, a importância da solidariedade, do amor ao nosso próximo.
Posso apresentá-la a vocês?
–Claro senhor Antônio, respondeu Sara, sensibilizada com tanta cortesia, já que ele os tratava como dois velhos amigos.
Antônio dirigiu-se ao quarto da sua já quase filha adotiva que estava estudando, e perguntou-lhe se gostaria de conhecer duas pessoas que ele também acabou de conhecer.
–Devem ser muitos especiais para o senhor, pois seus olhos estão brilhando, como se tivesse tido a graça de receber dois Anjos na sua casa.
–É mesmo querida, dá para perceber o quanto estou contente?
–Mais do que contente! Vamos lá?

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS

                              OITAVA PARTE
                Antônio os apresenta a jovem Hina.

Chegando à sala, a adorável “japonesinha” se apresentou aos dois irmãos:
–Muito prazer. Meu nome é Hina e graças a este santo homem vivo agora em um mundo de paz!
Ao verem o encanto da jovem que é Hina, bela, saudável e alegre, Marcos e Sara ficaram surpresos. Nunca tinham ouvido comentário algum, de que uma moça de descendência japonesa, tivesse batido na porta de alguém em tão grande estado de penúria, segundo disse Antônio, ainda mais aqui, no Rio de Janeiro.
Ela elogiou Sara e, em seguida, fez-lhe um estranho pedido:
–A senhora é linda! Posso abraçá-la?
–Você também é linda Hina!
Sara levantou-se e com o coração acelerado estendeu os braços.
Abraçaram-se como dois Seres que se reencontraram após longa separação, a ponto de Antonio comovido e curioso, Perguntar:
–Vocês se conhecem?
Elas olharam para ele felizes e emocionadas, entretanto sem saber o que lhe responder. Hina, em um impulso e, exultante, falou a Antônio:
–Não sei como lhe explicar pai, mas nos conhecemos sim, e muito, embora para mim não importe de onde.
Marcos em silêncio percebia toda a majestade das Leis Espirituais, tocando sutilmente duas Almas que se procuravam por longo período, e o processo de reconhecimento não tardaria a acontecer.
Conversava animadamente ainda por algum tempo o pequeno grupo, como se fossem familiares.

 RENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS REEN

                              NONA PARTE

Lhe serei grata por toda a minha vida senhor Antonio, mas gostaria muito de compreender a razão de todo esse seu carinho e bondade para conosco.
–Que bom seria se tivéssemos respostas para todas as perguntas. Pode também me responder o que houve entre você e a Hina?
As duas se olharam. Sentiam que dentro delas vivia um mútuo, intenso e inexplicável amor. 
–O que desejo agora, disse Antonio, é me lembrar, saudoso do passado, mas viver o hoje, sem angústias e questionamentos. Eles jamais trarão de volta o que perdi e respostas para os acontecimentos na minha vida. O que passou, passou e nada mais pode ser feito.
Marcos observa o quanto Antonio está enganado e também tentando ocultar de si mesmo, a impossibilidade de recordar seus amores que se foram sem sofrer.
–É muito difícil, refletia; o passado feliz ou doloroso vir à lembrança, desacompanhado de saudades ou tristezas. Não raro ele deixa marcas, muitas das vezes, cruciais ao espírito por toda uma vida, e mesmo após ela.
Estão diante dele Sara e Hina, evidentes exemplos do que passou sempre volta de uma forma ou de outra. Sua forte intuição lhe assinalava que o próprio Antonio em um futuro próximo, viverá intensamente o passado nos seus presentes, até o último dia sua vida, em abundantes detalhes.

Saberá que existem sim, respostas para todas as ocorrências que se passaram em tempos anteriores ao que então vivemos, todavia, elas não se apresentam de forma generalizada. Muitos não têm conhecimento de uma, sequer.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA M

                            DÉCIMA PARTE.
                        A separação de Marcos e Aurora.
         
      A melancólica semana está terminando e a sexta-feira chegou. Na entrada do colégio Marcos encontra Aurora e, certo de que ao encerrar os exames estaria com ela, esforçou-se em demonstrar serenidade.
Após as provas, ao saírem, Aurora que também é dotada de elevada sensibilidade, tinha a sua visão comprometida pelos prantos que brotavam e escorriam de seus olhos. Marcos que já vinha sofrendo procurava forças para dominar-se e, segurando com grande ternura a sua mão, tentava afastar-se com ela para longe do colégio.
–Durante as provas querido eu estava bem, mas ao fim da última questão desceu sobre mim um tormento terrível, acompanhado da certeza de que agora só terei comigo, a doce lembrança dos momentos de paz e felicidade que passei ao teu lado, antes de poder definitivamente nunca mais viver sem ti. Queria tanto permanecer este restante do dia contigo, porém temos que cumprir o nosso destino.
Abraçam-se angustiados, contudo a confiança no reencontro suaviza a intensidade da dor que sentem. Com um longo e desesperado beijo, banhado pelas lágrimas que deslizam dos seus olhos aos lábios, despediram-se.

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS

                DÉCIMA PRIMEIRA PARTE.                           
                       Noêmia conhece Sara.

Noêmia ia dar o abraço de despedida em Marcos quando uma linda mulher aproximou-se deles.
–Sara, esta é a senhora Noêmia, mãe da Aurora.
–Juro que pensei por um momento estar alguns anos à frente, e a senhora fosse a minha cunhada! Comentou surpresa, Sara.
–Você quem é a Sara, a irmã do Marcos?! Perguntou Noêmia sem conseguir disfarçar a sua grande admiração.
–Sim, só não entendi a sua surpresa.
–Seu irmão falou-me da sua beleza, porém só te vendo pessoalmente para constatar que ela ultrapassa, e muito, a que eu imaginei.
Sara abaixou a cabeça como sempre faz, diante dos que para si são tediosos elogios.
–Perdoe-me Sara. Percebo que os seus atributos físicos, tão desejados pelas mulheres, te incomodam quando em muitas delas seriam motivos de imensas felicidades.
Foi um grande prazer te conhecer. Espero o mais breve possível poder convidar-te a fazer-nos uma visita.
–Senhora Noêmia, pediu Marcos, por favor, diga a Aurora que a amo mais que tudo nesta vida, e que estaremos novamente juntos para sempre!
–Ela sabe disso Marcos, e continuará a todo instante perto de ti, mesmo se morasse do outro lado do mundo! Até breve.

REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS REENCO

                   DÉCIMA SEGUNDA PARTE.
                  Sara é lembrada da sua missão.
          
Termina mais um dia de rotina para Sara em seu atelier. Passou-se quase um ano que ela trabalha sem espaço suficiente. Veio todo este tempo protelando a conversa que gostaria de ter com seu irmão. Deseja alugar uma loja com dimensões adequadas para poder aumentar o atendimento aos novos clientes. Eles mais que triplicaram não lhe deixando alternativas: ou ia para um lugar maior, ou então teria que rejeitar serviços, uma vez que a capacidade de processamento das encomendas chegara a ponto de saturação.
Desde que inaugurou seu atelier tem por hábito não tomar nenhuma decisão sem antes consultar a Marcos. Eram-lhe altamente benéficas as suas sugestões.
–Hoje esta questão será resolvida, pensava Sara.
Escurecia quando Marcos voltava de mais aulas prestadas a Hina. Ela ansiosa pediu a sua atenção sem ao menos se lembrar de cumprimentá-lo.
–Sei que está cansado, Marcos, mas preciso conversar contigo.
–O que houve Sara, parece preocupada?
Expôs a ele, agitada pela longa espera, o seu projeto.
–Querida, há bom tempo compartilhamos nossas alegrias, tristezas e também nossos problemas. Sempre te incentivei neste seu trabalho em casa. Desta vez vou te pedir que de um tempo nas suas pretensões.
–Mas por quê?! Não imaginei que fosse obter tamanho progresso e agora você me pede um tempo depois de tanto trabalho que tive?
–Calma Sara! Tenho minhas razões para isso. Será pura perda de tempo e dinheiro se empenhar em algo que certamente abandonará a qualquer momento.
Sara se retraiu instantaneamente. Sentiu dentro de si o alerta de que estava levando muito a sério as coisas passageiras da vida. Perguntou mansamente a Marcos:
–Do que está falando meu irmão?
–Sobre um assunto que tudo indica, se esqueceu.
–Me esqueci? Será que está se referindo a minha missão?
–Sim, exatamente a ela.
–Mas já?
–Creio que não deveria estar surpresa e sim preparada. Nossas duras e abençoadas jornadas não tardam a se iniciar.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA                                                                   
                    DÉCIMA TERCEIRA PARTE.
                     O marcante sonho de Antônio.

Mais dois meses passados no curso do tempo.
Noite alta e Antônio não consegue dormir. A retrospectiva de toda a sua vida logo após se deitar, aliada a crucial saudade de sua esposa, filho, neto e nora, deixou-o agoniado. Descendo muitas lágrimas de seus olhos e vencido pelo sono, adormeceu.
No início do seu aparente sonho viu-se em um lugar deserto e com o aspecto nada agradável. Andava com o máximo cuidado para não cair. O terreno pedregoso, irregular e escorregadio, é extremamente ameaçador.
Na sua marcha vagarosa tenta de todas as formas sair dali, mas logo percebeu que a dificuldade tornou-se cada vez maior na medida em que se deslocava. Um calor insuportável e pavoroso mal-estar exauriam lhe toda a sua energia, a ponto de não conseguir dar mais um passo. Sentou-se angustiado e trêmulo, imaginando-se no inferno que tantas vezes ouvira falar.
–Meu Deus, pensava: será que morri enquanto recordava e sofria com a saudade dos meus amores? Se for isso que aconteceu Pai, faça-se a vossa vontade.
Não fui muito forte e cruel nas minhas maldades? É justo que pague na mesma moeda. Não vou me acovardar! O bem que fiz no final da minha vida foi insignificante, se comparando ao mal que me acompanhou por quase todo o restante dela.
Mesmo reconhecendo todas as suas faltas, o escasso e fétido ar que respirava desaparecia, levando-o ao desfalecimento.
Recobrou muito mais tarde a consciência sem, conduto, ter a menor noção de tempo e espaço, e nem poderia, pois ao olhar em toda a sua volta, nada viu. Esta nova condição voltou a atormentar terrivelmente o seu espírito, visto que se algo ali existe, para ele não possui nenhuma realidade.
Será um isolamento, um eterno abandono? Se for exatamente isso sofrerei o pior, entre os piores castigos possíveis. Temeu Antonio imaginando esta possibilidade.
Voltando agora novamente os olhos a sua frente viu, como se houvesse aparecido em um passe de mágica, uma ponte. Ela apresenta sua metade apoiada no “vazio”, e a outra em “terra firme”. Na verdade o seu meio oposto ao “nada”, têm as bases fixadas em um esplêndido vale. Nele há flores diversas e perfumadas presas a galhos de pequenos e graciosos arbustos, dispostos harmoniosamente em um exuberante e interminável jardim. Estranhos e belos pássaros coloridos completam o adorno da Celeste Paisagem.
Antônio sentiu-se confuso:
–Tive um pesadelo, morri, ou estou sonhando dentro de outro sonho? Perguntou-se.
A ponte lá está diante de si e, o que fazer? Transpô-la? Impossível. Não consegue se locomover. Contemplar extasiado a excelsa visão já lhe é muitíssimo confortador.
Instante após os seus últimos pensamentos avistou ao longe da ponte, quatro vultos similares a mais branca fumaça que foram tomando formas ao se aproximar dele, deixando-o numa perplexidade sem par. Ao fim da majestade daquele desconhecido processo, Antonio sentiu-se como se voasse através do Universo, e ouvisse os cânticos de milhões de Anjos, tamanha a singularidade da alegria que jamais imaginou existir. Nice, sua esposa, Humberto, seu filho, seu neto e nora, sorrindo e de braços abertos, convidava-o a aproximar-se. Formou-se sob seus pés uma estreita e brilhante estrada, que ligou o espaço onde estava àquela ponte. Cessando a sua imobilidade correu e ajoelhou-se ante a eles. Nice estendeu-lhe sua mão, levantou-o e, num saudoso abraço, fluiu dela serena energia que penetrou todo o Ser de Antonio.
–Querida! Nunca mais quero acordar para ficar eternamente com vocês.
–Ouça Antônio, você não está dormindo e sim entre nós em Espírito que nunca dorme, apenas descansa por meio de relaxamento temporário das suas atividades mentais. Digo mentais por não existir entre vocês um termo mais adequado para definir o que realmente serena. Seu corpo é que se encontra adormecido neste momento, repousando.
Estamos em uma dimensão, dentre muitas que existem em torno da Terra, para as quais vêm as mais variadas categorias de Espíritos ao deixarem o plano terreno.
Obtivemos permissão para encontrarmo-nos contigo, e este encontro não foi meramente para o seu enlevo, mas para que entre outras coisas, conhecesses duas das faces, entre as milhões que o “inferno” apresenta, e que o “Céu”, também possui as suas infinitas. O bem e o mal, que são os acessos para um e outro, residem dentro de cada Ser, e no transcorrer da sua evolução o segundo dilui-se, deixando de existir.
Sem o tormento o homem não conheceria a paz; se nunca sentisse dor, não saberia o que é o bem-estar; na tristeza ele percebe e valoriza a alegria. 
 Os “fogos dos infernos”, simbolizados em toda sorte de infortúnios, conduzem os Espíritos dos homens paulatinamente aos Céus, já que deles, cada vez mais brandos, vão recebendo suas têmperas, deslocando-os sempre para um seguinte, de maior sublimação.
Rogamos por este encontro, pois era essencial para o completo despertar do teu Interior, sentir o que sentiu e saber o que agora sabe como também, te esclarecer sobre alguns outros pormenores, com os quais conviverá até o final dos teus dias no mundo onde se encontra.
Construiu ao longo da sua jornada na Terra um vasto império empresarial, usando durante muito tempo nesta construção, métodos quase sempre desonestos. Sua sede de poder era tal que o cegara por completo. Se hoje é um novo homem, deve ao lado bom que vive dentro de ti e insistia em não o aceitar, e ao seu “batismo” na dor.
A minha partida, assim como a do nosso filho e da sua família, fez parte de um processo pelo qual todo ser humano passa nas mais variadas formas. A nossa abordagem sobre as utilíssimas fases negativas da existência, auxiliará na retirada do seu coração, da dolorosa chaga que carregava, achando que os seus desvios de condutas foram às causas desses acontecimentos, se bem que agora compreende o extremo benefício que eles trouxeram para o seu Espírito.
Tudo na vida tem a sua razão de ser. Está, em função das fortes influências que os padecimentos exerceram sobre ti, aprendendo a ser altruísta se desapegando das coisas materiais.
Sua caminhada no mundo onde então se encontra, está sendo moldada pelo outro rumo que a ela agora conduz. Poderá, seguindo por esta via, redirecionar o emprego da sua fortuna que, como riqueza moral para você nenhum valor possui.
Esta execução, ao menos em parte, já te foi sutilmente sugerida pelo leal amigo, o Daniel, com o desejo único de trazer vislumbres dos verdadeiros bens ao seu interior, entretanto não estava preparado na época para avaliar o seu propósito.  Ficou registrada na tua memória e, o entristece intensamente que o ameaçaste se por ventura insistisse no seu absurdo intento, já que os considerados valores para ele eram completamente contrários aos seus.
Tens agora a certeza de que, sem o Daniel e o Alberto, o teu poderoso império teria ruído. Não foi por acaso Antonio que no seu desespero e desprezo pela vida, entregaste a este Guardião e ao seu bondoso filho, a autorização irrestrita, através de uma procuração por eles redigida, para agirem como bem entendessem na condução das empresas.  Ambos ainda o assistiram por anos no seu infortúnio, sem que você na sua apatia, nisso pensasse.
Começaste a recobrar a coragem para continuar vivendo, não somente por um ato volitivo, mas também, é verdade, que cooperaste com as energias a ti lançadas do Alto, pelas nossas súplicas de socorro ao teu paulatino restabelecimento.
Este colossal gerador de riquezas, doravante, com a autorização do novo Antonio, contribuirá a propósitos humanitários e servirá através dele, a um grande número de seus semelhantes.
É importante também saber que além desses dois nobres irmãos, está cercado por Espíritos encarnados de considerável evolução que, igualmente, não apareceram na tua vida por acaso. Eles surgiram para ajudá-lo a se reerguer, como para cumprirem missões específicas, todas estreitamente ligadas a que certamente abraçará, ao reassumir o controle do seu veículo físico dentro de instantes. 
Primeiro a Hina, depois a Sara e o Marcos. Ao baterem na tua porta foste inspirado e tocado no fundo do teu Ser, pois sentiste profunda compaixão e grande estima por eles, sem encontrar nenhuma explicação para estes elevados sentimentos.
Todos estão lá e aparecerão outros, durante o passar do tempo para ficarem ao teu lado, até o dia da sua volta.
Sara esta bondosa Alma, em acelerado processo de lapidação, oportunamente será a mais importante na preservação das empresas, assim como vem sendo Daniel e Alberto. Ambos são muito fortes física e Espiritualmente, mas um dia precisarão ser substituídos, visto que perpetraram o que se propuseram fazer, e precisam de um merecido descanso. Alberto continuará no trabalho ao lado de Sara, porém apenas a assessorando.
Tudo o que me disse querida encheu-me de júbilo e confiança no futuro sem, contudo, retirar o grande remorso da minha pobre Alma. Ah, se eu pudesse recomeçar!
–O remorso Antônio surge com o despertar e o amadurecimento da consciência. Ele dói profundamente, modificando impulsos muitas das vezes, insanos do Espírito no pretérito. Ele continua a machucar ao longo da vida, mas ao mesmo tempo, esmerando o Ser na aquisição de novos valores morais, conduzindo-o ao caminho da Luz.
Agora precisa retornar ao mundo onde se encontra para dar início ao trabalho edificante.
Temos permissão para lhe informar que ainda permanecerá na Terra por mais doze anos e a deixará, de “forma inesperada”, justamente no final do cumprimento do seu trabalho. Estarei neste dia muito próximo a ti, para conduzi-lo ao seu novo Lar, junto de nós.
Continue trilhando o caminho de Amor e Bondade, procurando melhorar cada vez mais. Peça orientação a Deus em todas as decisões que deverá tomar.
Os quatro entes queridos o abraçaram e, logo em seguida deram-se as mãos formando um circulo, deixando Antônio ao centro.
Ele despertou ouvindo a voz cristalina de Nice:
–Estaremos te aguardando, querido. Que nosso Pai Eterno te proteja.
Abriu os olhos e olhou em volta de todo o seu quarto.
–É inacreditável! Tudo lá parece tão ou mais real que aqui. Senti o ar fresco e puro a energizar meus pulmões, a solidez do chão, o calor da luz solar aquecendo brandamente o meu corpo. Nice, meu filho, minha nora e meu netinho querido, possuem vitalidade superior a que quando comigo viviam! Minha doce esposa! Quanta ternura naquele abraço. A mesma maciez do seu rosto, a mesma fragrância dos seus cabelos!
Meu Deus! Que mundo é aquele? Se for Espiritual, como as pessoas são mais “vivas” que as daqui?
Não existem no presente para Antônio e nem para a imensa maioria dos homens que neste plano residem, respostas às perguntas que ele extasiado se fazia.
A compreensão acerca de todas as coisas, obviamente incluindo nelas o próprio Universo, é gradual e muitíssima lenta. Não existem atalhos. O caminho é longo, penoso, mas apesar disto, o derradeiro conhecimento para o homem é inevitável. Todo o seu progressivo saber e poder, estão intimamente ligados à confiança que ele demonstra merecer da Suprema Luz.

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                     DÉCIMA QUARTA PARTE.
                  A experiência espiritual de Sara.
          
Sara fez o que seu irmão lhe propôs. Foi para o seu quarto, tomou um banho e vestiu-se como que preparada para entrar num Sagrado Templo. É intenso o sentimento de reverência e súplica que invadiu sua Alma. Orou ao Pai Eterno com fervor extremo. Sentiu suave sonolência a envolvê-la, semelhante a um leve desfalecimento. Está ajoelhada no chão com os cotovelos apoiados na cama e as mãos unidas em prece. Fez uma breve pausa e deitou-se. Em poucos instantes sentiu-se transportada para outro lugar. Logo após desapareceu a sonolência. Recobrou a plena lucidez e a realidade a sua frente transcende-lhe a compreensão.
Encontra-se no interior de um orfanato que abriga crianças menores de dez anos de idade. A imensa área toda muita bem decorada com motivos infantis, possui uma organização extraordinária.
Os objetos, os brinquedos... Tudo parece ter sido minuciosamente escolhido por alguém que deve amar muito aquelas pequenas criaturas que ela viu através da janela, brincando em um recinto externo. São muitas e parecem felizes.
O ambiente exala deliciosa fragrância de rosas.
Notou que uma das crianças se encontra deitada num leito. É evidente que ela não está nada bem. Uma médica, que posicionada de costas para Sara, ausculta o peito dela com um estetoscópio.
Vê em sua companhia, uma senhora que aparenta uns sessenta anos de idade. De pé em frente à médica, porém do outro lado do leito, esta senhora percebeu a sua presença. Ela se encontra com as duas mãos abertas por sobre o abdômen da criança, uma menina, e a poucos centímetros dele. Sara aproximou-se e perguntou se necessitavam de ajuda, quando viu com grande surpresa que a médica é a Hina, apenas um pouco mais velha. Traz uma linda rosa branca presa nos cabelos por um grampo, e sorrindo alegre dirigiu-se a ela:
–Estávamos aguardando à senhora. A sua visita nos deixa muito feliz.
–Precisamos de você sim Sara, disse a outra pessoa. Faça, por favor, exatamente como estou fazendo para reforçar ainda mais a energia curadora. A menina já está se recuperando e logo estará fora de perigo. Momentos após a palidez de seu rosto desapareceu, dando lugar a um rosado de vitalidade. Hina disse radiante:
–Graças a Deus! Ela está curada.
Hina que havia surpreendido Sara por chamá-la de senhora, agora a deixou sem saber o que pensar.
–Apresento-lhe a senhora Nice, mãe, esposa do senhor Antonio.
É um imenso prazer conhecê-la, senhora Nice.
Apertou sua mão tentando disfarçar o espanto.
–Essa é a falecida esposa do senhor Antônio? Perguntou-se.
Que lugar é esse e o que estou fazendo aqui?
–A senhora Nice é a nossa principal colaboradora, disse-lhe Hina.
Procurando compreender o que ali a conduziu e para quê, analisou calmamente todo o desenrolar dos acontecimentos a sua volta, e inquiriu Hina:
–Não sabia que gosta tanto de rosas brancas, Hina.
–A senhora se esqueceu. O fascínio que elas me causam, vêm de muito tempo. Ele teve início num país distante, quando as cultivávamos no jardim da nossa casa com imenso carinho.
Nesta época seu nome era Marien e o meu Dael. Marien e eu vivíamos sós, nós duas, pois meu pai morreu pouco tempo depois de eu nascer.
Venha ver o grande jarro cheio delas colocado por mim logo na entrada, ao lado daquela coluna. Caminhou em sua companhia e a cada passo, observava o imenso afeto de Hina por ela.
–Agora mãe dê-me sua mão, e vamos voltar lá por um instante.
–Lá aonde Hina?
–Aonde viviam Marien e Dael.
–E a senhora Nice?
–É rápido. Ela nem perceberá a nossa ausência.
Sara viu-se em outra realidade, acompanhada de Hina.
Estavam à frente de uma casa, a qual possui o telhado muito inclinado, sendo a sua arquitetura completamente distinta das que conhece.
Apesar de simples é muito aconchegante. No seu jardim viu uma jovem mulher loira, trajando saia comprida, blusa de mangas longas e de cores muito vivas. Trazia também um lenço vermelho atado à cabeça.
Próxima dela, uma menininha de no máximo uns oito anos de idade, de pele clara, olhos muitos azuis, e vestida de forma semelhante à mulher, colhia rosas brancas de um viçoso roseiral.
O ar fresco e perfumado por elas deveria trazer a Sara grande bem-estar, contudo, se apossou dela uma terrível agonia, e começou a chorar copiosamente ao olhar para a alegre menininha que enchia de rosas uma pequena cesta.
–Venha Sara, vamos voltar. Já viu o suficiente.
Logo após onde estavam anteriormente e com o rosto banhado pelas lágrimas, sentiu-se confusa ao ouvir Hina falar:
–Você a pouco se perguntou que lugar é este, e o quê está fazendo aqui.
–Vocês leem os pensamentos das pessoas?
–Não é a Hina por ti imaginada que os estão lendo.
–Não é a Hina? Será que estou delirando?
Hina permanecia em silêncio deixando Sara preocupada. A preocupação aumentava, mas não deixou o medo apoderar-se de si, e logo insistiu:
–Sendo quem for, pode responder a pergunta que me fiz?
–Não fique temerosa querida, nada aqui te causará o menor mal, ao contrário, queremos te auxiliar na sua decisão, que é muito importante para todos nós.
Digamos que este local, as cenas que presenciou do sofrimento de uma criança, as comuns a nós duas e as demais, que serão a ti apresentadas pela senhora Nice, assim qual ela, eu, e as pessoas conhecidas suas ou não, são simplesmente “projeções” de realidades acontecidas, e de outras que acontecerão no futuro. Entremeadas a elas estão “montagens” que têm por propósito tocar fundo, e dar maior impulso ao despertar da sua caridosa Alma. Se ainda persistir alguma dúvida, na medida das suas observações em companhia da senhora Nice, ela deixará de existir.
Após a conclusão da sua experiência constatará, ao voltar às realidades físicas, que a sua súplica ao Senhor de tudo e de todos, foi atendida.
Viva intensamente estes momentos Sara! Eles têm valores inestimáveis também para você, como Espírito.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA M

                   DÉCIMA QUINTA PARTE.
                               Nice despede-se de Sara.

–Adorável filha. Encontra-se agora na presença da real Nice em Espírito. Acompanhei ao teu lado sem que me visse, a essas sucessivas projeções nas quais se integraste ativamente, inclusive a que te mostrou Dael, e te fez reviver todo o angustiante impacto emocional sentido pelo seu âmago, meses após o que há pouco viu, levada pela “Hina”.
Ainda verá e de forma trágica aquela menininha, o Anjo, o teu inesquecível amor, que te conduziu ao conhecimento da sua sublime essência, ignorada por ti até então. Depois de longa data ela voltou na forma da amorosa Hina. Será muito dolorosa a lembrança, mas precisas revivê-la.
No retorno ao seu mundo atual leve apenas as lembranças dos conteúdos apresentados nessas projeções, sem se questionar como funcionam, pois isso para a sua compreensão presente, é irrelevante.
Peço-te que quando estiver com o Antonio dê um abraço afetuoso nele por mim. Diga-lhe também que o amo muito e que jamais será esquecido. Até breve querida.
O ser espiritual de Sara tornando ao ponto de onde partiu, deu-lhe a sensação de ter recuperado os sentidos após um demorado desmaio. Permaneceu deitada meditando sobre tudo por ele vivido.
–Me é impossível deixar de crer! Como aconteceu não sei, e lembrando as palavras da senhora Nice, que importância isto poderia ter? Que esplendor de Alma animava o corpo da esposa do senhor Antonio. Precisaria ele de algum outro tesouro? Só mesmo os processos da vida podem justificar tamanho descabimento.
Hina foi realmente minha filha! Só me falta agora entender pela experiência, por que senti terrível angustia ao olhar para Dael. Tenho a promessa disso e segundo a senhora Nice, deverei ser forte para vivê-la.
Obrigada meu Deus pelas orientações e o caminho que com as Vossas Bênçãos trilharei sem fraquejar, até o ultimo instante da minha vida. 

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS
            
                               DÉCIMA SEXTA PARTE.
                       Sara inicia seu preparo missionário.

Rapidamente estava diante de Antonio.
–Sara! Como é bom te ver assim, tão alegre! Está com uma aparência exuberante. Sente-se, por favor. Sinceramente achei que...
Ela não deixou Antonio continuar.
–Senhor Antonio, vamos voltar àquele nosso assunto?
–Já. Que agradável surpresa!
–Pode traçar as metas de como faremos para que seja realizado tudo o que o senhor me propôs. Estou inteiramente ao seu dispor.
–Sara, querida, elas já estão prontas. Quer que as exponha agora?
–Primeiramente preciso fazer algo que me foi pedido.
Sara se levantou e pediu a Antonio para fazer o mesmo. Ao estarem de pé, deu-lhe um abraço apertado e comovente. Antonio retribui ao abraço incrédulo, a julgar pelo estado que ela se encontrava quando foi embora, após a longa conversa que tiveram.
–O senhor é o pai que eu gostaria de ter, mas este abraço não é exatamente meu, ele foi enviado pela sua esposa, a senhora Nice. Ela pediu-me também para dizer-lhe que o ama muito, e que o senhor jamais será esquecido.
As pernas de Antonio perderam subitamente as forças. “Por sorte” estavam muito próximos do sofá, pois ele ao tentar se apoiar em Sara, desequilibrou-a e caiu sentado no macio assento trazendo consigo ela, que também sem apoio, caiu sobre o seu colo. Começaram a rir da estranha situação ocorrida, e os risos se transformaram em lágrimas quando após a queda, ela deitou a cabeça sobre o seu peito e ele a abraçou como a uma filha querida. Sara sentiu-se uma menina ao colo do pai amado.
Depois de alguns instantes, refeitos do acontecido, Antonio falou:
–Acredito não haver mais nada que seja necessário ocultar de ti.
Sara prestou atenção no que ele acabou de dizer, mas o que ela soube acerca de Hina, não deveria a ele revelar antes do momento oportuno. Faria também o que estivesse ao seu alcance para que ela descobrisse paulatinamente suas intimas ligações.
Conversam agora sobre os planos imediatos.
–Em primeiro lugar Sara, já que aconteceu o que não esperávamos acontecer tão cedo, te proponho estendermos este nosso segredo a mais duas pessoas que, com toda a certeza, estarão no mesmo barco que navegaremos.
–Hina e Marcos, não são eles?
–Sim. Não existe mais nenhuma razão para desconhecerem o que realizaremos todos juntos, embora em diferentes situações.
Eu falarei com a Hina e você com o Marcos.
A partir deste instante Sara, vamos dar início ao nosso trabalho.

REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS REENC

                  DÉCIMA SÉTIMA PARTE.
   Marcos, Sara e Aurora ingressam na faculdade.

Ao final de três anos Hina concluiu de forma brilhante o segundo grau. Encontra-se muita bem preparada, mormente por ter dedicado quase todo o seu tempo nos esforços e concentrações para que assim fosse. Ela preferiu antes de tentar o vestibular seguir as orientações de Marcos. Mais um ano de exaustivos estudos num cursinho pré-vestibular, em alguma destas conceituadas escolas preparatórias, tal qual fez Sara, também aconselhada pelo irmão, afim de no seu termo ter chances reais de aprovação no difícil vestibular de medicina.
Marcos dava os primeiros passos para ser médico em uma Universidade Federal no seu Estado. A faculdade de Medicina onde estuda, dentro de uma cidade universitária, situa-se na zona norte do Município do Rio.
Sara é só felicidade. Aos vinte e nove, próxima dos trinta anos, começam suas aulas iniciais no curso de economia. Estuda na mesma universidade que seu irmão, porém longe dele, pois a faculdade de economia têm suas instalações em outro bairro, na zona sul da cidade.
Aurora por sua vez cursa psicologia, sem a menor desconfiança de que está perto de Sara, no mesmo campus.
Marcos e Sara moram, durante os dias de aulas, num apartamento de propriedade de Antonio, no centro da cidade, já que assim ficam mais ou menos divididas as distâncias entre as duas faculdades e só vão para casa normalmente nos finais de semana.
Descobriram os três que a vida de um universitário é cheia de surpresas, novidades e adaptações. A própria metodologia do ensino deixa o calouro um tanto desnorteado, mas nada que o dia a dia não consiga corrigir, para aqueles que se prepararam adequadamente. 
Logo na primeira semana de estudos chegaram à unânime conclusão que deveria servir de exemplo e alerta, a todos os pretendentes de um dia chegar a uma conceituada faculdade, pública ou particular. O ensino fundamental, o médio e o superior são partes de um todo. É muito difícil estudar o ensino médio se o fundamental foi por algum motivo qualquer negligenciado e, muito mais crucial ainda é durante um curso superior, principalmente os que envolvam cálculos, raciocínio rápido e interpretações complexas, sem ter tido um excelente preparo nestes dois degraus anteriores. Mesmo para eles que estão muitíssimos bem preparados, sabe da necessidade do constante esforço e dedicação.

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS

                      DÉCIMA OITAVA PARTE.

Uma semana muito especial se inicia. Marcos que sempre sai antes da sua irmã já está chegando à faculdade. Sara ainda encontra-se dentro de um ônibus praticamente lotado que a levará até o seu local de estudos. Muitos passageiros deixam o veículo no decorrer da viagem e o coletivo fica cada vez mais vazio. Num dado momento Sara que sentada na parte de traz, observando um assento livre próximo da porta de saída, rapidamente o ocupou. Mais adiante quando se preparava para saltar, uma jovem de cabelos alaranjados sentada no segundo banco à sua frente, despertou a sua atenção.
–Esses cabelos, embora mais crescidos, lembram-me os de Aurora, pensou.
Chegando ao local do desembarque ela e a jovem, levantaram-se ao mesmo tempo.  Sara vendo o seu rosto sentiu o coração disparar, ficando alguns segundos sem ação. É realmente Aurora que ao descer do ônibus andava muito rápido, e tem o mesmo destino que o seu.
–Aurora! Gritou Sara.
Ela no reflexo virou-se rapidamente.
–Sara! É você mesma ou estou sonhando?
Emocionadas, abraçaram-se longamente.
–Sara querida, que saudade! Vai a algum lugar?
–Vou estudar.
–Aqui?
–Sim. Estou iniciando no curso de economia.
–E eu no de psicologia. Poderia acontecer coisa melhor, Sara?
E o meu amor, como ele está?
–Muito bem! Cursa medicina na cidade universitária e morrendo de saudades de você.
–Meu Deus! Obrigada!
–Como você está bonita Aurora! Esses anos exerceram sobre ti notável transformação. A expressão do seu rosto, aliado aos seus cabelos crescidos, é de uma bela e corajosa mulher.
–E você Sara cada vez mais linda! Que bom minha cunhada te reencontrar novamente!
Deve estar arrasando os corações da rapaziada por aqui!
–Em relação a eles já estou velha para isso, além do que eu quem estou arrasada, Aurora.
–Como assim, se apaixonou gravemente?
–Tão gravemente que no meu caso não tem mais cura. Depois te explicarei tudo.
Aurora, estamos morando no centro. Vou lhe dar o número do nosso telefone, endereço e...
–Nada disso! Esperei por tanto tempo para simplesmente anotar telefone e endereço de vocês? Vamos fazer o seguinte: a que horas terminam as suas aulas?
–Próximo das doze horas.
–Sairei um pouco mais cedo e te esperarei para me levar ao encontro do meu Marcos.

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                      DÉCIMA NONA PARTE.
                O reencontro de Aurora e Marcos.
            
Está quase na hora. Vamos lhe fazer uma surpresa. Quando o porteiro ligar você vai para o meu quarto e no momento certo eu vou te buscar. Está bem?
Não demorou muito e o porteiro a avisou que ele estava subindo.
–Vá agora para o quarto e me aguarde.
–Sara, o meu coração está disparando!
–Calma. Ele já vai se aquietar. Vá.
Sara deixou a porta entreaberta e Marcos entrou desconfiado, pois ela estava de pé, o aguardando com um olhar enigmático.
–Oi maninha, tudo bem? Que cara é essa?
Ela lhe deu um abraço forte e disse sorridente:
–Tenho uma surpresa maravilhosa para você. Sente-se um instante.
Foi até a cozinha, preparou um copo de água com açúcar e trouxe-o para seu irmão.
Aproximou-se de Marcos e ofereceu-lhe:
–Primeiro beba isto.
–Água com açúcar. Se a surpresa é boa por que preciso me acalmar?
–Já vai saber.
Foi ao seu quarto e trouxe consigo Aurora. Quando Marcos a viu levantou-se rápido e sentiu como se todo o fascínio do Universo fluísse através de seu Ser.
–Não acredito no que estou vendo!
Aurora correu para seus braços.
–Aurora minha vida, voltou para mim!
–Marcos, querido, que saudade meu amor!
O reencontro há muito aguardado levou Sara às lágrimas. Eram tais quais dois Anjos enlaçados um ao outro. Emanavam deles a essência do amor e ternura infinitos. O verdadeiro amor existe e Sara não teve dúvidas, pois Ele estava personificado diante de si. Desejou também passar por este sublime momento, mas ele era único, pertencia somente a esses dois seres que tinham como destino o mesmo caminho.
 Continuou observando após o longo abraço, os dois se olhando e acariciando o rosto um do outro, em silêncio, como se estivessem diante da natureza mais íntima da própria Vida. Aquela cena ficará marcada para sempre no seu coração.
Saíram do êxtase em que se encontravam. Marcos a puxou suavemente pelo braço e sentaram-se no sofá. Aurora deitou-se em seu colo. Ele afagou os cabelos da sua amada durante bom tempo.
Sara percebeu que era necessário intervir.
–Meus amores. Preciso falar uma coisinha com vocês.
Ficaram atentos e curiosos.
–Estou imensamente feliz pelos dois, mas Aurora, sua mãe e seu pai devem estar preocupados com você.
–Minha mãe sabe onde e, com quem me encontro, porém está certa. Devo voltar logo para casa.
Pareceu-me Sara que o tempo não existia.
–Entendo Aurora, mas por aqui ele existe. Ora voando, ora se arrastando, todavia, é uma realidade da qual não podemos fugir.
–Este foi um dia excelso na minha vida e ao lado de Marcos, os demais também serão.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA  
                           
                          VIGÉSIMA PARTE.
                       Hina revive sua tragédia.

Meses depois Antonio assistia a um noticiário na televisão em companhia de Hina. As imagens mostravam um perigoso bandido sendo perseguido pela polícia, em meio a uma intensa troca de tiros. O marginal tombou ferido mortalmente por vários deles.
A reportagem exibiu ainda uma foto que identificava o bandido morto e Antonio sem nada entender, sentiu Hina abraçando-se a ele, apavorada, dizendo-lhe:
–Pai, ajude-me estou passando mal, desmaiando em seguida.
Desesperado e, apesar da idade, colocou-a rapidamente dentro do carro e saiu em disparada para o hospital mais próximo. Lá chegando gritou como um alucinado:
–Acode minha filha, ela está morrendo!
Os enfermeiros deitaram-na na maca e a conduziram as pressas para a emergência. Antonio quis entrar, mas um médico o impediu.
–Calma, senhor, por favor, aguarde lá fora. Ela será prontamente socorrida.
Sentado enquanto aguardava, suplicava a Deus:
–Te imploro Pai, desta vez não. Não leve também a minha filha querida, minha única companhia.
Soluçava sem parar deixando alguns presentes penalizados que tentavam consolá-lo. Sentiu a mão de alguém em seu ombro, chamando-lhe:
–O senhor é o responsável pela jovem que deu entrada a pouco, na emergência?
–Sim, ela é minha filha. Salve-a doutor, por caridade!
–O seu estado não parece ser grave. Venha, preciso fazer-lhe algumas perguntas.
Antonio o seguiu até a uma pequena sala. O médico ao fitá-lo sentiu-se curioso e o perguntou: – perdoe-me, compreendo a sua aflição, mas o senhor é idêntico ao grande empresário, Antonio...
–Sou ele mesmo doutor, mas isto não tem a menor importância.
–Senhor Antonio, sinto muito pela circunstância em que tenho a honra de estar diante do ilustre empresário. Tranquilize-se e conte-me o que exatamente aconteceu, antes dela ficar inconsciente.
–Ainda não entendi doutor. Ela é uma moça saudável e alegre. Não vejo motivo algum para o acontecido.
–O senhor está muito nervoso, é compreensível, mas tente se lembrar; o que ela estava fazendo no momento do desmaio.
–Estávamos assistindo um telejornal. Durante a reportagem, que exibia um bandido sendo perseguido e morto pela polícia e... Lembrei-me, de um detalhe, doutor! Ela atirou-se nos meus braços em pânico antes de desfalecer, ao ver a foto do marginal apresentada no noticiário.
–A jovem apresenta sintomas de um intenso trauma emocional. Preciso saber se existe alguma relação com o que o senhor acabou de me contar.
Vou mandar transferi-la para um quarto e, após isso, será necessária a sua presença.
Rapidamente Antonio estava com Hina e o médico.
–Pai, não sai de perto de mim, estou com medo!
–Acalme-se querida, não vou sair. Conte-nos o que a deixou neste estado!
–Aquele homem, pai! Foi ele quem matou a minha mãe!
 Abraçou-se a Antonio e o médico ficou certo estar diante da causa que deu origem ao trauma sofrido por Hina.
–Não fique assim meu anjo, ele está morto. Não poderá te fazer mais mal algum.
–Foi terrível! Ao ver a sua foto pareceu que algo me conduziu novamente diante do quadro pavoroso que foi a morte da minha pobre mãe. Pensei ter conseguido suavizar esta lembrança e, inesperadamente, ela volta como uma avalanche de gigantescas pedras caindo sobre mim, e me esmagando de tanta dor.
–Isso vai passar, eu te prometo. Você tem a mim e a seus amigos que a adoram. Estaremos sempre ao teu lado. Jamais te deixaremos sós.
–Agora, por favor, me leve para casa.
–Só poderei fazer isto querida com a autorização do médico.
–Está tudo no controle Hina, disse-lhe o médico. Você encontra-se muito bem, em relação ao momento da sua entrada. O sedativo aplicado em ti terá efeito mais eficaz com a sua cooperação. É necessária a sua permanência por mais algumas horas. Seu pai poderá ficar em sua companhia até eu lhe dar alta, está bem?
Após quatro horas, sendo constantemente monitorada pelo médico, foi liberada.
Chegaram à casa pouco antes da meia noite. Antonio estava exausto, contudo, feliz por não ter causado nada de maior consequência o incidente com Hina.
Apesar de muito sonolenta pelo efeito do forte tranquilizante, e também pela hora avançada, Hina encontrava dificuldade em relaxar.
–Filha, tome um banho para dormir. Logo estará livre deste pesadelo.
–Estou zonza pai, não vou conseguir e também tenho receio de ficar sozinha. Vamos dormir esta noite aqui na sala, por favor.
–Está bem. Ficarei pertinho de ti. Qualquer coisa me chame.
Antonio deitou-se e logo dormiu. Hina, embora o sono intenso, o retorno abrupto a um passado recente dificulta-lhe adormecer. A despeito disso, a presença do pai querido traz-lhe a segurança de que tanto precisa. 

   DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS

                  VIGÉSIMA PRIMEIRA PARTE.
                Surpresa e feliz, Hina revê sua mãe.

A lembrança da terrível ocorrência foi desvanecendo quando se viu penetrando num recinto calmo e iluminado por suave luz. Ele se assemelha a uma antecâmara que serve de conexão entre o seu mundo e o que logo penetrará. Em instantes ouviu alguém lhe chamar. A pessoa, uma mulher, estava há poucos metros diante de si e trazia um véu cobrindo-lhe o rosto.
–Quem é a senhora e o que deseja de mim?
–Sou eu, minha filha adorada, respondeu-lhe retirando o véu.
Hina gritou pela imensa surpresa e alegria, correndo ao seu encontro. Chorando envolveu sua mãe num abraço de suprema felicidade.
–Mãe, quanta saudade! Tenho sentido tanto a sua falta.
–Eu sei minha filha, mas vou sempre te visitar na medida das minhas possibilidades, com a permissão do bondoso dirigente deste mundo, onde vivo.
O irmão Antonio, a Alma caridosa que a acolheu quando parti do mundo onde vive, está ao seu lado e te ama como a uma filha verdadeira. Tem também amigos que igualmente estão a ti ligados por elevados laços espirituais.
A vida continua querida! Agradeça a Deus, pois pode se considerar uma pessoa venturosa.
–A senhora tem razão.
Por que aquele homem tirou a sua vida? Quanta brutalidade! Teve o castigo que mereceu e nunca mais fará maldades a ninguém.
–Não fale assim, minha filha, ele é uma Alma infeliz. A sua morte não foi um castigo e sim, misericórdia. Se lá continuasse, aumentaria o peso da carga que curvará o seu espírito através de longos séculos.
Passará por um extenso período em regiões inferiores de cruciais suplícios. Seu sofrimento é tal, e será por tempo prolongado, que pensará ser eterno. Ore sempre a Deus por ele, para que o Supremo Senhor tenha piedade de seu espírito, e o afaste gradativamente das trevas que ele mesmo criou para si, levado pela mais profunda ignorância das leis do Amor.
–Sem a caridade, que não é somente dar o alimento a quem tem fome, ou o agasalho a quem sofre frio, como também sem o amor no coração, nenhum espírito se eleva. É essencial compreender que a vida não cessa jamais. Ela existe no seu mundo, aqui onde estou, e em todo o Universo. Não haveria sentido, propósito e nem a própria Vida, sem o amor. Ele É o incessante movimento, o pulsar do coração do Todo.
Agora venha. Quero te mostrar a vastidão e a exuberância do mundo onde vivo.
Hina, segura pela mão de sua mãe se deslocava com ela, unicamente pela força do pensamento e nunca mais esquecerá tudo o que via.
Está inteiramente feliz por saber que a sua querida mãe se encontra ainda mais viva do que ela, em um mundo de Graça e Paz.
–Hina, em outra ocasião terá encontro com um Ser muito especial, nesta mesma dimensão onde nos encontramos agora. Nele te será revelada a Sagrada Ligação entre você e a Sara, assim como outro sublime acontecimento que te deixará extremamente feliz. Até breve minha filha amada.
Hina acordou.
O dia clareava quando Antonio despertou. Lembrando-se de Hina olhou para ela e a viu aparentemente dormindo tranquila, parecendo até sorrir. Tomou um banho e ao sair do banheiro encontrou a cozinheira preocupada.
–Seu Antonio aconteceu alguma coisa? Quando cheguei vi o senhor e a menina Hina dormindo na sala.
–Não! Está tudo bem. Apenas ficamos assistindo um filme até a madrugada e acabamos dormindo por lá mesmo.
–Posso servir o café?
–Aguarde só um pouco, vou chamar a Hina. Quando ela estiver pronta te aviso.
Voltando a sala encontrou Hina sentada, sorrindo alegre ao vê-lo.
–Foi só eu pegar no sono e o senhor rapidinho me abandonou, não?
–Não, meu anjo! Dormi com você aqui na sala, apenas estou vindo do banho.
–Estou brincando, pai. Sei que você não me abandonaria nunca!
Esta noite foi a mais feliz da minha vida!
–Como mais feliz Hina?! Você quase morreu e por pouco não me matou também!
–O que aconteceu após aquilo, assim que adormeci, fez-me compreender o que realmente é a Vida, e que Ela pode ser inteiramente feliz, depende exclusivamente de nós.
Antonio sentou-se surpreso ao seu lado, pois não era nem a sombra daquela moça assustada da noite passada.
–É mesmo? E o que aconteceu de tão bom enquanto dormia para acordar assim, neste estado de graça? Sonhou com algum Anjo?
–Sem nenhum exagero, foi exatamente isto! Estive de verdade com a minha mãe!
Antonio ficou sério e prestou bastante atenção na narrativa de Hina.
–Esta noite descobri com uma alegria imensa que a morte não existe.
Vi minha adorada mãe vestida como uma santa! Disse-me tantas coisas sublimes pai! Não tenho a menor dúvida no meu coração de que foi ela, porém havia algo de diferente em seu Ser. Falava demonstrando imenso desenvolvimento intelectual. Os horizontes do seu saber alargaram-se de tal forma, deixando-me impressionada! O seu vasto conhecimento acerca da vida neste nosso mundo, como no que presentemente se encontra, e até mesmo em outros superiores, é demasiadamente admirável!
Falou-me especialmente da necessidade do perdão.
Fiquei tão fascinada com a beleza do mundo onde ela se encontra atualmente, que senti uma vontade irresistível de ficar por lá junto dela. Minha querida mãe conhecendo o meu desejo, alertou-me de que isto não basta querer. São as Leis Universais que determinam o que deve ou não acontecer.
Deixou-me certa, fundamentada no que lhe é permitido saber, que ficarei por aqui ainda um tempo considerável, mormente pelas realizações importantes que tenho a cumprir, auxiliando irmãozinhos que precisarão muito de mim.
Meu pai querido. A julgar pela sua confissão tempos atrás, é um novo Antonio e eu, a partir desta noite, uma nova Hina.
–Deus se apiedou deste pobre velho e nos últimos anos da minha vida têm me cercado de anjos, quais você.
–Fico feliz por ti pai, mas, por favor, não fale mais nesta história de últimos anos da sua vida. Você vai viver muito tempo ainda ao meu lado.

REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS RENC

                  VIGÉSIMA SEGUNDA PARTE.
          Sara revive o trágico falecimento de Dael.
           
Sara, agoniada, evidenciando grande descontrole emocional, disse a Marcos:
–Meu irmão lembra de que no relato sobre a minha experiência, fui alertada pela senhora Nice que ainda veria e, de forma trágica, Dael, o meu inesquecível amor?
–Sim, lembro-me.
–Isto aconteceu hoje. Foi terrível, Marcos! Entendi o porquê da minha insuportável angustia diante da cena, dela colhendo rosas brancas no jardim.
Assim que sai da faculdade resolvi dar uma volta para procurar um presente para Hina, pela sua aprovação no vestibular. Estava caminhando e num dado momento, me vi parada em frente a uma loja de flores. Uma linda cesta com rosas brancas atraiu a minha atenção. Quando olhava fixamente para ela, tudo em minha volta desaparecia.
Encontrava-me no jardim daquela pequena casa, trajando o mesmo vestuário que a mãe de Dael, na verdade, era a própria. Ao meu lado, ela me ajudava a podar os galhos de uma viçosa roseira e disse-me uma coisa que me cortou o coração...
Sara fez uma pausa chorando convulsivamente, amparada por Marcos.
–Se a lembrança está te fazendo mal, esqueça-a.
–Não, de maneira alguma!
E aos prantos, continuou:
–Ela me disse Marcos:
–Mãe, quando eu morrer, e está próximo disso acontecer, quero que a senhora me enfeite com muitas dessas rosas do nosso jardim.
–Abracei-a forte sentindo uma dor aguda no coração e a repreendi; nunca mais repita isto para mamãe, quer me matar de tristeza? E ela me disse:
–Mãezinha, não brigue comigo! Você precisa saber que só vim ficar ao teu lado por pouco tempo. A minha vinda teve por missão fazê-la conhecer o Amor, a dissipar a incredulidade que carrega contigo mãe. Deus existe! Aprenda a amá-Lo, a vê-Lo nestas lindas rosas brancas e em tudo o que te cerca. Sinta a Sua Sagrada presença na brisa que acaricia o teu rosto, e depois, quando me for, enxugando, através dos tempos, as suas lágrimas de dor. Confie Nele, sempre...
Está se aproximando o momento de eu ir embora.
–No dia seguinte quando fui acordá-la pela manhã, ela ardia em febre e me falava com dificuldade:
–Não fique triste, mamãe. Um dia quando você estiver preparada voltarei para ficar mais tempo juntinha de ti.
–Gritei aflita por socorro e muitas vizinhas apareceram para me acudir.
O nosso vilarejo era muito pobre. Não havia um só médico, e o tratamento das pessoas enfermas consistiam em remédios caseiros e preces.
Ao cabo de poucas horas ela faleceu. Eu chorava desesperadamente, amparada por aquelas humildes mulheres que tentavam trazer-me um pouco de conforto.
Na minha última lembrança, Dael jazia no seu pequeno e modesto ataúde, ornada por muitas rosas brancas do nosso jardim e seu rostinho sereno parecia dormir.
Voltei a mim ao sentir duas mãos fortes me segurando. Era um funcionário da loja que me perguntou:
–A senhora está se sentindo mal?
Deu-me um lenço, pois estava chorando muito. Pegou-me pelo braço e me convidou a sentar numa cadeira dentro da floricultura. Custei a me refazer quando me lembrei:
–Ela voltou e está pertinho de mim! Obrigada meu Deus!
Levantei-me resoluta cheia de energia e disse ao vendedor:
–Quero o buquê mais lindo que o senhor tiver aqui.
–Qual deles, senhora? Perguntou-me.
–De rosas brancas, e somente as rosas, nada mais.
 Ao sair, ele quis saber:
–A senhora tem certeza de que está bem?
–Estou ótima! Obrigada por tudo senhor.
–Foi, ao me contar sobre a lembrança deste acontecimento que te deixou neste estado, não é irmã, já que há pouco estava muito emocionada, mas não assim, tão arrasada?
–Sim, Marcos. Reviver Dael, nos seus momentos finais, dilacera meu coração! Tinha amenizado um pouquinho, mas ao te narrar vivi mais uma vez tudo o que ocorreu. Que Deus me ajude a não mais sofrer tanto com estas lembranças.
–Deus é misericordioso! Auxiliara-te sim, mesmo porque sabes agora que Dael está contigo na forma da Hina.
–Já havia agradecido ao Pai por isso.  O que preciso é confiar mais n’Ele e ser assim, mais forte!
–Sara, a experiência anterior a esta que vivenciaste, parece que teve para você, dupla finalidade.
–Agora percebo isto, Marcos.
–E como está encarando esses acontecimentos?
–Nas duas marcantes experiências tive claras visões e elas se integram uma a outra: na primeira foi-me exposta toda a essência da missão que preciso cumprir, e nela também aconteceu o prelúdio da segunda. Nesta última recordei que em outra e distante existência, tive uma filha única e muito amorosa. Foi toda a alegria, a razão daquela minha vida e a perdi. Lembrando ainda da sua estranha precocidade, pois uma criança naquela idade, conhecendo perfeitamente o que veio fazer na Terra, e que voltaria no futuro para estar ao meu lado, e voltou justamente quando eu me abri plena para a espiritualidade, deu-me a certeza de que a sua breve passagem em minha companhia teve razões bem definidas.
Parecia que um Anjo falava através dos seus lábios fazendo-me acreditar que passei por vidas antes de ela aparecer, no mais completo cepticismo. As maldades que você me viu cometendo foi pela mais profunda ignorância, pela falta de Amor e de, sobretudo, Deus!
Não há dúvidas de que isto foi por ação de iluminados Espíritos, eternos instrumentos do Alto que socorrem, sem retirar o mérito, dos que verdadeiramente são tocados nos mais ocultos redutos dos seus âmagos, que se esforçam em se esmerar, a sair dos sombrios abismos onde encontram suas infelizes Almas!
Aquele Anjo marcou-me profundamente e as minhas vidas posteriores devem assemelhar-se a de alguém que plantou na terra sementes de uma majestosa planta. Desejosa ardentemente de vê-la transformar-se em uma imensa árvore, produtora de inúmeros e deliciosos frutos veio por muitas sucessões de vidas, a regando todos os dias e adubando suas raízes com muito amor e carinho. Ela foi tornando-se robusta e pode sobreviver por si mesma, suportando as mais terríveis secas e as fortes tempestades.
Foi àquela menininha enviada por Deus que colocou as sementes desta plantinha dentro do meu coração.
–Estou muito feliz por você Sara e tenho a convicção de que esta árvore começa a florescer e, em muito breve, dará uma infinidade de frutos e muitos se alimentarão deles.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA

               VIGÉSIMA TERCEIRA PARTE.

Na noite deste mesmo dia antes de dormir, Sara refletia profundamente sobre a visão diante da loja de flores. Sua reflexão foi tão intensa quanto o desejo de se recordar de mais detalhes. Tudo em vão, entretanto ao notar que não conseguia relaxou e preparava-se para a sua prece, como faz todas as noites antes de dormir, quando desfilaram diante de si, cenas igualmente vívidas que tanto ansiava se lembrar. Feliz agradeceu a Deus e após fervorosa oração, adormeceu.
No dia seguinte, próximo das dez horas, pede a Marcos para convidar Hina a vir visitá-la.
Marcos saiu e Sara lembrou a sua mãe que estava aguardando por Hina e quando ela chegasse fosse direto para seu quarto.
–Esses dois estão muitíssimos misteriosos, pensava Maria.
Logo chega Hina e ansiosa pergunta por Sara.
–Está no quarto a sua espera, disse-lhe Maria.
–Obrigada dona Maria. Com licença.
Hina bate na porta do quarto de Sara e entra.
–Bom dia, Sara! Quer conversar comigo?
–Sim, querida. Sente-se aqui, perto de mim. Posso te contar uma história?
–Se não for do bicho papão pode, brincou.
–Fique de frente para mim e me dê as suas duas mãos.
Agora ouvirá a história de olhos fechados, está bem?
–Sim, pode começar.
–Era uma vez em um lugar muito distante onde havia uma pequenina cidade. Morava lá, entre outros habitantes, uma família de somente duas pessoas. Uma menininha loirinha de olhos muitos azuis e sua mãe. Essa menina era órfã de pai, pois ele se foi pouco tempo depois dela nascer, vitimado por uma doença incurável.
As duas se amavam muito. A casinha que as abrigava pertencia a um criador de ovelhas para o qual a sua mãe trabalhava. Sua filhinha sempre a acompanhava no trato das ovelhas, como uma verdadeira pastorinha.
Quando estavam, em casa, a diversão preferida de ambas era cuidar de um lindo jardim de rosas brancas.
Sara contava a história com lágrimas nos olhos e a voz embargada, na desesperada tentativa de despertar por completo aquela menininha que vive dentro de Hina, e continuava:
–A menininha, apesar da sua pouca idade era muito inteligente e falava coisas lindas para sua mãe, enquanto podavam ou colhiam as rosas.
Certa vez, num descuido, ela furou o dedinho médio da mão direita em um espinho e chorou de dor, assustando sua mãe que sem saber o que aconteceu perguntou-lhe, preocupada:
–Dael, Dael, o que houve meu anjo? Mamãe está aqui para te proteger.
Hina trêmula abraçou Sara, e também se sentia agoniada por dentro.
–Sara querida, entendo o que espera de mim contando-me esta linda história. Ela realmente fala ao meu coração e anseio comungar com você a mesma certeza. Dê-me um tempo. Este inusitado amor por ti certamente nos conduzirá ao mesmo lugar, no passado. Para mim o que mais importa é o intraduzível desejo de estar sempre perto de você, de que continue sendo minha grande amiga, mesmo porque, não existe amiga maior do que a nossa própria mãe.
Ao ouvir isto dos lábios de Hina deu-se por realizada. Já não importava mais se ela se lembraria, um dia ou não. Seria simplesmente um mero detalhe. O que verdadeiramente tem valor inestimável para Sara é o amor que as unem.

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS  
                    
                    VIGÉSIMA QUARTA PARTE.
                O encontro espiritual de Hina e Nice.

Hina terminou o curso de medicina e se prepara para iniciar a residência médica. Aproxima-se também o seu casamento com Lucas.
Após as saídas do apartamento, de Sara, Marcos e Aurora, passou a viver nele somente com Antônio que veio morar com ela para fazer-lhe companhia.
Certa noite, muito cansada deitou-se para dormir. Enquanto o sono não chegava pensava na vida, no seu casamento em breve, quando sentiu imensa saudade da sua querida mãe. Lembrou-se de que estando ao seu lado, naquele inesquecível “sonho”, ela disse-lhe ao se despedir que em outra ocasião, naquele mesmo lugar, teria um encontro muito especial, certamente com “alguém” que a revelaria tudo acerca dos envolvimentos entre ela e Sara, como também, de algo que a deixaria extremamente feliz.
–Encontro com alguém? Por que com outra pessoa e não ela? Será que não a verei mais? Fazia-se uma série de indagações quando o sono chegava dominador.
Bastante sonolenta e sem conseguir respostas as suas perguntas, adormeceu.
Estava como previra sua mãe, ali, onde a viu pela última vez. O lugar é singularmente belo, mas sem a presença dela o esplendor de antes não se fazia presente.
Decidiu caminhar a sua procura, entretanto como não a encontrava sentou-se sob uma florida e perfumada árvore. A sua frente, nas tranquilas águas de um lago, formavam-se suaves ondas com o passeio de dois cisnes; um grande e outro com pouco tempo de nascido.
Sua atenção voltou neste instante para uma senhora que dela se aproximava.
Parando diante de Hina, cumprimentou-a sorrindo:
–Como vai Hina?
–Estou triste, pois procuro pela minha mãe sem encontrá-la. A senhora conhece-me de algum lugar?
–Conheço querida, assim como a Sara, o meu amado Antonio e muitas das pessoas conhecidas suas.
–A senhora se referiu ao meu pai como seu amado?
–Sim Hina. Antonio foi e continuará sendo o meu amado! Sou a Nice, que viveu ao lado dele por muitos anos, no seu mundo.
–Nice, a esposa do meu pai? Então é ela a pessoa especial que eu iria conhecer? Perguntou-se Hina sentido agora a tristeza abrandar-se.
–A senhora sabe onde minha mãe se encontra?
–Sei.
–Por favor, leve-me até ela.
–Não posso querida. Ela não está mais aqui, nesta dimensão espiritual.
–Onde ela está então?
–Há exatamente dezesseis dias no ventre do seu corpo, que repousa neste momento na sua cama. Não é mais ou menos esse o tempo que a sua regular menstruação não se faz presente?
–Eu grávida, e da minha própria mãe?!
–Entre espíritos não existem mães e filhas, somente irmãos, Hina.
–Senhora Nice, apesar de não ter ainda me casado, sinto-me imensamente feliz!
A minha mãe embora como filha, novamente ao meu lado, é uma dádiva de Deus!
–Sim Hina, e agora vocês terão unidas por longos anos, uma vida ditosa.
Tenho ainda outra coisa muitíssima importante a lhe revelar. Na verdade será estimulada na sua memória espiritual, a lembrança da sua existência como uma menininha chamada Dael, que foi filha de Marien, hoje a sua amada amiga Sara.
Hina, levada por Nice à presença de um grupo de iluminados espíritos, sentiu cada vez mais o seu Interior sublimado a ponto tal que, se não estivesse devidamente assistida, seria impossível a sua volta ao mundo terreno.
Sendo deitada dentro de uma câmara, teve as suas lembranças retrocedendo no tempo. Elas foram detidas exatamente na personalidade Dael. Naqueles breves momentos que representaram anos, Dael voltou a existir. Esta existência, excitada de forma muito marcante na memória espiritual de Hina, permanecerá viva pelo tempo que se fizer necessário.
–Pronto Hina. As previsões mencionadas por sua mãe foram concluídas.
–E que previsões, senhora Nice! A minha vida que vinha sendo venturosa agora então, ganhará coloridos ainda mais especiais.
–Certamente Hina. Volte para o seu mundo e se desejar, pode dizer ao Antonio que esteve comigo.
–Direi. Ele ficará muito feliz em saber disso!
Hina despertou. Acariciou com carinho extremo o seu ventre, e veio-lhe também a mente recordações nítidas do passado distante. Elas são tão intensas e fulgurantes, que se sente como vivendo em dois mundos ao mesmo tempo. Está radiante e precisa conversar urgente com Sara.
Alberto e Sara tomavam café quando o telefone toca.
–Hina, o que houve?! Sua voz está estranha, parece nas nuvens!
–Sara, pode vir aqui em casa agora?
–Tenho uma série de compromissos, mas nenhum deles me impedirá de te atender querida. Estou indo para ai.
Hina é avisada que Sara está subindo e fica à porta, ansiosa, aguardando-a.
Ao chegar Sara é recebida por Hina com grande ternura.
–Nunca te vi assim, Hina, o que aconteceu?!
–Venha, Sara, sente-se comigo. Estou grávida de uma menina!
–Que bom, meu anjo! Por que só agora está me contando isso?
–Porque soube esta noite.
–Esta noite? Como assim, Hina?!
–Sara estive com a senhora Nice!
–Ah, agora as coisas estão se tornando compreensíveis!
–Ela é uma pessoa maravilhosa! Fez-me tomar conhecimentos...
Hina atira-se nos braços de Sara, em prantos.
–Mamãe Marien, senti tantas saudades da senhora!
Sara estremece violentamente, tamanha foi a sua emoção.
–Dael, meu amor! Hina querida, você se lembrou!
–Não foi lembrança; eu vivi física e espiritualmente o seu grande e inesquecível amor, a sua meiga Dael. Agora compreendo a extensão do seu amor e do terrível desespero diante do meu corpinho inerte.
Voltei para a senhora como lhe prometi mãe! Abrace-me forte!
Naqueles momentos não eram mais a Hina e a Sara que se abraçavam.
Hina vivia Dael, deitada ao colo da sua saudosa mãe, Marien.
O tempo para as duas passava despercebido e Antonio, pressentindo o que acontecia chegava à sala. Parou antes de ser notado e contemplava embevecido, aqueles dois Seres tão unidos um ao outro, que pareciam Um Só. O amor verdadeiro é eterno e estou diante dele, pensava.
Sara acariciando os cabelos de Hina percebeu a presença de Antonio.
–Perdão, Sara. Senti-me extasiado diante do que presenciei! Estou de saída...
–Não vá senhor Antonio. Sente-se aqui conosco.
–Oh, pai! É tanta felicidade que não sei se mereço, falou Hina voltando ao presente.
–Merece filha! Você é um anjo que veio habitar entre nós.
–Estive com a senhora Nice. Ela conduziu-me ao passado, a menininha que fui. Nós aguardávamos tanto por isso!
–Antes desta descoberta fiquei sabendo, através da sua amada esposa, que estou grávida. Aquela criatura que tanto amei e me trouxe a este mundo voltará a ele, e eu serei a via deste retorno. Embalarei-la nos meus braços com todo o carinho, como Sara estava fazendo comigo. O Milagre da Vida pai!

REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS REENCO

                   VIGÉSIMA QUINTA PARTE.
                              O estágio de Sara.
            
Sara inicia o seu aprendizado com os professores Daniel e seu marido Alberto, para em breve estar à frente na condução das empresas.
Logo nos primeiros dias percebeu as extensões das dificuldades em assimilar tantos detalhes com os quais conviverá como a presidente do grupo edificado por Antonio.
Com o passar das semanas e dos meses foi gradativamente constatando a importância do estudo teórico, contudo, o que então sabem seu sogro e seu marido, e que ela também deverá saber, excede de forma extraordinária os iniciais passos da sua formação profissional.
Certamente ninguém, de forma normal, alcança o cume de uma escada sem antes percorrer seus primeiros degraus e, para ela chegar ao ponto aonde chegaram Daniel e Alberto, terá que dedicar empenho extremo para alcançá-los, em espaço de tempo muito mais curto.
Isto somente será possível porque ela os terá ao seu lado pelo tempo que se fizer necessário. Quando for avaliada como apta terá ainda sempre junto de si, um assessor tão ou mais capaz que ela, para exercer a sua difícil missão.

MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA MAGIA                 
                     VIGÉSIMA SEXTA PARTE.
                           A morte de Antônio.

Antônio convida Sara a tribuna que vem já programado, acompanhada de perto por Daniel e Alberto, para passar a ela a presidência. Sara aproxima-se sentindo um estranho aperto no coração. Antonio a abraça e emocionado, agradece-a pelo seu incansável empenho, e parte realizado deste mundo, amparado por ela, Daniel e Alberto, seus grandes e fies amigos.
A comoção apossa-se de todos. O corre-corre dos veículos da imprensa é vertiginoso, afinal, foi o falecimento de um pioneiro, de um homem que lançou sobre uma terra nada fértil, sementes de amor e caridade. De um ilustríssimo senhor que trocou o orgulho e a ostentação, pelo enriquecimento moral e a nobreza do Espírito, valores que fortuna alguma deste mundo consegue comprar.
Em meio à tamanha agitação, Letícia percebe Antônio e Nice sorridentes e de mãos dadas, que também sabem serem por ela vistos, acenando-lhe as mãos num até breve, e deslocam-se desaparecendo rumo ás Alturas.

DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS DOS

                   VIGÉSIMA SÉTIMA PARTE.
                                       Final.   
           
Longos anos se passaram, mas o sagrado encargo de Marcos e Aurora continua.
Eles estão próximos de completarem cinquenta e cinco anos de idade, todavia, os vigores físicos, os desejos natos de servirem, de doarem amor, suas vidas a uma causa sublime, são ainda mais elevados que a missão por eles assumida.
O incansável médico Marcos e a sua esposa, a dedicada psicóloga Aurora, chegam sempre cedo ao hospital e só voltam para casa, à noite, exaustos, mas realizados.
Viverão ainda neste mundo por vários anos, entretanto, certos de que o venceu.
Foi difícil e extenuante cada degrau subido nesta irregular escada, contudo, o último está sendo ultrapassado. É o termo de suas passagens por este mundo como alunos.
Estão agora em casa, seu ninho de amor, de repouso e de Paz!
O dia amanhece. Aurora reingressa na consciência material com todas as suas energias restabelecidas pelo sono tranquilo e reparador. Agradece a Suprema Luz pelo despertar sereno. Olha ao seu lado e vê Marcos, seu eterno amor, que também já está acordado, e diz-lhe com o coração transbordante de alegria:
–Tive um sonho divino, Marcos!
Era um enorme pássaro de penas muito alvas e reluzentes que voava muito alto. A meu lado outro grande pássaro idêntico a mim, acompanhava-me. Sobrevoamos uma majestosa esfera azul, felizes, quando ele me disse:
–Altiva e singular águia, por mais de um milênio crescemos unidos e formamos os ninhos que nos abrigavam, a princípio, nas encostas das colinas, como aves que se elevam a pequenas altitudes e, expomo-nos assim, pela inexperiência, as grandes ameaças que nos rodeavam próximas à superfície.
Na passagem de longo período evoluímos, fortificamos nossas asas, e tornamo-nos águias cada vez mais robustas e velozes.
Percebemos ainda com o decorrer dos séculos e dos nossos crescimentos, a necessidade imperiosa de construirmos esses ninhos sempre mais altos, nas colossais montanhas existentes lá embaixo, naquela bela esfera azul. Deste modo, fomos nos distanciando dos terríveis perigos que permanecem próximos as suas bases.
Escalamo-las pacientemente até alcançarmos o cume da maior delas. Nele, além de livres de quaisquer riscos, conseguimos visualizar todos os horizontes que essa grandiosa esfera tinha a nos oferecer.
Desejosos e habilitados a conhecer outros ainda mais encantadores, simplesmente aguardamos o Sublime momento de alçamos voo e despedirmos-nos dela, rumo às estrelas, ao infinito!
                                          Fim.

“A Vida é eterna e se renova a cada instante, por todo o sempre”.


REENCONTROS REENCONTROS REENCONTROS RE                   
                

                            
                         Breve biografia do autor.

Jaime D’Aquino sempre residiu no Estado do Rio de Janeiro, sua querida terra natal.
Não possui reais ou fictícios títulos de doutor, filósofo, palestrante... Nada que possa induzir seus leitores a vê-lo como uma figura que não é.
Nos contextos das suas obras é exibido pura e simplesmente, o que aprendeu nas escolas da vida, nas superações dos obstáculos por ela oferecidos.
A seu ver, nada é mais genuíno que a fluidez das inspirações interiores. Por meio delas desenvolveu cinco livros, todos escritos há seus tempos certos. Muitos ensaios permanecem fluindo e, frente a seu computador, após metódicas verificações, os transforma em textos de amor, fé e esperança.

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